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conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Ratos e ninhos de amor

Seu AlceuE ele suava como um porco e fedia azedo. Carregava uma pasta e um lenço branco embabado naquele líquido fétido que escorria por todo seu rosto e ensopava aquela barba nojenta. As pessoas fingiam que não notavam. Mas não tinha como. A sala de reuniões ficava empesteada pela sua presença. “Não há muito o que dizer. Ele nos causou um prejuízo de cinco mil. Não temos espaço para incompetentes.” Ninguém contestava o que ele falava para poder estar longe dele o mais rápido possível. Faziam desenhos em folhas em branco para não precisar olhar sua cara. “Comuniquem ele até o fim do dia.” Tudo bem, todos farão o seu melhor para não precisar mais passar por isso. O único ato espontâneo de alguém em sua presença seria sair correndo. Enquanto ele dobra os papéis e coloca na pasta as pessoas já estão se levantando e olhando para a parede. “Eduardo!” Não! Eu não! Hoje não! Nunca não! Seu Alceu sinaliza para o executivo que tentava sair. O resto continua andando focado na parede com um misto de alivio e duvida. Afinal, era o chefe do RH e o ceifador implacável. “Hoje podemos tomar aquele drink que você esta me devendo. Por minha conta.” Não, por favor Deus, não! “Claro. Passo na sua sala no fim do dia.”

A submissão funciona como uma certa auto-censura que transforma o homem num rato condicionado. No resto do dia ele pensou em uma forma de se livrar daquilo. E Eduardo estava dentro do carro dirigindo pela 9 de Julho pensando em ser parado por um blitz e preso por qualquer crime para se livrar daquilo. E ele suava como um porco e fedia azedo. “Um homem merece ter seus prazeres depois de um dia de trabalho.” Você fede seu porco desgraçado! “Com certeza.” Como se fosse um remédio para dor de cabeça, o Seu Alceu tira do bolso uma cápsula com um pó branco e faz duas carreirinhas em cima do manual do carro que ele pegou no porta-luvas. Ele abaixa o nariz para cheirar e a outra carreirinha se dissolve no suor da sua testa. Ele passa a mão na testa, lambe, vira a capa do manual, seca com a manga da camisa em movimento giratórios e estica outra carreirinha. Eduardo cheira. “Vamos naquele hotel novo que abriu perto do aeroporto. O hotel das universitárias.” Puta que pariu! Velho babão de merda!

Os vidros fechados por causa do ar condicionado e o cheiro escatológico girando por todos os centímetros quadrados. O trânsito travado numa terça-feira interminável. O aeroporto parecia estar a anos luz dali. E ele suava como um porco e fedia azedo. “Vamos no velho casarão da Rua Augusta. Vamos demorar horas para chegar até o aeroporto.” “Não, não. Não quero mais ver a Xarlene.” Ela que não quer te ver. Ninguém quer te ver seu fudido de merda! E o impulso de fugir soca a mão na buzina e o pé no acelerador. Por favor! Alguém me mate! “Deixa o rádio na CBN pra eu saber como o mercado esta reagindo a troca de ministros. No fim não vai mudar nada.” Haaaaaaaaa! “Estou achando que o departamento comercial esta acomodado com as metas baixas. Acho que vou pressionar a Dona Marlene por mais contratos.” Foda-se! Foda-se! FO-DA-SE! “Melhor que dinheiro só mais dinheiro.” Chega logo lugar du caralho! “Aquela velha sabe como ganhar dinheiro. Ela até merecia uma boa foda. Quanto tempo será que faz que ela não dá uma trepada animal?” Cala a boca seu cretino bastardo! “Não sei se ela sabe o que é isso. Conheci o marido dela uma vez numa churrascaria. Tem cara de paspalho.” Eu vou te matar! Eu vou te matar! “Chegamos.”

Uma senhora cheia de penduricalhos e com cara colorida de pó de arroz recebe os dois na porta. “Boa noite senhores. Já sabem o que querem?” “Sim. Duas estudantes de engenharia de uma faculdade católica e uma garrafa de whiskey 12 anos.” A senhora faz um gesto e duas garotas, uma loira e outra morena, se aproximam. Seu Alceu junta a morena e senta de um lado da mesa alisando as pernas dela com as duas mãos, tentando agarrar tudo que pode. E ele suava como um porco e fedia azedo. Eduardo senta com a loira do outro lado. O garçom traz a garrafa e entrega uma comanda para cada um dos dois. “É o seguinte. Primeiro você vai comigo, depois com ele. A loira a mesma coisa.” Puta que pariu! Não vou tocar nela depois de você nem a pau! “Pega uma garrafa destas para você porque esta vou levar comigo.” Some da minha frente! Um vai para o quarto da direita e o outro para o quarto da esquerda.

Enquanto Seu Alceu fodia a morena de quatro Eduardo estava se explicando para a loira. “Não dá. Não consigo sabendo que aquele escroto esta fodendo no outro quarto.” Nhéc, nhéc, nhéc. Tum, tum, tum. “Meu Deus! Aquele animal deve estar esfregando aquele suor escroto nela. Como vocês se prestam a isso?” Cinco minutos depois que os barulhos pararam a morena entrou no quarto pelada e acabada carregando as roupas na mão. A loira fez cara de desespero e saiu. A morena entrou no banheiro e ligou o chuveiro. Os barulhos recomeçaram. Nhéc, nhéc, nhéc. Tum, tum, tum. Eduardo virou uma talagada da garrafa, passou sua comanda duas vezes no leitor digital e voltou para o bar. Seu Alceu apareceu carregando o paletó pelo dedo jogado nas costas e com a gravata enrolada no pescoço. E ele suava como um porco e fedia azedo. Os dois entraram no carro e foram embora. “Queria foder assim a Dona Marlene.” Quero muito te dar um soco na cara. Imbecil! Eduardo deixou Seu Alceu no estacionamento do prédio do escritório e foi para casa. Seu Alceu pegou seu carro e foi para a sua.

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A nobre arte de fazer dinheiro

Para Mariana sair do trabalho era como fugir de uma senzala ou escapar de uma prisão. Mais do que quebrar as correntes, era o mais perto da liberdade que alguém podia chegar. Esta sensação não durava muito tempo, porque em alguns minutos ela estava chegando na faculdade. E de novo aquela dívida com o mundo, que ela não lembrava de ter feito e nem queria pagar. No começo da madrugada, no metrô, o alívio do dever cumprido só era quebrado pelo peso de chegar em casa. Ela sentia como se alguma coisa estivesse a sufocando. Como se as paredes do quarto estivessem se fechando em cima dela, esmagando qualquer sinal de esperança. Quando a paz do sono parecia ser eterna, o despertador jogava aquele fardo de mais um dia nas costas dela. Aquela agonia incessante batia no fundo do estômago e acoava em sua alma. A vida não estava funcionando. Tudo não fazia sentido a muito tempo. Os trinta estavam batendo a porta. Não dava mais para esperar a sorte.

Trilhando um caminho sem volta aquele dia ela não foi para o trabalho, e nem iria para a faculdade. Usando um vestido longo, salto alto, blush, cílios postiços e tudo mais, Mariana entrou pela primeira vez no Casarão. Driblava as cadeiras empilhadas e cintilava pelo salão. Parecendo saber exatamente o que queria ela perguntou para um garoto que estava limpando o bar: “Quero falar com a Madame Valéria.” Ele apontou uma porta atrás do palco. O escritório era exuberante, brilhava veludo em rosa e azul. “Você não tem mais vinte e poucos mas ainda tem lenha para queimar”, disse a senhora com um blazer sentada atrás da mesa. Mariana parecia estar encolhendo. A confiança de Madame Valéria a intimidava. “Funciona assim: mil fica para casa e não me interessa o quanto além disso você vai ganhar. Você cobra por hora. Você ou alguém paga o que você beber e o quarto. Três noites sem clientes e você esta fora.” Mariana só balançava a cabeça como quem dizia “entendi”.

Depois da entrevista ela voltou para casa. Focada. Só aquele dia fora da rotina louca da vida já era um indicativo de que tinha escolhido o caminho certo. A ansiedade e uma avalanche de perspectivas estavam estampados no sorriso em seu rosto. Mariana escolheu um vestido simples. Não foi difícil para ela parecer com vinte e poucos anos. Colares, pulseira, anéis, mais maquiagem, e vamos ao trabalho. Ela chegou no Casarão ainda um pouco tímida. Encostou em um canto, pensando que fosse apenas esperar. “Madame Valéria comentou de você. Parece que você tem potencial. Aqui me conhecem por Paula. Prazer.”, disse a mulher se aproximando. “Prazer, sou Mariana.”, ela respondeu. “Nunca use seu nome verdadeiro. Fica mais fácil para algum psicopata te encontrar, ou te reconhecer. Escolha um nome, tipo Melissa. Sexy.” “Pode ser. Faz tempo que você trabalha aqui?” “Tempo o suficiente para saber que você só precisa fazer eles gozarem no menor tempo possível e receber o dinheiro.”

Adentrou o recinto um daqueles tipos porcos. Carregando uns 150kg em banha, parecendo estar desidratando, rindo feito uma hiena. Mariana estava sentada no balcão ouvindo as histórias da nova amiga fingindo não ver Madame Valéria apontando para ela com o grandão do lado. E tudo foi ficando subentendido. Os dois foram se aproximando e Mariana usou de todo seu charme para seduzir o velho babão. Ele pagou uma bebida e depois os dois subiram para o quarto. Sabendo exatamente o que queria e como chegar ela beijou aquele rosto suado, com um gosto amargo e cheirando a traça. Mariana só pensava no conselho de acabar com tudo antes de poder pensar no que estava acontecendo. Primeiro ela desceu e depois subiu em cima dele. Quando sentiu um leve espirro na perna fez cara de que estava gostando. Ela rolou para o lado. Deu um longo beijo nele e foi tomar banho. Tirou dele três mil e voltou para o salão com a pose de uma dama.

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Dupla dinâmica e uma noite de sexta

Um vírus e um parasita vinham caminhando madrugada adentro pela Domingos de Moraes. Não tinham mais de quinze mangos juntando os dois bolsos. Não estavam indo para lugar nenhum. Passaram por algo que parecia ser um pequeno prédio comercial e viram uma escada com uma luz vermelha fraca acesa lá em cima. Já haviam perdido tudo que tem para se perder. Aquele parecia ser o único lugar onde seriam aceitos. Subiram para conferir o ambiente.

O inferninho estava organizado no que seria a sala de recepção do dentista. Eram dois sofás grandes e gastos, um em cada parede. No fundo um projeto não concluído de bar com alguns espelhos quebrados. Não tinha ninguém lá além de meia duzia de prostitutas, dois cafetões e um brutamonte segurança. O brutamonte não tirava o olho deles desde que pisaram no primeiro degrau. Estava tocando a música do Ghost e duas garotas dançavam bem juntinhas. As outras riam alto com os cafetões num canto. Eles sentaram na outra ponta e acenderam dois cigarros.

Por uns dois minutos todo mundo se olhou e não fez nada. As risadas silenciaram, as garotas não estavam mais tão juntinhas assim e a música ruim parecia interminável. Duas se aproximaram deles. “Vamos beber alguma coisa meninos?” O vírus olhou para o parasita que respondeu num tom de superioridade. “Estamos bem assim”. Elas voltaram para o outro canto e agora todos olhavam para os dois isolados.

Então o vírus começou a falar um pouco alto e com muitos gestos. “Viu? É disso que eu estou falando! Você entra num puteiro e logo querem que você beba uma cerveja por dez pila! Eu vim aqui porque quero que uma vagabunda que pegue no meu saco!” “Fala baixo! O brutamontes ali da porta vai avançar em nós a qualquer momento.” Enquanto o vírus murmurava com medo o brutamontes alternava olhares para um dos cafetões e para os dois como um cão que esperava o grito do dono para atacar. A ordem não veio, e por uns trinta segundos a Celine Dion subiu o tom de tensão para vermelho com o silêncio e as constantes encaradas.

Na outra ponta da sala o cafetão chamou a maior das garotas e cochichou algo em seu ouvido. Ela veio olhando direto para o parasita, se apoio numa mesa e disparou: “O que vocês querem?” “Gozar. Pode ser do jeito que você achar melhor”, soltou o parasita. “Tudo bem. Chupo os dois por cinquenta de cada um.” Com a negociação iniciada ela se sentou ao lado do parasita, que não perdeu tempo e começou a e pegar nas coxas dela. “Temos dez, e você um belo par de pernas”. “Por isso eu bato uma punheta para cada um e vocês saem daqui sem sequelas.” Ela estava falando sério.

Para o vírus parecia o negócio perfeito: uma punheta e ir embora sem sequelas. Para o parasita havia mais espaço para barganha. “Todos aqui sabemos o que você quer. Diz pro seu chefe que vai dá para os dois por dez.” “Acho que vocês deviam dar o fora daqui.” “Hey, aqui do lado. Eu topo a sua proposta”. O medo do vírus já estava virando tremedeira. A garota se levantou se sentou no meio. Duas mãos, dois caras. Ela era boa naquilo. Em menos de dois minutos estava tudo resolvido. O parasita pagou a conta. Não tenho conhecimento se algum deles foi feliz para sempre.

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