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conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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A história Efraim, o filho do Egito

Numa terra desolada pela guerra e pela lei, uma entidade angelical desce dos altos céus, revelando aos homens sua soberania magistral. E eis que a entidade passa vários dias na presença dos homens, ignorando a mensagem do nosso senhor jesus cristo de não revelar aos homens segredos dos céus.

Pois a criatura era digna de sabedoria e humildade, seus grandes olhos azuis refletiam sua imagem seca e santa. Mas eis que numa noite de Sabath, uma poderosa voz vinda dos céus diz:

“Efraim, filho meu, agora que descestes a terra não poderei mais deixar voltar ao seu lar junto aos seus irmãos, pois agora está contaminado com a carne e está impuro. E tu, mais do que todos, sabe que no céu não entrará impurezas nem coisa alguma da terra dos homens, enquanto estes ainda se revelarem contra a mim e meus santos. E é por este motivo, Efraim, filho do Égito, que deverás permanecer na terra, até que a vontade do santo altíssimo se conclua e venha enfim a ter seu julgamento”

E então uma grande nuvem se abriu nos céus, e dela saiu duas manadas de anjos, todos eles com espadas flamejantes nas mãos. E de seus corpos saiam luzes ofuscantes, e seus olhos brilhavam mais do que o próprio sol. Suas carruagens eram feitas da madeira mais pura e seus cavalos eram os maiores e mais fortes que qualquer homem jamais viu, todos eles com enormes cabelos dourados e uma pele rubra semelhante ao povo que habitava israel.

E  que com uma voz retumbante, todos eles diziam em coro:

“Efraim, filho do Egito, receba agora este cordel de prata para que seja formada a vossa aliança contigo e nosso senhor. Para que lembres todos os dias do teu julgamento e das obras que fizeres na terra. Pois haverá um dia em que Deus te levará de volta e te julgará conforme sua infinita sabedoria. Tome, e se torne um homem de fé.”

E Efraim, o santo  agora feito homem, tomou o cordel de prata pelas mãos e se ajoelhou aos anjos que estavam na sua frente, suplicando perdão e misericórdia.  Mas eis que eles falaram:

“Pare com o choro homem de Deus. Saibas que enquanto permaneceres na terra, nenhuma chama poderá queimar sua pele, nem metal algum poderá perfurar teu ventre e nem na tua tenda entrará insetos ou peste perniciosa, pois o Deus altíssimo escolheste a ti para semear sua palavra de boa fé e não deixar que os homens se esqueçam de quem os salvou da morte. Agora vá homem, vá e semeie a palavra do nosso senhor para todo ser que respirar nesta terra”

E então levantaram suas grandes asas, e seus cavalos relincharam e começarem a patinar no ar, graciosos como um cordeiro.

Pois então Efraim saiu para pregar, assim como Deus havia o ordenado.

E vários anos se passaram desde este acontecimento, e Efraim,diferente dos outros homens, não sentia as dores das doenças, nem fome, nem sede, nem animal algum chegou a feri-lo, pois enquanto ele continuasse com seu cordel de prata permaneceria protegido pelo poder do altíssimo.

Efraim andou pelas terras Rúben, Simeão, Levi, Judá, Zebulom, Issacar, Dã, Gade. Por todas estas terras ele andou e por lá ele espalhou glórias e muitas benções para quem viveu nela.  Mas ai  que em suas andanças, cansado de peregrinar só, tomaste a filha do seu irmão José como sua esposa e com ela decidiu passar seus longos dias.

E o casamento foi feito pelo seu irmão. E havia nele muitas frutas, pão e vinho, todos eles deliciosos, feitos pelos mais perfeitos cozinheiros da época. E então, pela graça do Senhor, os dois saíram juntos para peregrinar, amando um ao outro e ao excelentissimo Deus acima de tudo.

E no dia que o senhor havia escolhido, nasceu o primeiro filho de Efraim, Jacó, e Efraim decidiu que naquele dia fundaria a sua própria tribo, dando a ela o seu próprio nome.

E foi assim que a tribo de Efraim nasceu, dentro do ventre de uma mulher e na alma de um menino.

Mas Efraim, não podendo mais ficar com sua mulher e filho, pois já se aproximavam da morte, rezou aos céus e pediu a Deus que os livrassem do leito em que estavam.

E várias noites se passaram sem que o santo Efraim obtivesse resposta. E ele jejuou e orou por vinte e três dias e vinte e três noites até que o Senhor atendeu suas presses e disse:

“Agora que estais na terra, terás que aprender a viver o que ela tem a oferecer. Porque o tempo dos homens é curto e o teu, extenso, para que assim concretize minha vontade. E agora te darei isto: Vá, fuja de sua família e não olheis para trás, para que assim eles possam viver mais do que qualquer homem e mulher que já nasceu ou irá nascer”

E Efraim, filho obediente, escutou tudo que o senhor Deus disse e o obedeceu. No vigésimo quarto dia ele apanhou todas suas coisas e partiu, deixando para trás sua esposa que há muito tempo permanecia no leito de morte.

E ele pensou que, ao se afastar, sua esposa poderia voltar a viver e sair de seu leito mortal e por isso ele partiu.

E Efraim peregrinou por muitas terras desconhecidas, sendo perseguido, apedrejado e violentado vezes sem conta. Mas nenhuma arma ou homem lhe fazia mal, pois o Senhor havia de estar ao seu lado.

E passados vários anos, a esposa de Efraim não se levantou do seu leito nem seu filho. Os dois permaneciam vivos e conscientes, mas seus corpos já estavam mortos a tempos. E Deus não os levou, porque assim desejou Efraim e assim se sucedeu o sofrimento deles, durante duzentos e trinta e cinco anos.

Efraim, por meio de um peregrino, soube do caso do homem e da mulher que não se levantavam de seu leito e foi ao seu encontro. Mas ao chegar no lugar onde todos afirmam estar as duas pessoas, Efraim vê sua mulher e filho deitados no mesmo leito que há varias décadas Efraim havia feito para se recuparem de suas chagas.

A dor no seu coração foi grande e por isso o Senhor disse:

“Vá e realize o meu desejo que eu salvarei tua família”

E Efraim obedeceu ao senhor e se voltou para sua mulher e filho e chorando disse:

“Que o senhor tenha misericórdia desta pobre mulher e deste pobre rapaz que dorme ao seu lado, que Deus os liberte e não deixem que eles sofram mais”

E uma poderosa chama caiu dos céus naquele dia e sugou os dois corpos. Efraim, sendo santo, viu dois anjos montados em cavalos levar o espírito de sua esposa e filho para os céus.

Muito feliz, Efraim agradeceu ao Senhor dando a ele a oferenda de um cordeiro, mas antes de mata-lo, o Senhor disse:

“Não fazeis isso Efraim, filho do Egito, pois não é necessário sacrificar este pobre animal para agradar-me a mim. Pois a tua própria vida é o insenso do altar e o cordeiro da pedra, pois eu escolhi a ti para que carregaste a cruz até depois do meu filho, para que os homens não se esquecessem de mim e da minha palavra”

E Efraim entendeu tudo o que o senhor disse e por isso ficou contente e foi-se embora, pois sua esposa e filho agora poderiam descansar em paz.

Eis que Efraim permaneceu vivo na terra dos homens por Oitocentos e sessenta anos, sempre mudando de nome. Até que após a cruficifação do filho de Deus ele finalmente pode assumir o nome que lhe fora reservado antes mesmo da criação do Mundo, Policarpo, aquele que gera muitos frutos.

E o dia da sua morte havia chegado. Num Sabath, Policarpo foi encurralado por sacerdotes de uma igreja que não servia ao Senhor, mas aos seus próprios interesses. E eles odiavam Policarpo, pois ele gerava muitos frutos e não permitia que os homens fossem corrompidos pelas blasfêmias que aqueles homens falavam.

E então eles o levaram para um fogueira e lá o queimaram. Mas eis que as chamas não queimavam seu corpo.

Não fosse a primeira vez que Policarpo estivesse em uma situação como esta, ele poderia gritar, mas estava calmo, pois sabia que o senhor Deus ainda estava com ele, pois o cordel de prata continuava pendurado em seu peito.

Mas foi que Deus disse:

“Efraim, agora batizado Policarpo, chegastes a tua hora. Tomarei de ti o cordel de prata e deixarei que os homens retirem de ti a vida”

“Ainda não estou pronto senhor”

“Estais prontos meu filho, pois eu com minha sabedoria infinita seu de tudo e faço acontecer tudo no seu determinado tempo”

Policarpo viu o enorme anjo levar seu cordel de prata e o suplicou que o deixasse com ele, mas o anjo respondeu:

“Loucos és para me pedir tal coisa. Pois o próprio senhor Pediu-me para fazer isto e eu seria expulso dos céus se o desobedecer.”

E o anjo partiu, levando o cordel de prata.

E Policarpo sentiu as chamas começarem a queimar sua pele e chorou de Dor. Em um último suspiro de esperança, pediu aos que lhe perseguiam o seguinte:

“Não queimem meu corpo, pois ele não pode mais ser destruído, mas perfurem meu ventre para assim eu possa morrer conforme o Senhor deseja”

E então uma lâmina muito afiada atravessou seu ventre e então o Policarpo, o Efraim, filho do egito morreu.

E assim nasceu Efraim e assim morreu Policarpo, o mesmo que Efraim, aquele que Deus havia escolhido para preservar a palavra do nosso senhor Jesus cristo. E que esta história não seja mudada como as areias da praia mas que ela permaneça viva enquanto a palavra do Senhor ainda peregrinar por esta terra.

Amém.

 

Publicado por William magalhaes em: Agenda | Tags: , , , , , ,
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As quatro tribos – Parte 1

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Faltava pouco para o fim da tarde. O riacho derramava sua água sobre os pés de Ihhuá. Imóvel, o caçador da tribo Uerr´g mantinha os olhos fixos na água corrente e sua lança erguida em posição de ataque. Embora não fosse possível identificar qualquer movimento além de uma suave respiração, cada músculo de seu corpo estava preparado para atacar assim que necessário.

Alguns metros a frente, Peuhh´i, seu irmão mais novo, acabara de açoitar a água com uma longa vara, espantando os peixes em sua direção. Ihhuá  esperou alguns segundos, sabia que a parceria com o irmão não falhava e, ao contrário dos outros caçadores, mesmo naqueles dias de escassez poderia voltar para a tribo com uma boa quantidade de pescado. Ihhuá sentiu a aproximação dos peixes wunaji, seu nado produzia um som característico e não demorou até avistar o cardume se aproximando. Iludidos pela segurança que envolvia o astuto índio, os peixes dançavam por entre seus pés. Quando por fim já havia analisado o maior peixe e se preparava para acertá-lo com a lança, ouviu então um gorjeio agudo que reconheceu de pronto como vindo de um bando de pássaros jouw´j. Ihhuá olhou para o céu e vislumbrou a rara passagem com estranheza, afinal não havia muitas luas os pássaros haviam atravessado o território Uerr´g e muitas outras restavam até sua migração, além do mais, aquela não era a direção correta.

– Ihhuá! – Sussurrava Peuhh´i.

– Mas o quê? – Voltou os olhos para o garoto inquieto.

– Ihhuá! Os Peixes! – Insistiu Peuhh´i, dessa vez quase gritando.

Com o susto Ihhuá movimentou a água o suficiente para espantar os peixes, não o suficiente, porém, para que perdesse todos de vista. Com um lançamento rápido e certeiro, atingiu sua presa.

– O que foi grande irmão? – Disse Peuhh´i ao se aproximar. – Por um momento achei que você iria tentar acertar aqueles pássaros idiotas com a sua lança! – Prosseguiu risonho.

Ihhuá fitou o irmão e disse:

– Esses pássaros. – Fez uma pausa – São jouw´j do sul, ainda não deveriam estar migrando… Deixa pra lá, não deve ser nada. Olha só, acertei um dos grandes. – completou exibindo o peixe em sua lança.

– “Wuaa” grande irmão! “Wuaa!” você sempre acerta! – festejou o entusiasmado indiozinho.

– Sim eu sempre acerto! – respondeu Ihhuá puxando Peuhh´i pela nuca e batendo levemente a testa, como gostavam de fazer.

– Agora temos de ir, o sol de Dreorï já está baixo. Quando chegarmos…

A conversa foi interrompida por um grito estridente, quase um uivo.

– O canto do feiticeiro! – exclamou Peuhh´i – O que será Ihhuá?

– Esse canto é um chamamento… Ou um canto de guerra, não sei. – Ihhuá parecia preocupado. – Vamos, pegue a cesta de peixes e vá na frente, eu recolho os instrumentos e lhe alcanço na tribo.

Peuhh´i se apressou em obedecer. Ihhuá ajoelhou, esfregou um pouco de pó e folhas contra as mãos e as lançou contra o vento. Era a forma de agradecer ao grande espírito da terra pela caça. Levantou, foi até a beira do rio, colocou sobre os ombros o casaco feito do couro de algum animal, amarrou os instrumentos de caça em um bornal que prendeu na cintura, dispôs o arco em suas costas e, por fim, colocou o penacho discreto de caçador. Já tomava o rumo da tribo, quando parou e vislumbrou mais um pássaro jouw´j voando no céu. Sentia que algo estava acontecendo, porém, afastou esse pensamento e seguiu floresta adentro, pois a gigante lua Janfah começava a caminhar no céu.

Ao chegar na aldeia Peuhh´i encontrou um cenário um tanto atípico; uma multidão de Uerrg´s curiosos reunidos no centro da aldeia e muitos ainda chegando. O pequeno índio avistou então o velho feiticeiro Nih´Po posto no “altar” – que não passava de uma pequena elevação na terra.  – No centro havia uma fogueira onde o ancião jogava seu “pó mágico”, fazendo  levantar o fogo numa fúria de fumaça e fagulhas espetacular, ao mesmo tempo que cantava um canto uivado ancestral para chamar seus filhos e filhas.

Os índios Uerr´g  chegavam de toda parte. Curioso Peuhh´i olhou para um lado e para o outro confuso, fez menção de que iria perguntar para alguém o que estaria acontecendo mas lembrou dos peixes na cesta. Achou melhor levá-los para a tenda do Feiticeiro como de costume, porém, quando virou em direção a tenda, teve o caminho obstruído por Gogg e Hogal, os filhos do Chefe Puw´Ynn:

– Onde você vai com esses peixes, pequeno bastardo? – Disse Gogg cruzando os braços e com um olhar mal intencionado.

– É alimento para tribo. Vou levá-los a casa do velho Nih´Po. – disse Peuhh´i de cabeça baixa, já se retirando.

– Tão Pouco? –  retrucou malicioso. – Mas até mesmo isso é muito para um caçador medíocre, filho de um traidor. Na verdade eu acho que você roubou isso da tribo. Você e seu irmão são carne ruim dos Dreorï. Você não acha Hogal?

Hogal fitou Gogg com o canto dos olhos, e lançou um olhar indiferente para o garoto. Parecia não ter nada contra ele, porém, muito embora fosse mais forte, parecia temer muito o irmão para dizer qualquer coisa.

– Vamos garoto, entregue logo a cesta antes que acabe como aquele covarde do seu pai. – Gogg agora segurava o garoto pelo ombro.

Os olhos de Peuhh´i se inflamaram. Olhando a cesta, observou um pequeno peixe danificado demais pela lança de Ihhuá. Provavelmente não seria aproveitado para o consumo. Agarrou a calda com força e disse:

– Meu pai não era covarde! Era mais valente que vocês dois que ficam sentados aqui o dia inteiro em cima dessas bundas sujas, esperando o grande Chefe morrer. – Fez uma pausa – E se querem tanto esses peixes, então podem ficar!

Peuhh´i investiu contra o rosto de Gogg com a carcaça do animal. 

– Ahhh, Meus olhos! Eu arranco a sua cabeça! Maldito seja! Segure-o Hogal! – Exclamou Gogg.

Hogal olhava para seu irmão e para o garoto, atônito, não conseguia se mover. 

– Vamos anda logo! Qual é o seu problema? Está com medo desse inseto? Seu “quotrög das montanhas”. – Disse limpando o rosto.

Peuhh´i era valente, nem se quer tentou correr diante de tal situação, pelo contrário, fez posição de ataque, porém, Hogal deveria ter o dobro de seu tamanho e o imobilizou sem a menor dificuldade.

– Agora, seu caçador insolente, vou te ensinar a ter respeito por um guerreiro Uerr´g. – Gogg ameaçou enquanto tirava o cajado que carregava na cintura.

Gogg ergueu o cajado com fúria. Peuhh´i fechou os olhos enquanto esperava o golpe certeiro. Porém o golpe não veio.  Gogg foi derrubado repentinamente. Era Ihhuá que pulara em seu pescoço como uma fera da floresta. Os dois rolaram por metros, até que pararam. Gogg segurando a mão do cajado de Ihhuá contra o chão, desferiu um soco contra sua face e mais um, porém, quando se preparava para o terceiro golpe, Ihhuá o golpeou com as pernas, projetando Gogg para frente e levantando-se num mesmo movimento. Os dois ficaram frente a frente observando o movimento um do outro. Gogg se precipitou com o cajado em direção a Ihhuá que com um esquiva rápida desviou e desarmou o oponente. Ihhuá saltou com o cajado derrubando Gogg. Forçou o cajado contra o pescoço do índio e disse:

– Da próxima vez que tocar um único dedo no pequeno Peuhh´i, eu te mato! Tá ouvindo? Eu te mato! Arranco essa sua trança feia e faço um cobertor para o meu saco. Vão conhecê-lo como “Gogg, aquele do cabelo do saco de Ihhuá”. – Bufou contra o rosto do apavorado Gogg.

– Faça alguma coisa Hogal! – Olhou para o irmão que estava imóvel. – Anda logo seu animal.

Mas Hogal não se mexeu. Gogg sentiu o cajado de Ihhuá afrouxar-se no seu pescoço. Olhou para o outro lado e viu a Figura do Chefe Puw´Ynn olhando severamente para ele.

– Levantem-se. – Disse o Chefe. -Os dois levantaram-se!

Fez uma pausa.

-Vocês dois são uma vergonha para a tribo. – Disse severamente. – Quantas vezes vou ter que castigá-los? Porquê não se portam como homens e sim como meninos?

– Mas Grande Pai, esses caçadores…

– Cale-se! – interrompeu o Chefe bruscamente. – Venha comigo. Isso não ficará impune! Ouviu bem Gogg? E quanto a você Ihhuá, depois venha me procurar, quero lhe falar… Por enquanto temos assuntos mais importantes à tratar. 

– Sim Grande Chefe. – Assentiu enquanto olhava duramente para Gogg. 

– Bela caça pequeno Peuhh´i. – O grande Chefe passou a mão pelo ombro do jovem índio, que sorriu. – Você sim será um grande homem para nossa tribo, talvez até um guerreiro.

O Chefe e seus dois filhos se retiraram. Ihhuá, lançou um olhar preocupado para Peuhh´i.

– Você sabe que eu não vou estar sempre aqui para te proteger. Não quero que se meta em mais confusão.

– Mas eles disseram que eu roubei os peixes e… E eles iam pegar nossos peixes Ihhuá e chamaram nosso pai de covarde e… E, além do mais, eu ia dar um jeito naqueles dois antes de você chegar! – Eufórico, o pequeno índio dava socos no ar.

– É claro que ia! – Riu-se Ihhuá.

Ihhuá ajoelhou-se de forma que pudesse olhar diretamente nos olhos de seu irmão. Com as duas mãos em seus ombros.

– Peuhh´i, escute bem: Nosso pai não era covarde. Ele fez tudo o que era necessário, foi um honrado filho da tribo. – Olhou um pouco mais profundamente para Peuhh´i. – Não se importe com o que os outros possam dizer, você será um guerreiro tão grande quanto ele e nosso nome será lembrado por gerações em todas tribos das terras Laowhutt. Você acredita nisso?

– Sim. – Disse o garoto meio sem jeito, olhando para o chão.

– Então prometa que fará o necessário quando a tribo precisar de você, independente do que possa acontecer!

– Eu prometo. 

Ihhuá bateu a testa contra a do irmão e lhe abraçou com ternura.

– E a propósito, o que está acontecendo aqui? – Indagou Ihhuá.

– Eu não sei. Mas descobriremos em breve.

O garoto apontou para o Chefe Puw´Ynn, que se juntava ao feiticeiro no altar.

Publicado por Rafael_B em: Agenda | Tags: , , , , ,
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No Mundo dos Deuses

zeus

No Olimpo, onde os olhos dos homens não podiam alcançar, os deuses se reuniam para discutir a nova ordem das coisas.

– As coisas têm mudado ao longo dos últimos anos. – disse Zeus Júpiter. – Já não temos mais tanta influência sobre os humanos. Não fazem mais sacrifícios, ou festas, tampouco falam conosco. E sabemos que, nossa força, tendo sua fonte neles, e nossa existência, se encontra ameaçada.
(more…)

Publicado por Evandro Furtado em: Contos | Tags: ,
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O Lendário Táquion – Ep 1: O levantar de Beemote

Nota: Essa história é uma brincadeira para passar meu tempo. Como não há muito espaço aqui na HD, decidi guardá-la na NET e no Cd. Leia e comente se quiser.

 

 O Lendário Táquion – Ep 1: O levantar de Beemote

 

No centro do universo está a Terra, criada desde o princípio pela ciência do Eterno. Com o término da segunda guerra do milênio; as forças da escuridão foram aprisionadas no interior da singularidade, um buraco negro no centro da Via Láctea.

A paz reina em todas as nações: Homens não se levantam para matar homens e animais não devoram animais. Embora os humanos usem a ciência da tecnologia, seu uso não é mais empregado para as guerras, tão somente para fazerem o bem ao próximo, em benefício da humanidade. Todavia os anos de paz estão próximos do fim. O mal que está aprisionado se liberta para destruir a humanidade.

 O cumprimento da profecia do universo se concretiza com a chegada da estrela celeste, enviada de outra dimensão para aniquilar as forças da escuridão que rondam a Terra. Seu nome é Táquion, guerreiro das estrelas e destruidor do mal. Ele ultrapassa os portões de Betelgeuse para chegar à Terra em 3044.

 Nos verdes campos de um país que se chama Brasil, eis um menino com o dedo a apontar para o céu estrelado:

 – Veja papai, uma estrela.

 – Sim filho, é um mensageiro de boas novas – Diz ao abraçar o garoto. – E se você fizer um pedido com fé, ele pode realizar teu sonho.

 O menino acompanha o movimento daquela estrela de brilho celeste, a qual se dirige rumo às terras gélidas da Antártica e assim deseja:

 – Desejo que a humanidade viva em paz para sempre.

 A estrela cruza o céu e finalmente chega ao Pólo Sul.

 Aos olhos de um mortal esse continente pertence ao general inverno durante todas as estações do ano. Porém, em outro plano de esfera dimensional esse mesmo continente se torna fértil e habitado por criaturas de várias espécies, com uma vasta floresta de clima equilibrado, a qual abriga todas as árvores da Terra. Em suas folhas está à cura para os males que assolam a humanidade. Tal paraíso oculto de nossos olhos se chama: Ágata.

 A estrela pousa no solo e uma esfera metálica sai de dentro dela, levitando no mesmo instante em que fala:

  – Táquion, chegamos à Ágata, o paraíso perdido.

 – Compreendo Tumin, agora preciso me transmutar a imagem e semelhança de um humano. – Diz a estrela Táquion enquanto plaina no ar, a poucos metros do solo.

 – Preparar modo de transformação. – Tumin cria imagens tridimensionais para ele escolher a imagem.

 – Deixe-me ver… – Diz ao contemplar o corpo de um homem musculoso. – Esse parece forte demais.

 

 Tumin troca de imagem.

 

– Esse é lindo de mais. – Táquion não deseja atrair humanos do sexo feminino.

 

Tumin solta um flash e troca de imagem.

 

– Esse é inteligente, usa óculos… – Diz Táquion ao plainar para a direita. – Mas usa roupa estranha. – Para Táquion, paletó e gravata são estranhos meios de se vestir.

 

Tumin, a esfera robótica dotada de vida própria e de grande inteligência perde a paciência e diz:

 

– Decide logo, não vou ficar aqui feito uma idiota.

 

Tumin coloca a imagem de um homem moreno, vestido com sunga preta, cabelos nipônicos e de corpo magro.

 

– Esse é perfeito. – Diz Táquion.

 – Mas não é bonito. – Replica Tumin.

 – Não importa, desejo ter esses olhos amendoados, meio puxados – Diz Táquion, alegre. – Sim, desejo ser um japonês.

 – Mas eles têm o pau…

 – Não importa, serei um japonês e pronto. – Interrompe Táquion ao materializar-se naquela imagem.

 Táquion se transforma em humano e com entusiasmo diz:

 – Ora de irmos! Vamos encontrar Gabriel.

 Enquanto isso, na imensidão dos mares amarelos de areia do Saara… Próximo a um portal paralelo. Uma forte luz ofuscante de brilho avermelhado assombra os moradores da cidade de Misídia, ela entra na areia e desce até o leito rochoso. Ouve-se uma voz grossa, de timbre forte vinda do céu, a qual ordena:

 – Beemote, levante-se!

 Logo, um fenômeno assusta os moradores da cidade, um forte tremor de terra abala as dunas de areia e estremece as bases da cidade: Casas caem, prédios desabam e o caos se instala por toda a região. Os sentimentos negativos do desespero dão força para que algo extraordinário surja do interior da terra. Um monstro há muito tempo adormecido desde os primórdios da civilização humana, ascende-se da areia como quem se descobre da coberta.

 Em meio às lavas que transbordam como rio e da coluna de fumaça que se eleva no horizonte. A criatura se coloca em pé, pronta para destruir as cidades da Terra. Alguns beduínos contemplam o lendário ser com grande assombro, pegando os celulares para filmarem ela.

 O monstro estremece a região com um forte rugido e se movimenta rumo ao leste, em direção a Misídia. Sua cabeça é semelhante ao do triceratops, à calda esmagadora como martelo se assemelha a do anquilossauro e tanto as garras quanto os dentes são de titânio. Na superfície do corpo há pequenos chifres, e sua armadura tão resistente quanto o diamante. Os pés são como os do tiranossauro e sua altura é de um épsilon, “equivalente a um quilômetro e cem metros de distância”.

 – Então a lenda que nossos ancestrais nos contavam era mesmo verdadeira – Diz um beduíno, trêmulo de medo.

 – Beemote, o senhor do Saara despertou das entranhas da terra. – Diz a esposa, com os olhos amedrontados.

 O Beduíno começa a dizer alguns trechos da história dos antepassados:

 

“Reza a lenda que há muitos milênios atrás. O Saara foi um lugar fértil, habitado por uma poderosa civilização cuja ambição tornou-se motivo para escravizar outros povos. Mas quando esta estava no auge do seu poderio e no cúmulo de sua maldade; Beemote foi enviado de outra galáxia para destruir esse reino e devastar suas terras.”

 

Sua esposa completa a história, dizendo:

 

“Quando Beemote terminou sua missão, a civilização estava aniquilada e ele entrou em sono profundo. Mas as profecias dizem que um dia ele se levantaria para destruir a Terra novamente. E que quando esse dia chegasse, um poderoso guerreiro nos salvaria.”

 

Ao finalizar o diálogo, os beduínos montam seus camelos e fogem com a caravana para o mais além das dunas, a fim de escaparem de Beemote.

 

 De volta as terras de Ágata…

 

– Veja, lá está Gabriel. – Diz Táquion ao apontar o dedo para o alto de uma montanha.

 – Gabriel, Vimana construída há muitos milênios com o propósito de destruir Beemote e Leviathan – Diz Tumin ao acompanhar Táquion até o cume. – Quão majestosa és tu vimana! Tão forte e tão potente. – Exalta Tumin.

 – Vamos, vamos, todos a bordo de Gabriel. – Táquion está empolgado como um garoto de pouca idade, pois sua aura está materializada em corpo adulto, mas a mentalidade é de uma criança.

 Quando ambos chegam ao topo da montanha, o radar de Tumin localiza quatro objetos voadores que cercam eles de todos os lados. Táquion está próximo da vimana, quando, Tumin o alerta:

 – Espere Táquion! Não dê nem mais um passo adiante.

 – Mas por quê? – Questiona.

 – Há quatro objetos que aparecem e desaparecem do meu radar, como se estivessem entrando e saindo de portais interdimensionais. – Ela demonstra cautela ao levitar para o alto de um carvalho.

 – Ué, mas eu não vejo nada; acho que seu radar está com problemas. – Discorda, seguindo em frente.

 E naquele instante, um homem vestido com roupa sacerdotal, cabelos e barba preta, segurando uma cruz na mão direita, se materializa há poucos metros de Táquion, causando-lhe um grande susto.

 – Táquion, se tu és mesmo o anjo guerreiro de Betelgeuse, enviado para batalhar contra Beemote a bordo do sagrado vimana Gabriel – Diz ao abrir as pálpebras. – Então prove ser digno dela. – Diz ao disparar um raio de seus olhos azuis contra Táquion, que com grande maestria escapa com uma cambalhota.

 – Ataquem-no! – Ordena o sacerdote, elevando-se no ar.

 Os quatro objetos se movimentam com fantástica velocidade. Cada um se posiciona numa direção para atacar Táquion.  Eles se materializam, assustando o lendário guerreiro, pois nada mais são que espadas flamejantes. E assim começa o ataque:

 Uma das espadas avança contra ele pelas costas, mas com sua intuição ele prevê o movimento com exatidão. Táquion gira o corpo no chão e escapa do golpe. Todavia para sua desgraça, uma das espadas se torna invisível, surgindo como que por magia a sete metros acima de sua cabeça. Ela voa com toda rapidez, cortando o ar como folha; mas Táquion gira três vezes para o lado e por pouco seu corpo não é cortado ao meio. A espada entra no solo e desaparece enquanto outras duas voam para atingi-lo no peito. Mas com uma estrela dianteira ele escapa de ser retalhado, ao mesmo tempo em que a lâmina da espada abaixo do solo tenta perfurar-lhe as pernas.

 Uma das espadas voa pela retaguarda, contudo ele abaixa com rapidez, esquivando-se do golpe mortal. Em seguida ele gira em cambalhota para a esquerda e escapa das investidas da espada abaixo do solo.

Ele rapidamente se coloca em pé enquanto as espadas se revezam para atacá-lo ao mesmo tempo. Seu ombro está ferido, o corte não é grave, mas o plasma da espada deixa uma marca de queimadura. Pela primeira vez ele sente a sensação de dor humana.

 Irritado, ele exclama com a mão direita no ombro.

 – Já chega! Vou mostrar meu verdadeiro poder.

 Táquion posiciona ambas as mãos como se estivesse a orar e uma luz de brilho dourado em forma de crucifixo brilha em seu peito naquele instante. Assim se transforma em lendário guerreiro: O elmo e armadura são prateados, o colete é escuro, de formato triangular. As ombreiras são feitas de metal desconhecido e ornamentadas com duas pedras azuis marinho, as quais lembram os olhos de um felino.

A visão é da mesma cor das pedras nas ombreiras, e no centro do colete há uma esmeralda de formato circular, de cor azul.

 As quatro espadas avançam ao mesmo tempo contra Táquion e num único salto ele pula na altura de um pinheiro, e com a mão direita estendida ele dispara um feixe de energia contra uma das espadas. Ele atinge o alvo, explodindo uma delas em partículas.  

Um das três voa contra ele em pleno ar, mas com outro feixe ele destrói essa em uma explosão de luz. Já no solo, um delas avança em sua direção, mas com um chute de energia canalizada ele a destrói, passando por dentro de suas partículas.

Resta apenas a última, que num dado momento estuda os movimentos do inimigo. Ela avança com toda a rapidez, como se fosse um cometa. Táquion materializa uma espada prateada na mão direita e canaliza a energia dourada em sua lâmina. E num corte transversal, ele diz ao desferir o golpe fatal:

 – Espada Espiritual… Corte Celestial!

 As duas espadas vibram no ar e uma forte explosão levanta uma nuvem de poeira por alguns minutos. Tumin se encontra apavorada, temendo o pior. Mas ao abaixar a nuvem, eis o guerreiro celestial posto em pé a segurar sua espada na vertical. A batalha está ganha.   

    Nesse instante, o sacerdote desce ao solo, tocando as sandálias na grama molhada pelo orvalho. E ele começa a falar enquanto caminha rumo a uma árvore:

 – Você provou ser mesmo o anjo da profecia, digno de pilotar o vimana Gabriel. Agora vá Táquion, pois Beemote deseja calcar aos pés muitas cidades da Terra.

 O sacerdote estende as duas mãos para frente e canaliza uma imagem ultradimensional, mostrando o terrível Beemote.

 – Quem és tu? Responda! – Ordena Táquion ao apontar o dedo.

 – Preocupe-se em apenas salvar os habitantes da Terra do mal que ressurge das trevas do universo. – Ele caminha enquanto pega uma maça, dando uma mordida. – O tempo é o senhor do destino, e ele há de revelar quem sou na hora certa. – Finaliza ao caminhar para trás da macieira.

 – E como entro nessa nave? – Pergunta Táquion ao seguir o sacerdote. Mas quando se virou para ver onde o velho estava, ele já havia desaparecido.

 – Para onde foi? Que sujeito mais estranho.

 Tumin desce das alturas e diz:

 – Veja, a esfera que há na base da nave está brilhando com uma luz dourada.

 – É isso, então essa é a entrada. Vamos! – Táquion se transforma em uma bola de plasma e entra na nave pela esfera incandescente.

 Ele chega ao comando e se transforma em forma humana novamente, vestido com sua armadura lendária. A mente se conecta ao sistema e então ele ordena:

 – Gabriel, avante!

 A Nave levanta voo há um quilômetro de altura, deixando uma densa nuvem de poeira ao decolar do solo. Ela gira quarenta graus para a direita e num extraordinário reluzir de luzes, ela dispara na velocidade da luz rumo aos desertos quentes do Saara. E em um piscar de olhos ela já se encontra acima de Misídia.

 – Então esse é o terrível Beemote. – Diz ao contemplar a criatura adentrando a cidade, com sua calda destruindo casas e veículos.

 – Não permitirei que destrua a Terra. – Diz ao levantar o braço direito para o alto. – Transmutação Beta!

 O vimana de imediato passa por uma rápida transformação, com algumas partes girando como se fosse um cubo mágico para entrar no modo de batalha. As cores são pretas e brancas, e seu formato é simples, sem muito exagero, e sua altura é de mil metros. No peito havia uma esfera de cor azul. Assim o Vimana se transforma para o modo de combate, saltando em cima de Beemote com grande força.     

 – Não podes batalhar nessa dimensão, há muitos civis inocentes na cidade. – Alerta Tumim, flutuando de lado com Táquion no comando.

 – Tem razão, vou levá-lo para outro plano. – Táquion fecha as mãos em posição de reza e ordena: – Dimensão Fantasma!

 E naquele instante, o monstro e o autômato desaparecem da vista dos cidadãos de Misídia, deixando todos assombrados com o fenômeno. Gabriel ressurge com Beemote no mesmo lugar, mas em outro plano, onde não existem animais e seres humanos, apenas caos, destruição, árvores mortas, nuvens negras e cidades desabitadas. Essa é a dimensão fantasma.

 Beemote se liberta dos braços de Gabriel e logo o ataca com as garras, tirando faíscas de sua armadura. O monstro troca golpes na vertical, horizontal e transversal, fazendo com robô recuar para dentro da cidade: Casas são destruídas, veículos esmagados e prédios derrubados, mas com um golpe de judô ele ergue e lança Beemote para o outro lado, erguendo uma nuvem de poeira pelas ruas.

A criatura se levanta enfurecida, disparando alguns chifres contra Gabriel. O robô usa defesa de pugilista para defender-se daquele ataque à distância. Os chifres explodem em grandes bolas de energia, causando alguns danos na superfície da armadura.

 – Raio celestial! – Ordena Táquion ao fechar as mãos, simulando segurar uma esfera. O robô faz o mesmo, concentrando uma bola de plasma e lançando um raio de energia em feixe incandescente contra Beemote, o qual tomba ao chão, em meio a uma poderosa explosão.

 A criatura se ergue ainda mais enfurecida, correndo como búfalo para atingir o autômato com os chifres da cabeça. Gabriel segura os chifres com ambas as mãos, sendo arrastado milhas cidade adentro. A força do monstro é extraordinária, mas mediante ressonância taquiônica, o sistema do vimana analisa os pontos fracos da criatura. E com um golpe de energia concentrada, o robô quebra os longos chifres da besta.  

  Ele se lança ao chão e com as duas pernas joga a fera para longe, sobre o deserto. Ela se levanta e começa a atacá-lo com a calda, causando danos à máquina.

 – Essa criatura não desiste, parece que se torna mais forte quando fica mais enfurecida. – Diz Táquion ao simular movimentos de escape, fazendo o autômato desviar dos golpes de Beemote.

 E com as duas mãos Gabriel segura a calda da criatura, girando-a em sentido horário. Então a lança nas dunas, a fim de desferir o golpe final.

 – Concentrar energia. – Ele fecha o punho direito em posição de ataque.

 O autômato acumula uma enorme quantidade de energia no punho, e logo Táquion brada:

 – Punho celestial!

 E no bradar do guerreiro, o robô avança com o punho fechado na velocidade da luz rumo à criatura, atravessando as partículas do seu corpo num único golpe. Beemote cai ao chão aos gritos de agonia, com um brilho dourado em volta da sua armadura. Ele morre em uma grande explosão de fogo que levanta uma nuvem de poeira sobre a cidade. É o fim, Gabriel vence e de imediato retorna ao outro plano, onde os habitantes o agradecem aos gritos de alegria. E num salto que ultrapassa as nuvens, Gabriel regressa voando para Ágata.

 – Esse planeta precisa mesmo de nossa ajuda. – Diz para Tumin ao andar pela floresta.

 – E você precisa de novas roupas. – Tumin dispara um raio no corpo de Táquion, que está vestido com uma sunga.

 E com o raio, uma roupa casual é materializada e ele agora se encontra com tênis preto, calça e jaqueta jeans, camisa branca e um colar em forma de cruz no pescoço.

 – Eu gostava mais quando estava só de sunga. – Lamenta ao olhar para as roupas.

 – Estão perfeitas! Além do mais, nenhum habitante desse mundo fica andando por ai só de sunga. – Replica Tumin, levitando a esquerda do ombro. – Agora é minha vez.

 Tumin se materializa na forma de uma menina de onze anos, vestida com uniforme escolar. Os olhos são verdes como esmeralda, os cabelos são pretos e lisos, batendo até os ombros. E seu caráter é forte, de temperamento instável.

 – Com tantos adultos para se materializar, você escolheu ser uma criança.

 – Saiba que sou poderosa em qualquer forma. Não menospreze as crianças, pois a pureza está nelas. – Táquion fica vermelho de vergonha.

 – E quanto aquele velho. Quem pode ser? – Pergunta para Tumin, em ares de mistério.

 – Não fique preocupado, deixe que o tempo mostre na hora certa. – Responde Tumin, correndo na floresta.

 – Hein! Aonde você vai? – Pergunta Táquion, indo atrás.

 – Quem chegar por último na nave é mulher do Beemote. – Brinca ela, disparando na frente com grande velocidade.

 Ele e Tumin se divertem nesse plano em meio à selva, pois os sentimentos humanos são desconhecidos para ambos. Não tema, Táquion, lute contra as forças obscuras da maldade, avente guerreio!

 Conselhos de Táquion: A esperança regenera as forças da alma. Diante de situações trabalhosas e problemas que transtornam a mente; tenha esperança e acredite em si mesmo. Não desista, lute e vença seus problemas.

 

 

Próximo episódio: A fúria de Leviathan.

Publicado por Claudeir da Silva Martins em: Agenda | Tags: , , , ,
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Os sete enigmas da esfinge – 1º Enigma – Parte 3

esfinge

Os sete enigmas da esfinge

 

O primeiro enigma

 

Parte 3

 

            Momentos de aflição, de angustia e de reflexão assolavam tanto Lindorf quanto Mina diante daquela situação… No entanto, Lindorf cansou-se do jogo da Esfinge e exclamou como resposta a oferta:

            – Jamais morrerei nesta pirâmide! Consultarei os poderes mágicos das Runas e invocarei a sabedoria das Nornes.

            Então ele lançou mão de nove das vinte e quatros Runas que estavam guardadas em seu saquitel de couro. E as jogou como se fossem dados sobre o chão. Em seguida fechou seus olhos, e com toda a força invocou: (more…)

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