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conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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A Ultima Chance

Na ultima semana de aula, do ultimo ano. O fim da jornada escolar. Ele, o ultimo a ser chamado,  a ser ouvido, a ser lembrado. Nesta ultima semana, estes últimos sete dias eram sua ultima chance. Pois, ele sabia, tinha certeza, que nunca mais encontraria ela após se separarem. Ela, bem, ela não o conhecia. Não o bastante. Estudavam na mesma sala há dois anos, e outros três anos antes no fundamental. Mas ela não o conhecia. E como conheceria? Ele era o ultimo, tinha sempre a ultima voz. E poucos ouvem o que é distante.
Segunda-feira.
Um dia chuvoso de verão. Sentava-se na ultima mesa da ultima fileira, em relação a porta. Ela, na segunda mesa, da primeira fileira. Não era tão ruim, pensou. Tinha apenas que atravessar uma, no máximo duas dezenas de alunos para falar com ela. Sentava-se no ultimo lugar; sair dali e andar toda aquela distância seria como atravessar uma ponte de estacas. Os olhares, aqueles olhares de desprezo que sentia vindo em sua direção; seriam uma ou duas dezenas de olhares. Não era tão fácil assim, afinal. Não o fez.
Terça-feira.
Os olhares…
Quarta-feira.
O olhar, um olhar que o surpreendeu. Foi rápido, não percebeu quando ela se aproximou. Quando se virou, ao levantar a cabeça da mesa, ela estava ali, bem ali. Sentada o encarando. Com um sorriso simpático, que dela era típico, disse o simples:
– Oi.
Não houve resposta, não imediata. Ele ainda limpava a saliva nas bochechas.
– Oi? – resmungou.
– Pode me ajudar? Tenho umas duvidas em gramatica.
Ele não era o ultimo em tudo.
– Como? Ajudar…
– Sim! Eu lembro, lembro-me desde a oitava série. Você tira notas altas não é? Me ajude a terminar um trabalho, me restam umas duvidas.
O sinal tocou; a aula havia acabado.
– Tudo bem eu…
– Me ajuda amanhã então tá? – sorriu.
Saiu rapidamente seguindo uma amiga que, a chamava na porta.
Alegria? Não, ele era pessimista demais pra isso.
Quinta-feira.
Ele a ajudou. Uma simples discussão de gramatica, antes das aulas começarem. Ela ainda estava sentada na mesa ao lado da dele, quando uma amiga se aproximou. Falaram sobre seus planos pra faculdade; ele, bem ele não pode deixar de ouvir. Mas não tinha o que fazer ali, virou-se e dormiu.
Sexta-Feira.
O ultimo dia, a ultima chance. Ele nunca havia de fato se comprometido a tentar falar com ela, mas o fato de acreditar fielmente que depois daquele dia nunca mais a veria, o agonizava. Mas ele era o mesmo, ainda era o ultimo. O que poderia fazer? Sua personalidade o aprisionara.
Ainda chovia. Foi ao todo uma semana chuvosa, e hoje, sua ultima chance, não era diferente. Ele gostava da chuva, na verdade era uma das poucas coisas que o deixava feliz. Sempre que não fazia nada, enquanto chovia, virava-se as janelas e observava a chuva. Era o melhor que podia fazer pra conter a ansiedade. Mas felizmente pra ele, aquele dia, foi longe de ser o suficiente.
Ela falava com sua amiga; parecia ser uma conversa séria. Talvez falassem dos planos para a faculdade, ou talvez sobre o fato de terem de se separar com o fim do colegial. Mas não importou o que conversavam, pois quando ele chegou, desajeitado, ansioso, a conversa parou como se nem estivesse acontecendo.
– Oi… – disse ele. – Já decidiu, já decidiu o que vai estudar, digo, a qual faculdade vai se ingressar?
– Sim – sorriu ela. – Letras.
– Ah, sério? – tinha um sorriso tímido. A amiga, que pouco antes se sentava ao lado, convenientemente saiu, como se buscasse algo que havia perdido. – Eu também.
– Pra dizer a verdade – agora ela estava tímida, o que era incomum –, lembro que você já tinha dito que faria isso. Eu te ouvi falando com o professor.
Deixou de sorrir. Ficou sério, muito sério, só não tanto quanto parecia envergonhado.
– E pra dizer a verdade… eu não ia fazer letras. Falei aquilo por que não pensei em nada na hora, e não queria falar com o professor – disse ansioso, sua fala começou a ficar mais rápida a cada palavra. – Eu não ligo pro que eu vou fazer. Só quero continuar te vendo.
Ela ruborizou. Nunca tinha visto um rosto tão avermelhado, nem achei ser possível.
– Vai continuar, vai, eu… eu também quero isso.
Não vi muito bem o que aconteceu aquela hora. Parecia que o professor não estava na sala, os alunos se levantaram e cercaram os dois. Típicos bisbilhoteiros. Só pude o ver ela o abraçando, e os dois saindo da sala, envergonhados.
Mais tarde pude ouvir outra parte da conversa. Todos já haviam ido embora, e os dois tiravam duvidas comigo, pra faculdade. Saiam pela porta quando eu ouvi ele dizer:
– Você beija qualquer um que diz querer ficar com você?
– Não. Você foi o primeiro.
Confesso que falhei como professor aquela semana. Minhas aulas foram descuidadas, e passei boa parte do tempo observando o alheio. Mas como posso explicar isso? Acho que um professor preza a felicidade dos alunos.

Publicado por Luheas em: Agenda | Tags: , , ,
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Uma Dança

Eu nunca aprendi a dançar, acho que os galhos de uma árvore sob a ação do vento são capazes de realizar movimentos mais coordenados que os meus. “São dois para lá e dois para cá”, parece uma teoria simples, mas meu cérebro não é capaz de transmitir essa informação ao meu corpo.

Infelizmente naquela noite eu dependia das minhas habilidades rítmicas. Fui arrastado para o show de uma dupla sertaneja, uma festa dessas bem típicas onde se bebe whisky com energético e se veste camisa polo. Eu odeio sertanejo. Entretanto acabei encontrando uma garota com quem eu já havia trocado duas ou três palavras no ônibus, ela também não parecia muito contente naquele ambiente, então achei que seria um bom momento para aprofundar o nosso semi-diálogo.

Eu sou do tipo de pessoa que fala até mesmo quando não tem nada a dizer, falo muito mesmo, mas aquela garota me calou. Ela era toda politizada, inebriantemente inteligente, culta, dominava qualquer assunto, era engraçada, atualizada, divertida, bem informada. Porém depois de 10 minutos de conversa, por mais que eu tentasse resistir, não conseguia me concentrar em nada do que ela dizia, eu apenas sorria, balançava a cabeça e dizia: “aham”, meus olhos viajavam dos olhos dela para os seus lábios sem que eu pudesse evitar. Se tivesse uma imagem que ilustrasse a palavra idiota, sem sombra de dúvidas seria uma foto minha naquele momento.

Ela tinha olhos profundamente castanhos que contrastavam com sua pele alva e seus cabelos rubros. Contudo, o que mais me intrigava eram seus lábios, eles eram rosados e seduziam meu olhar, mas eu não sabia explicar o motivo, essas informações não me bastavam.

A música foi ficando mais alta e, por isso, ela passou a falar menos, somente o essencial. Eu fingia que não ouvia o que ela havia dito, assim ela tinha que repetir bem próximo ao meu ouvido e, quando eu ia responder, sussurrava bem perto do ouvido dela, deixando que nossos rostos se tocassem “acidentalmente”. Que pele macia. Ela não parecia se incomodar com essa proximidade e isso despertava a adrenalina existente dentro de mim, eu poderia jurar que havia uma energia entre nós.

Estufei o peito, tremiam-me as pernas, tomei coragem, minhas mãos suavam, convidei-a para dançar. Meu avô teria orgulho de mim, ele deve ter tido a mesma atitude com a minha avó 50 anos atrás. Mas ela aceitou. “Dois para lá e dois para cá”, eu pensei, mas é evidente que não fui capaz de executar. Ela foi bem compreensiva, disse para que eu dançasse do jeito que sabia que ela me acompanharia. Eu não sabia dançar de jeito nenhum, que humilhação.

Então quando ela estava desistindo da nossa dança, iniciou um sertanejo romântico e lento, acho que mais por instinto, por vergonha e por medo de perdê-la do que por noção, eu coloquei minhas mãos na cintura dela e puxei o corpo dela contra o meu. Ela entrelaçou suas mãos em meu pescoço e encaixou o rosto em meu peito.

Que sensação arrebatadoramente delirante. A energia que existia entre nós fluía tranquila e levemente. O cheiro doce dela e sua beleza natural clamavam por carinho e proteção.

Tudo aconteceu naturalmente como se tivesse havido uma combinação prévia. Em meio à dança, nossos rostos se tocaram, nossos lábios se encontraram e nossas essências se conectaram.

Eu a beijava lentamente, com todo o cuidado que aquele ser delicado merecia. E então a beijava fervorosamente tomado por uma vontade incontrolável de me fundir a ela. Ela correspondia me beijando meiga e, de repente, se entregava ao calor, comprimindo-se a mim. Eu sentia as paredes de seu tórax, a respiração dela ofegante e nem assim nós nos separávamos, era como cadência de uma orquestra regida por um maestro experiente.

E os lábios dela? Atraíam meu olhar com razão, eram tão doces, suaves, belos e delicados que faziam jus a cor de Rosa.

Publicado por nickhollow em: Agenda | Tags: , ,
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A Sereia, o Sátiro e Ninguém Capítulo II

Coral acordou na cama ao lado do Sátiro, o Mestre, único nome que ela sabia sobre ele, estava dormindo profundamente, seu peito se movia com a respiração ela observava fascinada, a noite anterior depois do beijo ambos tinham voltado para a casa, quando a chuva começou já tarde, eles já tinham jantado, conversaram, sorriram e acabaram na cama, ele tão selvagem e dominante quanto realmente parece, dormiram após horas…

Ela cansa destes pensamentos e se levanta da cama, sua pele, ardendo de leve, ela sabe muito bem porque, vai até o salão lá em baixo e mergulha em seu aquário, nadando, de olhos fechados, como se fosse uma dança hipnótica, um movimento circular ao redor, curtindo a sensação da água… Abre os olhos e Ninguém está olhando para ela…

Ninguém estava encantado pela jovem sereia, nunca imaginou ver alguém tão bonita por aqui, ele já vivia aqui a séculos, sabia que o Mestre sempre trouxera amantes para cá, mas nunca alguém tão linda… Ele olhava para ela dançando na água, hipnótica, bela, sua pele perfeita, parecendo uma pérola azulada, ele tinha visto os dois se beijarem, ele ouviu os dois se amarem, ele a desejava, pela primeira vez em séculos, ele desejava uma das amantes do mestre.

Quando ela percebe Ninguém os dois se olham nos olhos, ambos sentem a eletricidade, de algo no ar, ambos se acham interessante, ela sorri, ele sorri de volta e continua a varrer o chão, ele escuta o barulho da água, quando ela sai do tanque, escuta seu corpo pingando se aproximar, se vira e olha para cima.

– Posso ajudar Mestra Coral…

– Só Coral está bom… Você sempre já acorda trabalhando? – ela busca um lugar para se sentar e encontra um banquinho próximo, recolhe as pernas sentando sobre elas para não atrapalhar a limpeza do chão.

Ele sorri com a gentileza, ela não é como as outras, diz para si mesmo antes de responder.

– Sim, Ninguém sempre deixa a casa do Mestre em perfeito estado para ele trazer suas noivas…

No mesmo momento que diz isso ele se arrepende, por um momento ele pensa na punição do mestre, caso a sereia resolva ir embora por causa dele, mas depois vem o reconhecimento, de que ele precisava dizer por se importar com essa menina, por se importar com a Coral. Já que ela é tão gentil e parece mais delicada que as outras, talvez seja bom alguém que saiba como cuidar dela, ele diz para si mesmo.

– Noivas… – Ela repete meio que para si mesma, uma suave decepção passa por seus olhos, mas ela já deveria saber que sátiros não são de uma única mulher. Deveria?

Ele percebe sua confusão, ele percebe a decepção e até uma certa genuína tristeza, por um momento ele também se sente triste por ela, impensadamente, acaricia seus cabelos, ambos se olham mais uma vez e sorriem. Ela quem primeiro quebra o silêncio.

– Exceto trabalhar e ficar aqui sendo um enfeite, tem algo que podemos fazer nesta ilha.

A voz que responde não é de nem um dos dois, é a voz grave do mestre, inconfundível e irrepreensível.
– Pode ir na praia, nas pedras, pode caminhar, nadar, ver os pássaros ou o mar, só não acho que possa ir embora da ilha, sem me pedir para… – Ele sorri deixando no ar o que a última parte significa, usando a parte de cima de um sobretudo antigo, acinturado e uma cartola, parecendo uma roupa do século XVII, exceto, que sem calças, já que é um sátiro.
– Terei que sair agora, deixo a casa e MINHAS propriedades em suas mãos Ninguém… – A ênfase no minhas deixa bem claro o que ele pensa do que viu. – Leve a senhorita Coral para passear pela ilha por favor, assim que terminar seus afazeres… Com sua licença…
Dito isso ele se retira pela porta da frente, indo embora.

Os dois se olharam, o frio na barriga, se sentindo transgressores pelo que quase haviam feito, o mestre saiu e eles se sentiram aliviados, ambos os dois, sem motivo algum que não fosse o susto tomado, que não fosse o frio na barriga que se dispersou deram uma gargalhada, que fez ambos se sentirem mais leves, mais felizes, a risada acabou e antes que Ninguém ou Coral pensassem em tudo, ele segurou a mão dela e saíram pela porta.
– Vamos dar uma volta, vou te levar para a conhecer a ilha como o mestre mandou..

– Tah.

Sem nenhum problema ela saiu correndo atrás dele, de mãos dadas, só quando sentiu o sol na pele, lembrou que ainda estava de biquíni…

Os dois correm juntos pela parte aberta da ilha, Ninguém a vê sorrir e rir e lembra de nunca ter visto alguém tão cheia de vida, quase como se lembrasse alguém de uma passado distante, de séculos no passado. Ele a acompanha com os olhos enquanto apresenta a parte mais central da ilha, um grande jardim.

– Você sempre viveu aqui… – Ela mal sabe porque a pergunta, curiosidade talvez… Ou apenas para vencer o banal, ela sente curiosidade, pelos sentimentos que ele desperta, ela sorri.

– Sim, o Mestre me criou para cuidar da mansão, este é meu único propósito…

Ela sorri aceitando a explicação como uma possível verdade, ela olha para ele e sorri, sai andando de leve, se distanciando um pouco do duende, mal reparando o quanto assim como ela pensa sobre ele, ele também pensa nela e a segue com os olhos, olhos atentos a cada movimento, a cada detalhe.

Para ele ela é uma incógnita, diferente de qualquer noiva que o Mestre já teve, ele jamais pensaria em flertar com uma noiva do Mestre, isso seria terrível, mas ele não estava realmente flertando com ela. Ou estava? Olhando para ela agora, vendo ela encantada pelo jardim olhando os pássaros, ele percebe que sorriu, ela também percebe e sorri de volta.

Um sorriso doce um sorriso perfeito, um sorriso inesquecível, ele sente seu coração disparar, ambos se olham por um longo tempo apenas sorrindo, apenas achando impossível. Ele se pergunta se por ela ele teria coragem de enfrentar o mestre, se pergunta se por ela ele deixaria de ter uma casa, mas mais do que isso, ele se pergunta se ela faria o mesmo, quer dizer, poderia uma sereia se apaixonar por um duende? Existem histórias de ninfas e duendes, mas seriam reais?

Como se adivinhasse seu pensamento, Coral se aproximou dele, sorrindo, seu sorriso de pérolas, seu olhar do mar, ela sem perguntar nada, sem dizer nada, lhe deu um beijo no rosto, o qual foi carregado de calor, ela também não pretendia que fosse tanto, ela apenas se encantou pelo modo como ele lhe olhava.

– Vamos para as pedras, – ninguém disse isso baixo, sorrindo, com as bochechas vermelhas, para uma sereia sorridente, que fez que sim com a cabeça e lhe ofereceu a mão.

De mãos dadas eles foram, até as pedras na base da ilha, ele queria levá-la a praia, rever ela nadando maravilhosa, como havia visto no aquário, mas não poderia, isso significaria etrar na água sem permissão, sair da terra firme sem permissão, ambos chegaram nas pedras, conversnado sobre bobagens, pequenas bobagens, ela estava encantada com o tanto de coisas que tinham em comum.

Ao vê-la nas pedras, na luz do sol, Ninguém soube o que estava acontecendo com ele, por um leve momento, ele era “alguém”, alguém que amou, alguém que já havia sido humano, há séculos atrás, alguém que amou e perdeu, que foi burro demais para manter próximo, quem amou, ele começou a chorar.

– Não chora, – sem aviso, Coral disse olhando para ele, segurando seu queixo, com delicadeza os olhos nos olhos e um beijo na boca.

Um calafrio percorre o corpo de Ninguém, o mestre não ficará feliz, de forma alguma, mas Ninguém está feliz, Ninguém agora é alguém, alguém que tem amor.

– Como ousam com todo o abrigo que lhes dei…

O mestre surge, sua ira é como uma tempestade que se forma no mar, Coral tenta explicar, mas uma súbita tontura, a faz desmaiar, ela só consegue perguntar no que acontecerá com Ninguém, ao mesmo tempo que se sente culpada por tê-lo beijado.

Publicado por Pepper em: Agenda | Tags: , , ,
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A Sereia, O Sátiro e Ninguém

A sereia o sátiro e ninguém

Ela se via sozinha fazia poucas horas, a briga com o namorado tinha sido um grande estopim, ele jamais a compreendeu totalmente e como poderia, como ele poderia sequer imaginar os seus sacrifícios, ela havia se libertado com ele, brigou com sua família, não tinha mais família, não tinha amigos, tudo para quê, para estar com ele, que agora a jogava fora, na rua, como se não fosse ninguém importante.
Ela chorou por um tempo, mas depois vencida pela fome foi para uma padaria, sorriu, desviando os olhos de quem olhava diretamente para ela, uns curiosos, alguns interessados, mas também haviam aqueles que obviamente não gostavam da presença dela ali.
Era uma jovem mulher de seus 18 anos, seu corpo magrinho enfiado em jeans azuis simples, uma camiseta branca folgada, seus cabelos em cachos escuros compridos e seu rosto delicado, sempre se pareceu com uma menina, talvez por isso tenha sido tão fácil seguir até aqui, se abrir para todos, mas obviamente nem todos viam esta mulher dentro de seu corpo atual.
Foi quando ela o viu, alto de cabelos negros como a noite e olhos negros, como poços sem fundo, onde você poderia se perder, ele tomava um café, usava jeans pretos, coturnos e uma blusa de gola alta… Sua primeira reação era pensar em quem em São Paulo usaria tal vestimenta, por ser uma cidade tão quente, mas tudo bem, ambos sorriram um para o outro e ele se aproximou.
– Você é muito bonitinha… – ela sorriu e corou, mas não conseguia desviar os olhos.- Tem certeza desse desejo intenso, esquecer completamente o passado, só se tornar uma mulher e desaparecer…
Como ele saberia, como ele poderia saber, quer dizer, sim, era eu iria fazer a cirurgia e mudar de nome e ninguém nunca mais me encontraria, por não ser mais a mesma pessoa, mas…
– Como… – calada com um dedo de forma suave, que se apoiou em seus lábios, olhando nos olhos um do outro um calafrio percorre pela sua espinha, subindo até gelar sua nuca.
– Apenas responda se é o que quer.
Ela sabia que era, não sabia o que estava acontecendo, mas sabia muito bem o que era, o que ela queria, o que abriria mão por isso, ela fez que sim com a cabeça, sentiu ficar zonza, vertigem a atingiu de repente, ela se vê caindo em um buraco enquanto ele ri lá em cima na borda.
***
Quando acordou a primeira coisa que percebeu é que estava embaixo d’água, mas o pânico foi momentâneo, porque não foi difícil perceber que realmente estava respirando na água… Ela olhou em volta, mas percebeu que se encontrava em um aquário, mas mais do que isso viu seu reflexo no espelho, mesmo sendo uma imagem difusa, ela parou para olhar, para ter certeza do que via acompanhava com as mãos.
Seu corpo agora era um corpo feminino, belos seios volumosos, um quadril largo, a barriga quase reta, seu rosto, suas bochechas, ela usava um biquíni, vinho como percebeu olhando para baixo, mas também percebeu sua pele suavemente azul, um azul clarinho, se assustou e viu suas mãos e pés, com membranas entre os dedos, ela era uma sereia… Assustada, subiu até o alto do aquário, pulou suas bordas e sentiu o frio do lado de fora sobre sua pele.
Viu um espelho e caminhou até ele… Seus olhos agora olhavam diretamente para o corpo belo, ela se virou para ver cada detalhe, brincos na forma de duas conchinhas estavam pendurados em suas orelhas, doloridas por terem sido furadas recentemente…
Mas seus dentes eram afiados, visivelmente perigosos, assim como suas mãos, com membranas, mas também com garras, seus pés eram pequeninos, mas uma nadadeira crescia ao redor deles, quando juntava os dois pés era uma calda de peixe, se abrindo para o lado de fora só o dedão ainda existia, todos os outros dedos haviam se unido, formando a pequena cauda que se abria como meia lança, formando a volta do pé. Ela estava linda é verdade, mas também assustadora e definitivamente não humana, um medo começou a nascer em seu coração.
– Enfim acordou… – A voz era completamente inesquecível, era ele, da padaria, daquele dia…
– Você… O que fez comigo…- Ela falou alto, quase sem controle se virando para ele, só para ver ele com as pernas de bode, chifres, enrolados ao redor de sua cabeça pelos lados e o torso de uma túnica vinho… Paralisada de boca aberta ficou olhando para ele sem saber o que dizer.
– O que foi nunca viu um sátiro. – ao dizer aquilo ele riu, seus dentes perfeitos, ele parecia alguma espécie de demônio enquanto ria e ria, ela estremeceu inteira, sentiu medo daquela risada, mas por fim, ela cedeu e começou a rir também, possivelmente sua mente cedia a loucura do que estava acontecendo.
Ele estendeu a mão para ela, oferecendo silenciosamente para ela conhecer sua morada, ela sorriu de mãos dadas com ele, ela saiu caminhando, devagar com calma, seus “novos pés” ainda precisavam se acostumar com seu novo formato, ao sair da sala, ele colocou sobre seus ombros uma capa leve, delicada de seda, que escondia seu corpo só de biquíni quase como um poncho mexicano.
Perguntas como porque eu, ou coisas assim eram silenciosamente ignoradas, ele apenas lhe mostrava os cômodos de sua mansão, do lado de fora um mar revolto, era uma ilha rochosa, com pouco espaço, então ele a leva para fora onde um jardineiro fazia seu trabalho ajeitando as roseiras, que formavam um verdadeiro muro ao redor da casa.
O jardineiro era um homem loiro, velho, curvado, um duende de orelhas pontudas, bem longas, magro, de olhos verdes, ele olhou para os dois que se aproximavam e parou por um momento olhando para a sereia, ela sentiu em seus olhos algo gostoso, algo quente, algo que ela não sabia identificar.
– Está pronto Mestre… – se afastando da roseira para mostrar o trabalho.
– Ótimo Ninguém, esta é Coral e ela é uma sereia que viverá conosco agora…
– Claro Mestre, – olhou para ela, causando um certo arrepio.- mestra Coral, vou me retirar agora… – ao chamá-la assim, algo em seu coração palpitou e ele foi embora deixando ela distraída.
– Ninguém é um servo leal… – o Sátiro sorriu vendo seu silêncio.- Algo há incomoda.
– Não, só é muito para entender… – sorri, olhando em seus olhos…
Os dois passam um curto tempo se encarando, o olhar intenso dos dois lados, ele com os olhos negros intensos e sem fundo que ela havia visto na padaria, ela agora com olhos verde-mar, tão intensos quanto, com uma selvageria que faria muitos recuarem ou se apaixonarem, por um curto momento os dois se encararam, suas mãos ainda uma na outra, ela fecha os olhos e ele a beija.
Coral não sabia de mais nada, nem lembrava de qual era seu real nome, agora era Coral, ela era amante do Sátiro na ilha do farol e tinham um servo chamado Ninguém, (isso talvez significasse algo), ela sentia que seja o que for que o futuro guardasse estava só começando, enquanto nuvens se formavam no horizonte.

>> Continua.

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A true love story

Imagem | Antimidia

Imagem | Antimidia

Preâmbulo

Contos dramáticos, longos romances, filmes, músicas, novelas, seriados, guerras, “what more in the name of love?”, perguntaria o U2. O que for necessário, responderiam os jovens. Amor não é um sentimento, é uma justificativa para uma atitude que poderia ser tida como débil. Sócrates diria que o amor é a ausência do belo e do bem, desembocando nos antônimos feio e mau. Ainda segundo os gregos, que conversavam enchendo a cara de vinho num banquete, o amor poderia ser um desejo ardente de se ter o que não se tem. Logo, quando se conquista o desejado o amor bau bau. Segundo o dicionário Aurélio, o amor também é enquadrado como uma inclinação forte por outra pessoa, geralmente de caráter sexual, mas que apresenta grande variedade de comportamentos e reações. Bem, certamente ele existe, e determina a vida de todos nós.

Personagens

Neb | Mais ou menos 1,70m, 100kg, 25 anos e cabelo comprido. Estudante do quarto ano de jornalismo. Se veste como repórter de rádio, sempre de xadrez, mas trabalha numa assessoria de imprensa. Gosta de ouvir Rock’n Roll e toca baixo. Como quase todo gordinho, Neb é inseguro e meio engraçado. Nunca teve uma namorada.

Júlia | Cerca de 1,73m, 65kg, 21 anos, cabelo nos ombros. Cursando o 3º ano de enfermagem. Tenta não se preocupar com a moda, gosta de blusinhas com alcinhas e casaquinhos de lã. Faz estágio num hospital público. Gosta de ver o pôr do sol num mirante e de praia. Não se acha bonita e é traumatizada pelas decepções da vida.

Tempo

Se conheceram no 2º ano de faculdade dela, mas Neb já a observava com carinho, de longe, antes de os dois se tornarem amigos. Em seguida ele entrou num projeto cultural que Júlia fazia parte só para ter mais contato com ela. Por uma coincidência da vida vieram a se tornar vizinhos seis meses depois. Foi nessa época que perceberam o quanto gostavam um do outro. Em pouco tempo estavam indo nos mesmos lugares e tinham os mesmos amigos. As coisas aconteciam cronologicamente e um futuro juntos, e felizes, era tão certo quanto o fogo é quente.

Espaço

No começo se encontravam na lanchonete da faculdade, naquelas mesas enormes que se formam com os amigos no frenesi do intervalo. Sem perceber os dois sempre estavam próximo. Nas reuniões para falar sobre os eventos que iam realizar dificilmente discordam da opinião um do outro. Quando morando lado a lado Júlia ia na casa de Neb todo dia, mas ele raramente retribuía as visitas dela, mas sempre comprava queijo porque sabia que ela gostava e fazia café quando ela chegava.

O período de vida universitária é marcado pelas novas experiências, e grande parte delas está ligada ao flerte. Qualquer espaço que reúne centenas de jovens, com os hormônios a flor da pele, é um convite para aventura, um lugar onde tudo se desenvolve.

Narrador

Eu era próximo aos dois. Na verdade eles começaram a ter mais contato porque o Neb sempre vinha me chamar para fumar um baseado com ele no intervalo. A Júlia também fumava, e um dia veio junto. Quando comecei a reparar no que estava acontecendo os dois já estavam sempre grudados, e ela sempre perguntava dele, e ele dela. Pareciam ter nascido um para o outro, mas tinham uma certa dificuldade de reconhecer isso. Nunca entendi o por quê. Os dois sempre foram bastante reservados, então ninguém falava sobre isso com eles, nem eles falavam com alguém, mas todo mundo falava disso longe deles. Era impossível não reparar no jeito especial que se tratavam e em como, as vezes, não se olhavam.

Enredo

Ela admirava o quanto ele era atencioso com as outras pessoas e a quantidade de amigos que tinha. Dava para perceber isso vendo como Júlia se esforçava para fazer a mesma coisa que Neb. Ele jogava futebol com os amigos, ela entrou num grupo de corrida. Ele sempre carregava um bom livro, ela começou a levar um na mochila também. Neb achava que Júlia era diferente de todas as outras garotas porque era bonita, inteligente e não ficava se exibindo. Sua admiração por ela ficava nítida na forma como a tratava, sempre tentando arrancar um sorriso dela e facilitando a sua vida. Neb sempre pensou que jamais teria alguma chance com alguém como ela, tanto que as indiretas dela demoravam dias para serem percebidas por ele, quando o momento já tinha passado. Júlia achava que Neb pensava que ela não estava à altura dele, porque ele sempre respondia as investidas dela com um sorriso desconcertado, e não com palavras românticas ou um amoroso beijo. No ritmo do “ninguém me ama, ninguém me quer”, os dois se identificavam cada vez mais um com o outro. As chances de ficarem juntos se multiplicavam a cada encontro. Numa festa, assistindo um filme deitados na cama ou uma tarde perdida, a todo momento pressentiam que uma coisa fantástica podia acontecer. Quando se tocavam acidentalmente, ou num abraço e beijo de “oi, tudo bem”, as borboletas no estômago diziam que aquele amor não tinha nada de cortês.

Diante da falta de iniciativa de Neb, Júlia arrumou um namorado…

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