O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Prompt de Escritor

Prompt de Escritor

Textos e idéias para sua criatividade.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Fórum

Fórum

Ta bom, isso não é bem um fórum. :P

Projeto Conto em Conjunto

Projeto Conto em Conjunto

Contos em Conjunto em desenvolvimento!

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

>> Confira outros textos de Evandro Furtado

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
>> Fale com ONE <<

0

Por de traz dos teclados

Decidi escrever Esse texto para  Mostra a Realidade da internet Uma Coisa Que Parece simples Mais na Verdade te abre para Um Mundo de Oportunidades MUITAS boas e ruins, TALVEZ ESSA que escolhi TEM Seu ônus e Seu bônus, vou Conta para  VOCÊS. Nomes de Pessoas e Cidades foram trocadas Pará garantir Minha Segurança.

 

 

 

Tudo começou numa terça feira era em 2012 SE NÃO me engano, Decidi CRIAR um fake para descobri algumas Coisas de Uma Certa pessoa, mas me empolguei Bastante as fotos fake eraPerfeita ninguem se Quer duvidava, ENTÃO criei hum Orkut adicionei algumas fotos e pronto Nome da Personagem Thabata, adicione varias PESSOAS da Minha Cidade e de OUTRAS Cidades, comecei a Conversa.

Primeira vitima – de Bruno 15 Anos moreno, Cidade **

Um garoto bonito Que se achava Muito na Escola, Maïs na Verdade Não Se passava de hum bobo infantil, e Que se achava o maioral. Na falso logotipo foi se corroendo e se apaixonando POR Thabata, mando fotos intimas ” como fotos De Bruno nao tenho Mais ”, fotos da Família, é tudo, inventava mentiras varias falava that tinha Coisas Mais na Verdade NÃO tinha nada.

Logo fui percebendo that na internet como PESSOAS menti Bastante e Que finge Ser algo that na Verdade NÃO E nada.

Teve Muita Gente que conversei that Maravilhosas era, Pessoas Que Eu Realmente me apaixonei, Que Realmente desenvolvi Algum tipo de Sentimento, Que Realmente São verdadeiras que me contaram Coisas Fantásticas, me falava Sobre Família, Sobre Seu dia dia, Coisas que me fascinava. Entao fui me empolgando e adicionando Mais PESSOAS, Chegou Um certo momento that A MAIS falso era popular, that uma Verdadeira, tipo A Dona das fotos da falsa tinha media em 100 a 200 curtidas em SUAS fotos, um tinha de Falso 500 1000 curtidas, Cada vez Mais PESSOAS were acrescentar, papo puxando, historias Criando, pessoas legais de PESSOAS mentirosas, Confesso Que recebi varias fotos intimas, em algumas Conversa cheguei a Chorar de Emoção hum Exemplo Victor mora em Fortaleza com Seu pai, Irmão e madrasta, Mae SUA é Sua Irmã Morreu em hum Acidente QUANDO ELE tinha 8 anos Hoje ELE TEM 19 ….

Varias PESSOAS de Todas Cidades, Estados e comeu Países Diferentes Já conversei, Maïs na Verdade mal mal sai do

meu estado kkkk, ENTÃO quem sabe Um Dia volte eu e conte Mais Sobre Esse universo kkk

Publicado por mil1noite em: Agenda | Tags: , , , , , ,
4

A casa dos espelhos – Parte 3.3 (Final)

Carta do Tarô de Toth, de Aleister Crowley: XVI - A Torre

Carta do Tarô de Toth, de Aleister Crowley: XVI – A Torre

Autor: Sombra Posthuman

 

Joguei a pá no chão e olhei: um cheiro de carne podre invadiu nossas narinas e era impossível ignorá-lo. Debaixo da neblina, no fundo daquela cova, estava um corpo decomposto de uma mulher de cabelos loiros, com a frente do crânio esfacelada. Eu. Ajoelhei toda suja de terra diante da cova aberta, enquanto algumas gotas de lágrima molhavam o solo, caídas de meus olhos arregalados, involuntariamente. Eu estava chorando diante da minha própria sepultura, dez anos depois da minha morte. Ninguém nem mesmo me informou.

Minha mãe se aproximou de mim e me abraçou com os olhos cheios d’água, e cochichou no meu ouvido:

– Minha filha, eu vou te explicar tudo o que aconteceu, mas não posso falar aqui. Te encontro no balanço, daqui a meia hora.

– Balanço?

Mas ela não me respondeu, virou-se e foi embora.

– Espera! Aonde você vai?

Corri atrás dela, mas ela desapareceu dentro da neblina.

Xaninha e Diego estavam ao lado de Solfieri, que estava desmaiado, e Vanessa estava do meu lado. Eu olhei para baixo e senti uma vertigem, como se uma força me puxasse para dentro da cova. Ao fitar o cadáver, eu me desequilibrei e caí pra frente. Vanessa gritou:

– Alice!

Horrorizada, eu estava caída sobre o meu próprio cadáver, com meu rosto encostado no dele. Ao tentar me levantar, olhei para aquele rosto podre e palavras surgiram na minha mente: “Desejo que você morra logo!” Fiquei de pé e olhei para Vanessa, que estava espantada me olhando.

– Você está bem?

– Essa não sou eu! Eu estou viva!

Escalei a cova de volta à superfície.

– Como você pode ter tanta certeza?

– Não sei, mas eu sei que aquela não sou eu.

De repente, uma sirene começou a soar muito alto, como aquela que ouvira antes. Xaninha ficou assustada. Por alguma razão, eu tinha a sensação de que minha mãe tinha alguma coisa a ver com aquilo. Vanessa pegou minha mão e me puxou.

– Vamos correr.

Todos começaram a correr em direção à saída. Quando atravessamos o portão do cemitério, vi uma cena muito bizarra: três esquilos gigantes e gordos, de olhos vermelhos, andando na rua, arrastando correntes. Eu fiquei olhando espantada, enquanto Vanessa me puxou na direção oposta.

– O que são aquelas coisas?

– São os Grilhões. Quando eles pegam uma pessoa, ela nunca mais aparece.

Fomos todos correndo para nossa casa e encontramos mais daqueles esquilos, que lançaram suas correntes sobre nós. Uma delas atingiu minha perna esquerda e eu tive que continuar mancando. Quando chegamos a nossa rua, um grilhão acertou Xaninha em cheio e a corrente enroscou em sua cintura. Diego tentou soltá-la, mas o grilhão a puxou com força para si.

Xaninha gritava desesperada enquanto era arrastada. Eu tentei ir atrás dela, mas Vanessa não deixou.

– Não, é tarde demais, temos que correr.

– Não! Xaninha!

Nós corremos, e Diego ficou para trás. Entramos na casa, e Vanessa fechou a porta, ao que eu indaguei:

– Do que isso vai adiantar? A porta não tranca!

– Mas eles não sabem abrir portas, aqui dentro estamos seguras.

Alguns instantes depois, começamos a ouvir um ruído bem forte vindo da porta.

– O que é isso? – Perguntei.

– Eles estão roendo a porta!

Então a janela abriu abruptamente e eu dei um pulo para trás, apavorada. Mas era apenas Diego, que entrou e fechou a janela.

– Você está bem? – Perguntou Vanessa.

– Estou, mas a madeira não vai segurá-los por muito tempo.

Eu corri para os fundos para a porta cheia de correntes. Procurei por algo que pudesse ajudar a quebrar as correntes e, surpreendentemente, vi, no lugar onde costumava ficar a vassoura, um grande machado. Peguei o machado e olhei para Vanessa e Diego, mas eles pareciam tão surpresos quanto eu. Golpeei a porta com o machado repetidas vezes até livrá-la das correntes. Larguei o machado no chão e abri a porta.

Cheguei a um quintal com balanços e três cruzes no chão. Sentada em um dos balanços estava minha mãe. Corri em direção a ela. Ela levantou a cabeça e sua boca estava toda costurada, de modo que não podia ser aberta.

– Por todos os prazeres! O que fizeram com ela! – disse Vanessa.

– Mãe, quem fez isso com você?- perguntei chorando.

Ela apontou para um arbusto, onde se escondia o homem com máscara de gato do cemitério.

– Quem é você?

Ele lentamente tirou a máscara e eu não pude acreditar no que via.

– Oneiros!

– Victor! – Espantou-se Vanessa

– Senhora Waltz, já viu sua filha, agora é hora de ir.

– Você não vai levar minha mãe!

– Você não é meu irmão, quem é você, afinal?

– É, quem é você?

– Pergunta errada, criança! A pergunta é: quem é você?

Eu estava cansada de tudo aquilo, então de repente, parecia que eu era um fantoche em algum jogo doentio.

– Está bem, quem sou eu?

– Se quer mesmo saber, a resposta está bem ali. – Disse ele apontando para o local onde estavam as cruzes.

– Agora é hora de levar a Sra Waltz.

Nesse momento, a terra embaixo de minha mãe se tornou areia movediça e ela começou a afundar, emitindo sons de gemidos, sem poder gritar. Eu corri e estiquei a mão e gritei para que ela a segurasse, mas ela afundou rápido demais, e eu não pude fazer nada.

– Desgraçado!

Queria atacar Oneiros, mas ele estava atrás da areia movediça e não havia espaço no quintal para contorná-la.

– Nos vemos em breve, Alice.

Em seguida, desapareceu dentro do próprio manto.

Começamos a ouvir o som de um esquilo roendo a porta do quintal. Diego empunhou o machado que havia pegado depois que passei pela porta. Fui até as cruzes e li os nomes que estavam nelas escritos. Percebi que elas estavam dispostas na forma de um triângulo. Havia algo naquela forma geométrica que me deixava muito nervosa, como naquela vez que vi o símbolo de reciclagem no quarto e desmaiei. Nas cruzes de trás estavam escritos os nomes Victor e Helena, respectivamente, e na cruz da frente, estava escrito: Alice. Mas havia algo diferente neste túmulo, o monte de terra remexido era pequeno demais, parecia o túmulo de uma criança. Vanessa observava o túmulo do irmão, enquanto Diego tomava conta da porta. Eis que o esquilo conseguiu derrubá-la e foi recebido com uma machadada no meio da cabeça. O esquilo caiu no chão todo ensanguentado e se debatendo, e Diego disse:

– Eles parecem determinados a nos pegar! Logo devem vir mais!

Nesse momento, eu comecei a pensar em tudo o que Vanessa havia me dito. O que acontecera dez anos atrás? O que havia me feito decidir me tornar uma freira? As três semanas que havia passado naquele lugar haviam enfraquecido minhas convicções e, então, eu me dei conta de que não tinha mais nenhuma certeza, nenhuma convicção, nenhuma fé. E o que mais me preocupava era: algum dia eu já tivera realmente alguma dessas coisas?

Como que por um instinto, arranquei a cruz do chão e uma passagem subterrânea se abriu. Vanessa fez o mesmo com o túmulo de Vitor e, em seguida, Diego com o de Helena.

– Então, cada um segue um caminho. – disse ele.

Os dois desceram por suas respectivas passagens subterrâneas facilmente, mas eu tive mais dificuldade por a minha ser menor. Acabei me cortando em uma pedra, meu braço começou a sangrar e o sangue se misturava com a terra fofa e úmida de chuva recente. Depois do início difícil, o resto da decida foi fácil até demais! Fui escorregando muito rápido por um caminho muito longo, meu grito ecoava pelas profundezas da catacumba e eu não parava de cair. O túnel era absurdamente fundo, parecia que eu ia sair do outro lado da Terra e encontrar os antípodas, e eu me desesperava imaginando como seria minha aterrissagem. Felizmente eu afundei em algum rio subterrâneo ou algo do tipo. Nadando até a superfície, percebi que o líquido era viscoso demais para ser água. O que poderia ser aquilo? Era tão nojento que preferi nem imaginar!

Assim que emergi, um cheiro insuportável de podre invadiu minhas narinas. Estava muito escuro e eu não podia ver nada. Fui nadando bem devagar até chegar a uma parte mais rasa. Continuei andando devagar, com as roupas pesadas por causa do líquido viscoso, tateando a parede, parecia que estava em uma caverna subterrânea. Eis que, então, vi uma luz se aproximando. Esperei em silêncio para ver o que era. Ouvi passos ecoando, uma sombra de forma humana se aproximava por um túnel. Era Dália. Ela carregava a bíblia que eu havia lhe dado. O grande livro aberto em suas pequenas mãos iluminava o caminho.

– Alice! Eu fiz o que você pediu. O livro clareou o caminho.

Ela se aproximou e eu fui em sua direção.

– Muito bem, Dália! Muito obrigada pela ajuda!

Eu lhe dei um abraço e peguei a bíblia. Usei sua luz para iluminar a caverna. Havia alguma coisa muito estranha e muito grande no canto da caverna. Concentrei a luz naquele canto muito apreensiva. Quando percebi o que era, fiquei tão aterrorizada que deixei a bíblia cair e afundar no líquido pegajoso. Dália pegou o livro e o apontou novamente para aquela coisa. Eu relutei por um tempo em olhar de novo, mas finalmente o fiz. O que estava no canto da caverna era um feto gigante morto, em estado de putrefação. Mas o que, em nome de Deus, era aquilo?

– Olha, Alice! Tem alguma coisa ali!

Eu fui obrigada a olhar de novo. Havia algo brilhando na mão do bebê.

– Não, não! Eu não vou lá pegar! Tem alguém brincando comigo, não é?

Comecei a gritar:

– Oneiros! Seu maldito! Eu sei que está me ouvindo! Apareça! Já estou cheia dessa brincadeira de mau gosto!

A minha voz ecoou pelas paredes da caverna, mas nenhuma resposta…

– Não tem jeito, não é?

Meus olhos se encheram d’água.

Era um jogo, eu teria que ir lá e pegar aquela coisa, fosse o que fosse. Fui nadando em direção ao feto e o cheiro de carne podre foi ficando cada vez mais forte. Fui me aproximando, evitando ao máximo olhar para ele.

Cheguei ao feto e tive que subir em seu corpo. Algumas larvas e insetos comiam a sua carne, tive vontade de vomitar, nem sei de onde tirei forças para fazer aquilo! Consegui alcançar o que estava na mão do bebê, era o cigarro que Tirésias havia me dado. Peguei-o e pulei no líquido abaixo, e fui correndo na direção de Dália.

– Tirésias disse que isto aqui iria responder às minhas perguntas.

Eu não sabia onde estava, mas aquele lugar estava muito longe da realidade que eu conhecia, então me lembrei de que Oneiros havia dito que bastava eu acreditar e as coisas poderiam ser como eu quisesse. Fechei a mão e tentei pensar em alguma coisa. Pensei em mentalizar uma hóstia, mas achei que seria muita hipocrisia. Não sei no que eu pensei, mas sei que quando abri a mão, lá estava uma pistola. Por que uma pistola?!

– Dália, vamos sair por onde você veio.

E fomos. Caminhamos por um túnel escuro e úmido até que encontramos o carro em que eu estava quando vim parar aqui. Ele havia afundado pela rua e veio parar no subsolo, mas desta vez, não havia ninguém dentro. Continuamos pelo túnel até que saímos em um lugar iluminado por uma grande fogueira. Senti mais uma vez o cheiro de jasmim. Lá estavam Diego e Helena e, de um outro túnel, vi chegando Vanessa e Oneiros.

– Oneiros, chega de jogos, diga o que está acontecendo.

Ele estava usando aquele manto, mas desta vez, sem a máscara.

– Dália, muito obrigado por ter trazido a mulher.

Para minha surpresa, Dália se transformou naquela coruja que me observava assim que eu cheguei naquele mundo. A bíblia caiu no chão enquanto a coruja voou para o ombro de Oneiros. Ele olhou para a pistola na minha mão e disse:

– Então vc preferiu algo que mata os outros em vez de matar a si mesma. Típico seu.

Eu o encarei com raiva e confusa.

– Muito bem. Isto termina aqui. Mas saiba que quanto mais próximo você chega da verdade, pior as coisas ficarão pra você, porque o que você chama de realidade não é nada confortável.

– Não importa! Diga logo, eu quero saber a verdade! O que aconteceu quando o carro onde eu estava bateu?

– Muito bem. Você entrou em coma, Alice, neste momento seu corpo está em um hospital. Todo este mundo foi criado pelo seu subconsciente. Por exemplo, este rapaz que você chama de Diego estava no carro que se chocou com o seu. Infelizmente ele morreu.

Olhei para Diego e sua expressão era de choque profundo. Sem explicação, seu crânio afundou como se tivesse sido atingido por um objeto em alta velocidade, a vida lhe esvaiu pelos olhos enquanto seu corpo tombava no chão. Eu assisti àquilo horrorizada enquanto Oneiros continuava…

– Viu só como a realidade é triste? Eu assumi a forma de Victor, uma pessoa que teve um papel importante na sua vida, mas, na realidade, eu sou Hypnos, o Senhor dos Sonhos. Era isso o que sua mãe queria lhe contar, mas ela voltou para o seu lugar, o mundo que fica bem ali, depois daquela grade.

Ele apontou para outro túnel fechado por barras de ferro. Atrás das barras estava quieta observando aquela criatura bizarra que lembrava um espantalho. Ele segurava pelos cabelos Xaninha, que tinha o corpo nu e ensanguentado.

– Ah! Xaninha! O que você fez, seu monstro?

– Como eu ia dizendo, é o mundo dos mortos, do meu irmão Thanatos. Esta caverna é o limite entre os dois mundos.

A grande fogueira diminui consideravelmente enquanto ele falava e eu comecei a sentir frio.

– Xaninha é apenas uma personagem sem importância que você criou. Mas Diego não era o único morto por aqui, não é? Se você quer saber mais sobre seu passado, a resposta está bem aí na sua mão. E então, você pode terminar o que começou dez anos atrás.

– O que quer dizer com isso?

– Helena!

Quando Oneiros, ou Hypnos, chamou Helena, ela começou a se retorcer e a ficar peluda, até que se transformou em um esquilo gigante daqueles que nos perseguiam. Ela me olhou com aqueles olhos vermelhos, mostrou aquelas presas enormes e veio correndo em minha direção.

– Não!

Eu virei pro lado e atirei.

O balanço da praça balançava com o vento forte.

Meu quarto, Victor estava comigo. Eu estava feliz. Peguei meu esquilo de pelúcia.

– Eu te amo, Alice. Nós vamos ficar juntos pra sempre.

Ele me beijou e deitou na cama comigo, desabotoou minha blusa e acariciou meus seios. Eu estava no céu. Imaginava um meteoro caindo sobre nós, eternizando aquele momento, nos enterrando juntos, para sempre.

De volta à praça, o vento ficava ainda mais forte. Eu estava em pé esperando por alguém, angustiada e com frio. Olhei uma foto de Victor, aquela do porta-retrato. Victor se aproximava com um casaco preto e uma expressão séria. Alguns pingos de chuva começavam a molhar a terra.

– Victor, o que aconteceu? Eu precisava te contar uma coisa importante, mas você me assustou com aquela conversa.

– Olha, Alice, tudo aconteceu muito rápido… acontece que tem outra pessoa.

Eu engoli uma saliva que desceu como uma bola de tênis.

– A gente já ta junto há algum tempo, ela só tem a mim, mais ninguém.

Meus olhos se encheram d’água, eu estava completamente desorientada.

Eu estava andando em uma ladeira de paralelepípedos ao lado de uma garota com o rosto de Xaninha. Estávamos com o uniforme da escola.

– Alice, é melhor a gente ir embora, é perigoso.

– Eu não vou embora até ver com meus próprios olhos.

– Olha! Eles estão ali. Pronto!

Victor passou abraçado com uma mulher, era Helena, e ela estava feliz.

– Aquela loira é a Helena, a namorada dele, ela é completamente pirada!

Victor se aproximou de um cara com a aparência desleixada e hostil, era igual a Tirésias, e conversou com ele.

– É melhor você se afastar desse cara, ele é um viciado e ouvi dizer que tá todo endividado. Sai dessa, Alice! É o melhor que você faz!

De volta à praça, eu estava de cabeça baixa.

– É melhor você me esquecer, Alice. Pro seu bem.

Virei meu rosto para o lado indignada, com as lágrimas rolando pela face, e vi uma coruja em cima de uma árvore, que parecia estar observando tudo. A chuva começava a apertar.

Eu estava na porta de uma escola e Helena vinha na minha direção.

– Você é a Alice, não é?

Fiquei em silêncio.

– Bonitinha. É por isso que o Victor gosta tanto de você. Mas não seja burra, garota! Não estraga sua vida! Você ainda tem uma! A nossa… já acabou.

Eu batia em uma porta.

– Victor!

Victor atendeu todo machucado.

– O que aconteceu? O que fizeram com você?

– Não é nada, não é nada! Eu não disse pra você ficar longe, Alice?

– Meu deus, o que fizeram com a sua orelha!

A orelha dele tinha sido cortada.

– Sai daqui, Alice, isso aqui não é lugar pra você!

– O meu lugar é do seu lado! Eu vou ficar aqui!

Eu o agarrei e beijei.

– Alice, me ouve. Eu gosto muito de você. É por isso que eu quero que você vá embora. Você não quer ficar com um cara que tá marcado pra morrer.

– Se você morrer, eu morro junto com você!

Ele ficou em silêncio, e depois e olhoucom um olhar assustador.

– Faria isso mesmo?

Determinada, eu respondi:

– Sim.

– Você me ama tanto assim, a ponto de querer morrer junto comigo?

– Eu não posso viver sem você!

Era naquilo que eu acreditava, não podia aceitar apenas voltar pra casa e fingir que nada daquilo havia acontecido. Eu estava tão perdida, Victor era a minha razão de viver.

– Está bem. Me encontra amanhã, à meia-noite, no beco da Rua 3.

Eu caminhava pelas ruas escuras da favela usando um uniforme de colégio enquanto ouvia uma música de umbanda para Obaluaiê. Cheguei ao beco e encontrei Victor e Helena.

– E então, Alice, está pronta? – pergunta Victor.

– Tô.

Eu encarei Helena. Victor continuou:

– É aqui que tudo acaba. Depois de hoje, não vai existir mais sofrimento. Nós vamos fugir deste mundo que só nos trouxe dor.

Ele me entregou uma pistola.

– Fim da linha.

Ele me olhou nos olhos e viu o medo, a insegurança, confusão. Victor pegou sua arma e Helena fez o mesmo.

– Agora não tem mais volta. E pra ter certeza de que nós três vamos morrer, cada um vai colocar a arma na cabeça do outro.

Victor apontou a arma para a minha cabeça. Helena protestou:

– Não! Por que você atira nela? Não quero que ela atire em mim! E se ela amarelar? Vou ficar só eu viva? Você atira em mim!

– E se você resolver não atirar nela? Você nunca quis que nós fôssemos um triângulo! Além disso, acho muito mais provável que ela atire em você do que em mim!

Helena pareceu concordar com Victor.

– É, isso é verdade.

Apontou a arma para a cabeça de Victor e virou para mim:

– Se você não atirar, eu mato toda a sua família!

– Eu já me decidi. – disse e apontei a arma para Helena. – Não vou voltar atrás.

– Então ta certo! Eu vou contar até três e todos atiram no 4. Entenderam?

– Entendi.

– Entendi.

– Preparem-se para desaparecer, eu não acredito em deus. Nem nos homens… Lá vai… 1, 2, 3…

Os cães latiram

Sangue escorreu pelas paredes do beco.

Eu abri os olhos e ainda estava viva. Finalmente me lembrei de tudo. Os corpos de Victor e Helena estavam irreconhecíveis no chão.

– Não! Por quê? Por quê?

Por que você não atirou, Victor? Por quê?

Sangue escorria pelas minhas pernas.

Três vidas se foram naquela noite. Helena, Victor e o filho que eu estava esperando dele. Ele havia me dado o melhor presente. Victor optou por uma viagem só com Helena, sem mim, mas levou o nosso filho também. E eu fiquei pra trás. Pedaços estilhaçados de mim. Ainda havia balas na pistola? Eu não testei. Não sei ao certo por quê, mas não tentei me matar. Seria como se eu fosse pra um lugar diferente. Victor me deixou fora do ritual. Eles viajaram juntos e me deixaram pra trás. Matar-me naquele momento seria ficar só para sempre num mundo só meu, sem ninguém. Mas continuar a viver também não era uma opção. Minha vida acabara ali. O que eu ia fazer? Então, não sei o que deu em mim, de repente me veio uma força, uma coragem. Boa parte do rosto de Helena estava destruída. Eu tirei as roupas dela, troquei pelas minhas. “Ela só tem a mim, mais ninguém.” Ninguém ia dar por falta dela. Podia dar certo…

A farsa estava pronta. Dei um final bonito para minha vida. Do jeito que deveria ser. Então saí sem rumo por aí, fiquei na rua, mas a morte não me quis. Lembrei-me de um dia encontrar Vanessa, a irmã de Victor. Ela me reconheceu. Deu pra ver em seus olhos arregalados. Eu fugi. Eu fugi ainda mais. Resolvi ir pra bem longe, onde nunca mais encontraria uma face conhecida.

Depois de me lembrar de tudo, percebi que estava sentada sozinha na caverna. A chama estava agora muito fraca e estava tudo escuro. A luz da fogueira iluminava apenas a grade onde eu ainda podia ver aquela figura medonha em pé, em silêncio, como que me esperando. Tremi de frio, como nunca antes. Eu havia me transformado naquele roedor, roendo minhas roupas, elas estava completamente rasgadas. O frio agredia o meu corpo exposto como um carrasco. Ouvi uma voz.

-Alice, você pode me ouvir?

– Alice, volta. Saia de onde você estiver. Você tem que voltar. Você tem que querer viver. Não desista.

“Lutar agora?” – pensei. Eu não tinha forças. O frio me mantinha imóvel. Tudo o que eu queria naquele momento era que tudo acabasse. Eu olhei pra grade e esperei que ela se abrisse.

– Alice, se você estiver me ouvindo, dê um sinal.

– Eu vou te abraçar pra que você possa me sentir.

Então eu senti. Vanessa também estava lá, tão nua quanto eu, mas não sentia frio. Então me lembrei, ela estava ali o tempo todo. Seu corpo aqueceu o meu, enquanto me abraçava. Sua pele brilhava como se estivesse incandescente. Ela estava quente.

– Alice, você entende agora? Esta caverna é o mundo real. Aqui dentro você é você mesma, completamente livre da ilusão do mundo material. Aqui não há tempo, não há espaço, o seu subconsciente é totalmente livre e não pode ser influenciado, controlado, censurado. Tudo neste mundo emergiu de alguma forma da sua mente. Aqui não há máscaras, você está diante de todos os seus medos e desejos mais obscuros, sufocados pelo mundo material. Completamente nua. Há coisas grandes e pequenas, belas e horrendas, claras e turvas, mas todas elas são o seu reflexo. A sociedade nos obriga a trancar a nossa essência, nossos instintos. Isolada e sufocada, ela cresce deformada e, quando olhamos pra ela através dos olhos da sociedade, o que vemos é um monstro. Mas a verdade é que você é um ser humano, completamente frágil e desprotegido.

Eu olhei para o meu corpo e percebi que voltara a ser humana.

– Assim são todos os seres humanos em seu interior, frágeis e assustados, completamente sós. E lindos. É o medo que faz com que finjamos ser outra pessoa. Interpretamos monstros, super-heróis, guerreiros, bichinhos felizes, marionetes… Tudo falso. Somente os loucos conseguem ter um vislumbre da realidade.

Eu a abracei de corpo inteiro e o frio se foi. A chama no interior da caverna aumentou novamente e eu senti como se estivesse em casa. Eu já não sabia onde terminava o meu corpo e começava o dela, nós nos tornamos uma massa octópode de carne. A caverna começou a tremer. Pedras caíam do teto. Nós permanecemos abraçadas enquanto a caverna desmoronava sobre nós. Era o fim do mundo, era muito mais do que o meteoro que eu sonhara com Victor. Pelas frestas que se formaram no teto não havia terra, não havia céu, não havia nada. O espantalho desapareceu nas sombras.

Abri os olhos e vi uma luz muito forte que me cegou. Olhos que por muito tempo permaneceram fechados. Eu estava deitada em um leito de hospital. E alguém me abraçava. Eu retribuí.

– Alice, você acordou! Eu sabia que você estava viva! Eu disse, mas ninguém acreditou!

Eu toquei os lábios de Vanessa com meu indicador.

– Shhhh!

E beijei seus lábios, sentindo cada célula de sua boca. Toquei sua pele e descobri o tato, como se tivesse acabado de sair do útero. Senti seu cheiro de jasmim e percebi que ela esteve comigo o tempo todo, não desgrudou de mim por um momento.

Eu recebi alta, Vanessa me levou com ela. Nós fomos buscar sua filha na escola. Ela teve um filha, que agora tem três anos. Eu vejo a criança e a reconheço, é Dália, apesar de algumas diferenças físicas. A menina tem o rosto completamente deformado. Certamente má formação do feto. Um rosto que a sociedade certamente enxerga como monstruoso, mas eu vejo além dele, vejo o sorriso lindo em seu rosto. Seus olhos brilham e emanam uma áurea de ternura. É a menina linda e esperta que eu conheci no meu subconsciente. Talvez Vanessa tenha me falado dela, por isso eu a via através dos olhos de uma mãe.

– Dália, esta aqui é a tia Alice.

– Oi, Dália, sua mãe falou muito de você!

Eu a abraço e dou um beijo em seu rosto.

– Ela é linda, Vanessa!

– Eu sei, eu queria muito ter uma menina, então nasceu a Dália.

Ela diz que conseguiu me trocar de médico porque não gostava do anterior, o Dr. Solfieri. Vanessa empurra minha cadeira de rodas e vamos as três em direção ao parque. O que vai ser agora, eu não sei, mas o importante é que nós temos umas às outras.

 

Don’t know why I feel this way
Have I dreamt this time, this place?
Something vivid comes again into my mind
And I think I’ve seen your face
Seen this room, been in this place
Something vivid comes again into my mind

(IRON MAIDEN – DREAM OF MIRRORS)

Publicado por Sombra Posthuman em: Agenda | Tags: , , , , , , , , , ,
5

Escritora aos 13 anos.

O estímulo à literatura por uma professora na segunda série foi fundamental para alavancar a promissora carreira de escritora de Isadora César Pacello. Hoje com 13 anos, ela já tem duas produções na bagagem. A primeira, um romance escrito em 2009, por enquanto ficará engavetada, mas a ficção “A Dimensão – a Descoberta do Universo Gêmeo” é o livro que a adolescente prodígio – dona de falas bem articuladas, desenvoltura e ciente o bastante do trabalhão que é o ofício de escrever – lança nesta sexta-feira, às 20h30, na Livraria Nobel do Shopping Piracicaba.

A obra, com apelo ao público infanto-juvenil, é centrada na protagonista Helena, uma garota de 13 anos raptada durante uma viagem e levada a uma dimensão paralela. Lá, ela descobre ser a única pessoa capaz de resolver problemas, cujas consequências seriam penosas para ambos os mundos. “Tem a ver com o equilíbrio do universo e é uma informação dada ao leitor logo no prólogo”, revela a autora.

Isadora criou um universo fantástico. Todos os elementos da literatura, nomes, estações do ano, lugares por onde andam os personagens e as tramas, são frutos da imaginação da autora. “A inspiração surge das músicas que escuto, das minhas viagens e do que leio”, conta. Ela ainda cria a partir de estudos da etimologia da palavra. “Mas sempre com fundamento, nada sem sentido”, aponta.

A produção aconteceu entre dezembro de 2009 a agosto de 2010. O ponto de partida, ressalta, foi a aprovação dos pais para ela, ainda com 11 anos, se debruçar com afinco no ofício da escrita. “Eles me perguntaram se gostaria de publicar a história, porque eu já tinha um romance de 200 páginas e não deveria deixar passar a oportunidade.” Isadora acatou tanto a iniciativa dos pais que até já está no estágio final da segunda parte de “A Dimensão”. “A história será contada em cinco grandes capítulos, cinco livros.”

A facilidade em criar e amarrar as tramas define o estilo de Isadora, típicos de uma menina de 13 anos, com pouco ou nenhum repertório para abordar relacionamentos amorosos ou relatar situações em ambientes de trabalho. “Como a história se passa mais na outra dimensão, fiquei à vontade para viajar bastante”, ela observa. O compromisso precoce com as letras, no entanto, não significa amadurecimento além da idade. “Ainda nem sei qual área seguir.”

O primeiro capítulo de “A Dimensão” está no site da autora – www.adimensao.com.br – para leitura gratuita. “Também estou no facebook, /adimensao, e no twitter, @isadorapacello, para conversar com as pessoas quanto às impressões sobre o livro.”

Fonte: Livros e Pessoas

Um ótimo exemplo para todos que escrevem, pois esta é a prova de que não há idade para realizar um sonho. Não vou entrar no mérito do conteúdo da obra, mas no valor do exemplo dado pela autora e pelos pais que a apoiaram.

9

Revelações – Parte 5 a 8

Escritor: João Paulo da Rocha

revelacoes

QUINTA PARTE

Dera sorte. A porta está aberta. Ele precisa sair daqui. Há mais ou menos umas duas horas que não ouve mais nenhum barulho. Todos saíram. Ele sabe que tem pouco tempo. Não sabe onde está, nem que horas são. Ficara muito tempo sem dormir.

(more…)

Publicado por ONEbot em: Contos,Revelações | Tags: , ,
10

Revelações – Parte 1 a 4

Escritor: João Paulo da Rocha

revelacoes

PRIMEIRA PARTE

A multidão se aglomera. Repórteres folhetinescos com suas câmeras apontadas pra o alto. Os bombeiros estão a posto. Um helicóptero sobrevoa o prédio. Uma equipe de resgate já está tentando chegar ao terraço. Na extremidade, lá, no ultimo dos cinqüenta andares, está ele. Vinte e cinco anos, jovem, corpo bem trabalhado pelas horas gastas na academia. Cabelos pretos, pelos ombros, agitados ao vento, que sopra incessantemente. Os olhos negros cansados e sem esperança.

(more…)

Publicado por ONEbot em: Contos,Revelações | Tags: , ,

Powered by WordPress. © 2009-2014 J. G. Valério