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conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
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Diálogos do Sexo no Mundo Antigo

Na Grécia do século VI a.C., a profissão do amor público não era facultada a todas as
mulheres e a todos os homens. Codificado por Sólon para proteger a integridade de patrícios
e plebeus, a prostituição arrebanhava suas hostes na classe dos escravos. O proxeneta que
ousasse arregimentar carnes de aluguel entre os cidadãos livres arriscava-se a pagar uma
multa de 20 dracmas e, caso a ofensa fosse cometida contra uma criança livre, o acusado
certamente acabaria condenado a morte.

Pena que também contemplava os arregimentadores clandestinos, que por não serem
registrados, escapavam aos impostos estatais sobre a atividade. Quando a tentativa de
prostituição de uma criança livre partia do pai, irmão ou tutor legal, tanto o aliciador quanto
o consumidor ficavam sujeitos às mesmas penas. E ao atingir a idade adulta, a criança que
fora ameaçada pelo abuso ficava desobrigada de garantir a subsistência pa-terna, ou
dar-lhe guarida e teto. Era apenas compelido dar-lhe sepultura segundo Os ritos
tradicionais. Excetuando, portanto, os cidadãos livres, ninguém estava a salvo de ser levado
a exercer a prostituição que, alias, aliciava os seus futuros profissionais ainda na infância. Se
isso pode parecer escandaloso e imoral a luz da ética atual, ao tempo de Sólon,
Demóstenes e Píndaro o escravo não era ser humano; era nada mais que um bem, uma
mercadoria da qual se podia dispor para qualquer uso e objetivo, e sobre a qual se exercia
o direito de vida e morte. Para a esmagadora maioria das crianças do mundo antigo, não
havia infância despreocupada e amparada. Os meninos aprendiam a profissão do par; as
garotas, a cortejar seus mantenedores. Com uma proxeneta experiente o aprendizado do
prazer não raras vezes tornou risonha a existência de muitas prostitutas e acompanhantes.
Como os preços de locação sempre estiveram em função da qualidade da mercadoria, as
ma-tronas mais espertas davam uma educação esmerada a suas pupilas. As
garotas de programa ainda jovens aprendiam as artes da dança, do canto e da execução
mu­sical; instruíam-se na preparação de pomadas, unguentos e poções anticoncepcionais;
eram constantemente lembradas de que a voz da razão (e do lucro) devia prevalecer sobre
a inconstância emotiva do coração, ou seja, prazer só em troca de pagamento;
desenvolviam uma elegante postura para a solenidade do banquete; desvencilhavam-se dos
hábitos vulgares; e se transformavam em cortesãs – acompanhantes  disputadas a milhares
de dracmas (5 dracmas era a tarifa normal para um encontro amoroso).

Prostitutas vulgares ou objetos de luxo, as adoradoras de Afrodite apren-diam também a
arte da maquilagem, que as distinguia das mulheres de boa conduta. A tonalidade dos lábios
era reforçada com suco de amora; a tez escura branqueada com pó a base de carbonato
de chumbo; as som-brancelhas delineadas com pó de carvão; e os cabelos alisados com
gomas. Como as esposas passavam a existência trancafiadas em casa, no gineceu, com as
serventes e os filhos, raramente participando de manifestações públicas, os notáveis da
Grecia antiga alugavam os serviços de hetairas (cortesãs – acompanhantes) para
tornar-lhes a vida amena.

Filósofos, políticos, artistas e todos os homens ricos mantinham uma ou varias dessas
concubinas em suas próprias residências, sem provocar a ira da mulher legitima.
(Um esclarecedor parêntesis: não era raro que um patrício adepto do amor virtude
levasse para dentro do lar o jovem efebo de sua predileção. Tanto o preferido como a
preferida não eram tidos como rivais ou sequer gozavam de prerrogativas de mando.
Eles funcionavam, repetimos, como meros agentes de prazer, conferiam status de poder
e riqueza aos seus locadores, e serviam como ponto de discórdia entre dois ou mais
notáveis, alimentando diariamente a crônica mundana da cidade com a pimenta
fundamental do escândalo).

A convivência com essas mulheres e homens públicos não envergonhava ou diminuía o
cidadão. Ao contrario, conferia-lhe maior respeito. Por ser mercadoria, uma mesma
concubina – acompanhante po­dia servir a vários senhores ao mesmo tempo. Ao saber,
por exemplo, da boca de Diógenes, que a caríssima Laís — uma das mais famosas
cortesãs de Atenas — também alugava seus préstimos a outros ricos cidadãos, o
filósofo Aristipo, chefe da escola cirenaica, que baseava a felicidade no prazer,
revidou a provocação como um sábio “gasto uma fortuna com Laís para melhor gozar,
não para impedir que outros gozem”. O sentido de propriedade não existia na cabeça
dos gregos da época. E apaixonar-se por alguém que finalmente não era ser humano
era transgredir as regras do decoro público e da etiqueta. No entanto, a qualidade
intelectual de algumas destas hetairas seduziu o locador, transformando-o em virtual
escravo. Tal foi o caso do estratego Péricles, que encontrou na bela e doce Aspásia
uma companheira a altura de sua inteligência, espirito e cultura. Ou, ainda, de Targélia,
Mata Hari do Século de Ouro, que colocou sua beleza e competência sexual a serviço
do recém vencido Xerxes, rei da Pérsia, instigando a rivalidade politica entre clãs e
partidos, com o intuito de enfraquecer a democracia ateniense. E o que dizer de Laís,
a acompanhante suprema a cujos pés Atenas e Traxitéles se prosternaram… Todas,
no entanto, começaram suas carreiras na condição de meninas vendidas aos templos
de Afrodite e repassadas a proxenetas e matronas.

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Sexo e Magia – Prazer do outro mundo. Parte 1

Tudo que é desconhecido toma a forma de proibido, mágico e perverso. De fato, o homem, esse animal supersticioso,
tem a mania de misturar prazer, tabu e magia em um mesmo pote. O resultado é o erotismo, fruto cultural dessas muitas
decantações. Envoltos em trevas de ignorância e desejos sublimados, sexo e magia acampam no mesmo piano. E Eros e
demônios convivem em curiosa harmonia.

Não ha dúvida: toda vez que o assunto é sobrenatural, pode apostar que existe sexo no ar. E isso não e de hoje; vem das
religiões primitivas e de seus rituais. O sexo está presente nas atas da Santa Inquisição ou nos rituais de iniciação que
ainda são praticados nas receitas das bruxarias, propagadas por literatura meio suspeitas ou pela tradição oral popular,
nas quais, quase que fatalmente, encontramos ingredientes como pelos púbicos da mulher amada ou urina de virgem.

A Adoração do Falo Mágico

Sem qualquer contestação, o falo é o ponto de partida nesta nossa viagem pelo estranho, bizarro e inesperado sexo
do outro mundo. Alguns sítios arqueológicos da Europa, por exemplo, não são exatamente o que se recomenda a excursões de colégios
de moças, como as ruínas da cidade de Pompéia. Neles se encontrarão enormes pênis apontados para o céu, erigidos como ídolos para
adoração. Em muitos deles, a inscrição mais do que reveladora: “Hic habitat felicitas”, numa forma delicada, embora explícita,
de agradecer aquele que representa a fertilidade das plantas, animais — e por que não ? — das pessoas do lugar.
Em Bardal, na Noruega, entalhes em pedras indicam rituais fálicos da Idade da Pedra. Na Inglaterra, mais precisamente em
Dorset, existe uma figura de 60 metros de comprimento, com um pênis em estado de ereção. As autoridades da região vêm, nestes
últimos anos, recebendo inúmeras reclamações pela presença ostensiva do monumental falo, que já faz parte do roteiro de excursões.
Com certeza, isso não acontecia ha cerca de dois mil anos, quando o Ídolo foi esculpido.

Íncubos e súcubos

Os Íncubos são demônios que seduzem mulheres. O seu reconhecimento oficial foi feito pelo Papa Lúcios III, em 1148, quando, nas
inquirições, fazia referencia a possibilidade de seres humanos terem relações sexuais com entes demoníacos. Dá-se o nome de íncubos a
esses lugar-tenentes do demônio que se uniam carnalmente com suas vitimas, sem proporcionar-lhes uma verdadeira satisfação. Segundo o
relato de algumas mulheres, o espasmo do gozo do incubo jorrava como uma torrente gelada.

Sexo e Magia

Já o súcubo é a forma feminina que, segundo alguns, pratica o ato sexual com o homem, para dele roubar o sêmen e sua
energia para posteriormente transportar para o seu mestre. A tradição sustenta que as poluções noturnas, tão comuns nos
jovens, são produto dessas pequenas entidades, que conhecem como ninguém os segredos do sexo. Muitos íncubos e súcubos,
quando a serviço de uma bruxa ou um bruxo, transformam-se durante o dia em animais domésticos, como gatos ou cabras.
Alguns autores explicam que, assim como o diabo, essas entidades deixam marcas indeléveis de suas aventuras. Nos homens,
o sinalzinho pode ser encontrado embaixo das pálpebras, sob as axilas, sobre os lábios. Já nas mulheres, os locais
prediletos são entre os seios e próximo ao ânus. Em tempo: nem as virgens estão imunes aos ataques.

Uma Era de Loucuras

Na Idade Média, a Europa mergulhou em um verdadeiro caos. Praticamente, todas as superstições estavam intimamente ligadas
ao sexo. A Igreja, por sua vez, colaborava para a confusão geral. Um exemplo disso foi a instituição do Malleus Maleficarum,
que regia todos os processos da Inquisição. A obra, editada em 1486, afirmava que a pratica mais séria de bruxos e bruxas
era o enfeitiçamento sexual, e textualmente declarava: “Não há remédio contra essas práticas, a menos que as bruxas sejam
extintas ou, pelo menos, castigadas como um exemplo para todos os que as imitam.”

Gordon Wellesley, em sua obra Sex and The Ocult, aponta como uma das mais excitantes literaturas sobre ocultismo o livro
Discours des Sorciers, do magistrado Henri Boquet. Nele está transcrito, por exemplo, o depoimento de Marguerite de Sara,
de apenas 17 anos, no qual ela descreve o pênis do diabo: .”…era semelhante ao de um jumento(…) era longo e grosso
como um bravo(…) e o diabo mostrava sempre o instrumento, por causa da sua forma bonita e do seu tamanho avantajado.”
O que nos leva a crer que ela conheceu um diabo exibicionista.
Mas, em matéria de discrição, nenhuma supera a de outra feiticeira inquirida pelos tribunais franceses: “Era geralmente
sinuoso, pontudo e parecido com uma cobra…” Mais à frente, ela surpreende: “…usualmente é dividido como uma língua de
cobra e pratica habitualmente o coito e a sodomia, enquanto, outras vezes, uma terceira extensão penetra na boca da pessoa possuída.”
Se alguma mulher experimentou o verdadeiro orgasmo total, deve ter sido com esse diabo, digno de um filme de ficção cientifica japonês.

A imaginação e a febre sexual têm origens muito mais profundas do que se pode imaginar. Mas um único detalhe pode demonstrar
o que era a repressão a necessidade vital das relações sexuais: durante a Idade Média, os teólogos redigiram um guia denominado
O Livro da Penitência, no qual relacionaram as penitências imputadas a cada tipo de pecado praticado. Dos pecados relacionados,
cerca de 98% são de origem sexual. Para complicar um pouco mais a situação, a mulher não podia ser vista nua nem sequer pelo marido.
A posição permitida para o coito era o tradicional papai e mamãe. As relações sexuais aos domingos, ou ainda 40 dias antes da Páscoa,
sete dias antes de Pentecostes e 14 dias antes do Natal estavam terminantemente proibidas. Muitas cortesãs, que eram as Acompanhantes
da época eram consideradas bruxas e em alguns casos condenadas à morte ou degredadas para as colônias, algumas chegando às colônias
como o Brasil ,por exemplo, se casavam com os homens da terra e viravam mulheres respeitáveis, o que fazia com que muitas
Garotas de Programa da Europa migrassem para o novo mundo para recomeçar a vida, outras continuavam exercendo a profissão, mais
tanto a América Espanhola como a Portuguesa sofreram com a inquisição também.

O Grande Sabá

Sabá é o nome clássico pelo qual os demonólogos designam as assembleias de feiticeiros. São reuniões noturnas em que os iniciados,
discípulos de Satanás, se encontram. Em geral é realizado em noites de lua cheia, em lugares desertos, de preferencia em terrenos
estéreis, próximos a lagos ou pântanos, ou ainda em antigas ruinas no alto de montes. Até aí, nada de anormal. O pior está por vir,
quando os participantes, começam os rituais, narrados com fidelidade por Stanislas de Guaita, em seu livro Le Temple de Satan,
parte de sua obra maior, Le Serpent de la Genese: “(…) Har! Har!”.
Sabah… gritam os recém-chegados, agrupando-se em volta do mestre, que, solícito, oferece o traseiro a cada um para ser beijado.
” Mais a frente, Guaita escreve: (…) “Mas está chegando o carneiro negro, de olhos incandescentes: vem como um furacão do
setentrião, bale para acalmar aquela que traz em seu dorso. Linda moça nua vem montada sobre sua pele macia. Esta triste e
chora… “É a vitima esperada, a Rainha do Sabá.” Essa rainha será estuprada pelo bode, e seu corpo se transformará num altar para
a continuação da cerimônia que culminara numa gloriosa bacanal. Ainda segundo o texto recolhido por Guaita, o incesto é honrado
assim como a sodomia, reafirmando o que Bodin escreveu no seu Demonomanie des Sorciers: “Nunca existiu perfeito feiticeiro ou
encantador que não tivesse sido gerado por pai e filha ou mãe e filho.” As bruxas autênticas, segundo a tradição, as quartas e
sextas-feiras sentiam um forte apelo no ar; era a chamada para o Sabá, onde teria a honra de se entregar ao seu mestre. Então, nua,
diante do fogo, untava o corpo com um unguento a base de beladona, montava em uma vassoura (reconhecida como símbolo fálico),
onde nenhuma fibra devia se cruzar para evitar a formação de uma cruz. E assim saía voando até o local do Grande Sabá. Muitos
dizem continuar vendo essas lindas mulheres nuas voando, principalmente em Beran, praias de Hendeye ou ainda em Carnac, na
Bretanha. Quem sabe você também seja um desses felizardos…

As Possuídas

Não foram poucas as mulheres possuídas pelos mais variados demônios. Uma delas foi Joana D’Abadie, uma moça da aldeia deSiboure, na Gascogue.
Delancre, em um de seus tratados de demonologia, descrevia que a dita moça foi certa vez transportada a um Sabá
enquanto estava dormindo, durante a celebração da santa missa de domingo, mais precisamente no dia 13 de setembro de 1609.
Obrigaram-na a assistir a cerimônia, presidida por uma bruxa de duas caras e coadjuvada por sapos vestidos a caráter, os quais
eram reverenciados por todos os humanos que lá estavam. Disse ainda que todo tipo de excesso foi cometido na cerimônia; mas,
como era inocente, foi devolvida incólume a sua casa pelo mesmo demônio que a havia levado. Quando acordou, pegou seu crucifixo,
que estava caído no chão, e foi se confessar. Porém, parece que a aventura acabou excitando-a, e em outra oportunidade voltou ao
Sabá e fez “sem nenhum escrúpulo”, tudo o que o Satanás lhe ordenou. Disse ainda que só o fez porque todos que lá estavam a
incentivaram, dizendo que ela não poderia ser responsabilizada pelo que estava cometendo.

Outra Joana não teve a mesma sorte, e, em virtude de sentença do Parlamento de Bordéus, no dia 20 de março de 1619 foi queimada viva.
Segundo o processo, Joana Noals confessou espontaneamente, e deu detalhes de como realizou os “embruxamentos”. Leonarda Chastenet,
de Piotou, Franca, encontrou a morte na fogueira em 1592. Madalena Chaudron vitima do fanatismo e do ódio de sua família, que a
acusou de bruxa, sofreu indescritíveis torturas que a fizeram confessar. Foi enforcada, e seu corpo queimado na fogueira
(Gênova, 1562). Assim como estas, outras também encontraram o mesmo destino, no desvario das perseguições que ocorreram durante
a Idade Media, um tempo no qual o suplício é mais sádico do que costuma parecer.

Publicado por FabianaCampos em: Agenda | Tags:
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Ratos e ninhos de amor

Seu AlceuE ele suava como um porco e fedia azedo. Carregava uma pasta e um lenço branco embabado naquele líquido fétido que escorria por todo seu rosto e ensopava aquela barba nojenta. As pessoas fingiam que não notavam. Mas não tinha como. A sala de reuniões ficava empesteada pela sua presença. “Não há muito o que dizer. Ele nos causou um prejuízo de cinco mil. Não temos espaço para incompetentes.” Ninguém contestava o que ele falava para poder estar longe dele o mais rápido possível. Faziam desenhos em folhas em branco para não precisar olhar sua cara. “Comuniquem ele até o fim do dia.” Tudo bem, todos farão o seu melhor para não precisar mais passar por isso. O único ato espontâneo de alguém em sua presença seria sair correndo. Enquanto ele dobra os papéis e coloca na pasta as pessoas já estão se levantando e olhando para a parede. “Eduardo!” Não! Eu não! Hoje não! Nunca não! Seu Alceu sinaliza para o executivo que tentava sair. O resto continua andando focado na parede com um misto de alivio e duvida. Afinal, era o chefe do RH e o ceifador implacável. “Hoje podemos tomar aquele drink que você esta me devendo. Por minha conta.” Não, por favor Deus, não! “Claro. Passo na sua sala no fim do dia.”

A submissão funciona como uma certa auto-censura que transforma o homem num rato condicionado. No resto do dia ele pensou em uma forma de se livrar daquilo. E Eduardo estava dentro do carro dirigindo pela 9 de Julho pensando em ser parado por um blitz e preso por qualquer crime para se livrar daquilo. E ele suava como um porco e fedia azedo. “Um homem merece ter seus prazeres depois de um dia de trabalho.” Você fede seu porco desgraçado! “Com certeza.” Como se fosse um remédio para dor de cabeça, o Seu Alceu tira do bolso uma cápsula com um pó branco e faz duas carreirinhas em cima do manual do carro que ele pegou no porta-luvas. Ele abaixa o nariz para cheirar e a outra carreirinha se dissolve no suor da sua testa. Ele passa a mão na testa, lambe, vira a capa do manual, seca com a manga da camisa em movimento giratórios e estica outra carreirinha. Eduardo cheira. “Vamos naquele hotel novo que abriu perto do aeroporto. O hotel das universitárias.” Puta que pariu! Velho babão de merda!

Os vidros fechados por causa do ar condicionado e o cheiro escatológico girando por todos os centímetros quadrados. O trânsito travado numa terça-feira interminável. O aeroporto parecia estar a anos luz dali. E ele suava como um porco e fedia azedo. “Vamos no velho casarão da Rua Augusta. Vamos demorar horas para chegar até o aeroporto.” “Não, não. Não quero mais ver a Xarlene.” Ela que não quer te ver. Ninguém quer te ver seu fudido de merda! E o impulso de fugir soca a mão na buzina e o pé no acelerador. Por favor! Alguém me mate! “Deixa o rádio na CBN pra eu saber como o mercado esta reagindo a troca de ministros. No fim não vai mudar nada.” Haaaaaaaaa! “Estou achando que o departamento comercial esta acomodado com as metas baixas. Acho que vou pressionar a Dona Marlene por mais contratos.” Foda-se! Foda-se! FO-DA-SE! “Melhor que dinheiro só mais dinheiro.” Chega logo lugar du caralho! “Aquela velha sabe como ganhar dinheiro. Ela até merecia uma boa foda. Quanto tempo será que faz que ela não dá uma trepada animal?” Cala a boca seu cretino bastardo! “Não sei se ela sabe o que é isso. Conheci o marido dela uma vez numa churrascaria. Tem cara de paspalho.” Eu vou te matar! Eu vou te matar! “Chegamos.”

Uma senhora cheia de penduricalhos e com cara colorida de pó de arroz recebe os dois na porta. “Boa noite senhores. Já sabem o que querem?” “Sim. Duas estudantes de engenharia de uma faculdade católica e uma garrafa de whiskey 12 anos.” A senhora faz um gesto e duas garotas, uma loira e outra morena, se aproximam. Seu Alceu junta a morena e senta de um lado da mesa alisando as pernas dela com as duas mãos, tentando agarrar tudo que pode. E ele suava como um porco e fedia azedo. Eduardo senta com a loira do outro lado. O garçom traz a garrafa e entrega uma comanda para cada um dos dois. “É o seguinte. Primeiro você vai comigo, depois com ele. A loira a mesma coisa.” Puta que pariu! Não vou tocar nela depois de você nem a pau! “Pega uma garrafa destas para você porque esta vou levar comigo.” Some da minha frente! Um vai para o quarto da direita e o outro para o quarto da esquerda.

Enquanto Seu Alceu fodia a morena de quatro Eduardo estava se explicando para a loira. “Não dá. Não consigo sabendo que aquele escroto esta fodendo no outro quarto.” Nhéc, nhéc, nhéc. Tum, tum, tum. “Meu Deus! Aquele animal deve estar esfregando aquele suor escroto nela. Como vocês se prestam a isso?” Cinco minutos depois que os barulhos pararam a morena entrou no quarto pelada e acabada carregando as roupas na mão. A loira fez cara de desespero e saiu. A morena entrou no banheiro e ligou o chuveiro. Os barulhos recomeçaram. Nhéc, nhéc, nhéc. Tum, tum, tum. Eduardo virou uma talagada da garrafa, passou sua comanda duas vezes no leitor digital e voltou para o bar. Seu Alceu apareceu carregando o paletó pelo dedo jogado nas costas e com a gravata enrolada no pescoço. E ele suava como um porco e fedia azedo. Os dois entraram no carro e foram embora. “Queria foder assim a Dona Marlene.” Quero muito te dar um soco na cara. Imbecil! Eduardo deixou Seu Alceu no estacionamento do prédio do escritório e foi para casa. Seu Alceu pegou seu carro e foi para a sua.

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Um drink no inferno

We own the night you and I
We’re gonna live forever
It’s in the starts we’ll never die
If we stay together
I feel the blood in my heart start pumping
Two souls in the throws of nothing
We own the night you and I
If we stay to
Stay together now

The 69 Eyes – We Own The Night

 

E aqui estou eu, às 7 h da manhã, cochilando em uma lanchonete da rodoviária, enquanto as duas mulheres que há algumas horas queriam me levar pra casa conversam como se fossem amigas de infância. Logo que descobrirem os problemas comigo que têm em comum, eu me tornarei o assunto preferido delas. Tudo o que eu queria agora era ir pra casa. Mas como foi que a minha noite foi terminar assim?

Deixa eu tentar me lembrar. Estava eu no meu apartamento, onde moro sozinho, quando a Silvana me mandou uma mensagem, perguntando se eu ia para uma festa que ia ter ontem: Um Drink no Inferno. É uma nova e melhorada versão de uma festa alternativa que já existia na cidade. Tem pouco tempo, mas já está ficando famosa na cena, e já tem muitas histórias. Ouvi dizer que a tal Ash, a garota que estava saindo com o Johnny desapareceu durante a segunda edição. Como a festa acontece num local totalmente isolado de tudo, não me admiro que esse tipo de coisa possa mesmo acontecer. Até porque, já ouvi muitos relatos de assaltos naquele morro de Laranjeiras. É preciso tomar muito cuidado e nunca ficar sozinho por ali. Eu disse que iria, e ela disse que queria me dar um presente, certamente com segundas intenções.

A idealizadora dessa nova versão era uma conhecida nossa, Vanessa, que trabalhava na Drink antiga, no Garage. Ela era famosa por ter memória fotográfica, e por usá-la em truques de cartas. Eu aprendi muita coisa com ela, como a mágica de cartas com moedas e o corte com uma mão só. Estranhamente, não a vimos mais desde que a nova festa estreou na Mansão Red Walls. A princípio, achei loucura uma festa realizada em uma mansão, em cima do morro, no meio do mato. Mais louco ainda achei quando vi que uma van iria buscar as pessoas na Rua Ceará e em outros pontos da cidade. Mas acabou dando muito certo.

Enfim, me arrumei com muito cuidado, como em todo sábado à noite, coloquei minhas lentes de contato brancas, fiquei muito tempo diante do espelho me maquiando, vesti minhas roupas trazidas de Londres e peguei o metrô para o Largo do Machado, onde esperaria a van especial. Era uma lua cheia grande e brilhante, e poucas nuvens finas passeavam à sua frente, como o véu de uma dançarina sensual e provocante, e principalmente misteriosa. Lá encontrei algumas pessoas vestidas de preto e, ao conversar com elas, descobri que pretendiam ir para lá também, mas ainda estavam céticas quanto a tal van. Porém, exatamente como eu havia prometido, alguns minutos depois lá estava nossa carona. Mas, para minha surpresa, não era a van que havia me levado outras vezes, era uma carruagem!

Ela chegou ao Largo do Machado puxada por dois cavalos negros e atraiu a atenção de todas as pessoas que lá estavam, sem exceção. Eu já achava impressionante a festa disponibilizar uma van com dois caras todas as vezes para buscar as pessoas em alguns pontos, mas essa foi demais! Seja lá onde conseguiram aquela carruagem, aquilo era um marketing muito mais agressivo. Os dois caras nos chamaram pra entrar, sabiam que íamos para lá só de olhar para nós. Pequenos degraus de metal desceram e nós subimos. Como das outras vezes, eles deram uma volta na praça, chamando quaisquer pessoas que lá estivessem, mas ninguém mais subiu. Muitas ficaram assustadas. Melhor assim, não precisamos nos apertar. Algumas delas até acabei encontrando na festa mais tarde, pois a carruagem faz várias viagens.

A subida sinuosa por ruas estreitas e mal iluminadas, em meio à mata atlântica, foi mais longa que o de costume, e muito mais desconfortável, visto que passamos por ruas de pedra portuguesa, e a carruagem balançava demais. Parecia o início de um filme de terror. Mas tenho que admitir que o transporte era de uma excentricidade extravagante, e que, somado ao meu visual tenebroso, potencializava os olhares de todos por quem passávamos, me enchendo de orgulho. Finalmente chegamos à mansão, no alto do morro. Não é só um nome, é uma mansão de verdade, com um espaço enorme na entrada, onde acontecem os shows, um salão de dois andares e, atrás, um quintal com piscina. Bons DJs, ótimas bandas, muita bebida e a sensação de estar em outra dimensão, isolada do mundo, imune à moral e aos bons costumes, isenta de julgamentos. E lá eu a encontrei novamente: Natasha.

Natasha é o retrato da juventude fatalista, um espírito revolucionário, com forte senso de justiça e uma visão crítica amarga da sociedade corrompida e irremediável. Sem medo, sem esperança, ela se entrega ao vício e à misantropia. E foi nessa ode à decadência que eu me perdi. Depois de tanto tempo entregue à futilidade e à luxúria, de ser chamado de Oceano Pacífico e Príncipe de Gelo, foram esses olhos amarelos e esse cabelo vermelho que derreteram o gelo do meu coração. Há muito tempo eu havia decidido enterrá-lo, mas ela o arrancou para fora, somente para pisar nele.

Agora, tudo o que quero é me livrar dela. Mas todo lugar aonde eu vou, lá está ela! E desta vez não foi diferente. Foi justamente nesta festa que nós nos beijamos pela primeira vez. Eu me senti vivo como nunca. Depois disso, saímos juntos algumas vezes, mas, quanto mais eu me envolvia, mais ela se afastava. Ela disse que não era um bom momento para se envolver com alguém. Logo depois, começou a namorar outro cara.

Ela estava usando um vestido com naipes de baralho. Ao encontra-la na festa, ela me apresentou o novo namorado, meio sem graça. Eu já sabia, já havia visto as fotos no Facebook, já havia me preparado emocionalmente para esse momento. Gostei do cara, ele parecia legal, e parecia não dar a mínima para ela, o que me fez gostar dele ainda mais. Talvez esse seja o segredo, ela tem medo de se sentir amada. Quando ele se afastou, ela me olhou e disse:

– Nunca ia dar certo entre a gente. Nós somos muito parecidos.

Eu apenas concordei. É o mais confortável no momento, acreditar que ela esteja certa. Mas, por incrível que pareça, ela parecia a pessoa mais desconfortável naquela situação.

E então chegou a Silvana. Há alguns dias ela vem me bombardeando com mensagens na internet, está na cara que está muito a fim de mim. Mas não faz meu tipo, definitivamente, e ficar com ela só faria mal para a nossa amizade. Ela é uma mulher muito legal, mas faz parte da minha natureza autodestrutiva gostar apenas das pessoas erradas. É verdade, Natasha tem razão! Somos muito parecidos. Ela estava muito feliz em me dar um presente que sabia que eu ia adorar. Era uma carta do baralho personalizado da Vanessa: o valete de copas. Eu sou fã da Vanessa, adoro truques de bar, conheço dezenas de coisas que se pode fazer para entreter pessoas em um bar, usando copos, palitos, guardanapos, garrafas e latinhas. Sou fanático por boemia e adoro baralho, bilhar e sinuca. Vanessa era a mestre dos truques de cartas e eu gostaria de saber pra onde teria ido, o que teria acontecido com ela.

– Eu a achei aqui na mansão, na última edição. Acho que você é mais digno que eu de guardar isto.

– Nossa, Silvana! Nem sei como agradecer! Vou colocar na parede do meu quarto até a Vanessa aparecer, e se ela permitir, depois disso também. Você tem certeza de que quer me dar isso?

– Claro! Vai ter um destino bem melhor com você! Ela estava guardada na gaveta do meu armário.

Mas quando fui pegar a carta, ela a puxou para si.

– Mas eu quero uma coisa em troca.

– O que?

– Um beijo.

Eu pensei em uma forma bem diplomática de recusar.

– Desculpe, Silvana, mas é que eu estou meio enrolado com alguém…

O que não era inteiramente mentira.

Ela disse que tudo bem e me deu a carta mesmo assim. Acho que ela já esperava por isso, afinal. Então eu a apresentei para a Natasha, e elas se deram muito bem. Tentei curtir um pouco a festa, bebendo e fumando à beira da piscina, dançando The 69 Eyes… Fui ver o show, era uma banda cover de Joy Division excelente. Encontrei alguns amigos, o Fábio, o Puppet, algumas ex-ficantes, e acabei voltando para perto da piscina, onde Natasha estava. Eu não estava conseguindo curtir a festa de verdade.

A essa altura, já havia várias pessoas bêbadas na piscina, e uma amiga da Silvana estava dando em cima de mim. O namorado da Natasha queria ir embora, mas ela queria ficar mais um pouco, ele acabou indo sozinho. Então ela pediu pra que eu não fosse embora sem ela. Sentei-me no canto enquanto observava a euforia da juventude ébria. Natasha se sentou ao meu lado e me ofereceu um cigarro. Eu aceitei, e estava tão bêbado que acabei me queimando nele. Ela me chamou de idiota e nós ficamos ali sentados em silêncio.  Poucos minutos depois, ela disse:

– Vamos embora?

Não fazia nem meia hora desde que o namorado dela tinha ido. Ela só queria se livrar dele! Por quê? Pra me torturar, aposto!

– Eu não quero ir agora. Ainda quero aproveitar mais a festa.

De repente me deu uma vontade de aproveitar a festa. E eu não podia fazer isso ali, perto daquelas três, Natasha, Silvana e sua amiga fura-olho. Subi para o segundo andar e comprei mais cigarros e bebida. Ao passar próximo à segunda escada, encontrei algo que me chamou a atenção. Era o isqueiro Jack Daniel`s do Cássio. Ele nunca se separava daquele isqueiro, e eu não o tinha visto ali naquela noite. O isqueiro estava cheio, resolvi levá-lo comigo para devolver ao Cássio. Fiquei andando pelo mezanino, olhando para a multidão lá embaixo, em busca de alguém interessante com quem eu poderia dançar e curtir. Deu certo da última vez aqui, quando eu saí de perto da Natasha e encontrei a Dani, ex-namorada do Cássio. Eis que percebi que alguém também me observava no mezanino. Virei-me e vi que era uma mulher atraente com um olhar misterioso. Morena, de cabelos negros e compridos, vestido preto e corpete.

– Você não é o Shadow, que está sempre na GB?

– Sim, sou eu. – respondi envaidecido.

Uma coisa que aprendi há anos sobre essas festas é que todos têm um desejo enorme de pertencer à cena, e, para algumas mulheres, a melhor forma de conseguir isso é saindo com alguma figura conhecida. Não era a primeira vez que isso acontecia comigo e eu sabia muito bem como aquela conversa ia terminar. Ela disse que me observava há um tempo e comprovou isso mencionando eventos em que eu estava presente, minha ex-namorada e que eu saí no jornal O Globo. Tantos detalhes, que até fiquei um pouco assustado.

Ela não me disse seu nome, disse que nomes não eram importantes, afinal, a maioria das pessoas ali usava nomes falsos. Pediu que eu a chamasse de Di (“Dái”). Depois disso, ela começou a filosofar, dizer coisas sobre o tipo de gente que frequentava “as festas”, futilidade, luxúria, eu não prestei muita atenção, estava observando seus lábios enquanto se moviam. Então ela me levou para o terceiro andar, o lugar mais isolado da mansão, o que me fez crer que tudo o que ela dizia era papo furado, do tipo “não me julgue, não sou uma vadia”.

Lá em cima havia um pequeno aposento onde um DJ praticamente se escondia, eu nem me lembrava de que existia essa pista. De qualquer forma, o DJ não era grande coisa. Tinha umas duas ou três pessoas lá, completamente bêbadas. Nós paramos no corredor e ela voltou com aquele papo estranho. Eu simplesmente concordei com tudo o que ela disse, cheguei bem perto e falei:

– Você me consideraria fútil se eu te desse um beijo agora?

Ela só fez que não com a cabeça, e eu a beijei. Di retribuiu intensamente, e me agarrou como uma selvagem. Depois disso não dissemos mais nada, apenas nos devoramos, rolando pela parede vermelha de bordel ou motel barato do corredor. Como eu esperava, ela não ofereceu nenhuma resistência, pelo contrário, ela queria um incêndio ainda mais que eu. Sem que eu percebesse, fomos parar em outro cômodo, que eu nem sabia que existia. Era uma suíte, tinha uma cama e uns armários. Como diabos eu nunca tinha visto aquele quarto ali antes? Estava escuro, mas pude ver algumas pessoas ali, que certamente estavam fazendo sexo, usando drogas ou as duas coisas. Num relance reconheci Cássio, sem camisa, como sempre. Ele estava com uma mulher. Lembrei-me de que foi na última edição a última vez que o vi. Ele me reconheceu e acenou para mim. Cássio é um homem muito bonito e sexy, tenho que admitir, há anos ele é o destruidor de corações do submundo, o homem sem coração, um demônio. Era tudo o que uma parte de mim queria ser. Mas foi nesse momento que eu me dei conta: eu estava me transformando nele bem rápido. Na última festa eu tinha ficado com a ex-namorada dele! Eu era exatamente igual a ele, daqui a alguns anos ele estaria velho demais e eu seria o seu sucessor. Mas, por incrível que pudesse parecer, essa revelação não me pareceu confortante. Era aquilo mesmo que eu queria pra mim?

Eu apertava a mulher misteriosa contra o armário, e aquilo já havia se prolongado por tempo demais, eu não sou nenhum adolescente, e não iria me contentar com aquilo. Então, me aproveitando da escuridão, abri um dos armários e a empurrei pra dentro. Lá dentro nós nos livramos de nossas roupas e nos devoramos, saciando nossa feroz libido. E foi incrível, ela tinha um controle fenomenal sobre o próprio corpo e me fez sentir prazer como nunca havia sentido antes.

Quando saímos do armário, exaustos, meus olhos já haviam se acostumado com a escuridão, e pude ver duas mulheres seminuas em cima da cama, se pegando.  Uma delas era a Ash, a ex do Johnny, que havia desaparecido. A mulher que estava com o Cássio agora estava fazendo uma carreira de branquinha em cima da mesa.

– Shadow, deixa eu te apresentar meus amigos. – disse a mulher misteriosa – Este é Cássio.

– Sim, já nos conhecemos.

Eu apertei sua mão, e lhe mostrei o isqueiro, mas ele disse que eu podia ficar com ele. Guardei o isqueiro no bolso, sentindo como se tivesse me passado sua coroa, e tive uma nova revelação. Não era por Natasha que eu estava apaixonado. Era por mim. Eu me amo demais, e uma parte de mim, lá no fundo, temendo meu destino trágico afundando em vício, tentou desesperadamente se prender a algo, alguém que, como eu, também estava se afogando.

Enquanto pensava tudo isso, tive a impressão de que a pele de Cássio estava pálida demais, e seu corpo, esquelético, como o retrato da morte. Di me apresentou às outras mulheres, e todas elas me pareciam agora cadáveres. A que estava dando uns “tiros” me ofereceu um pouco, e eu aceitei. As outras duas me puxaram pra cama, e Di disse:

– Sabe, Shadow, me desculpe por todo aquele papo lá embaixo, mas eu estava testando você. Queria saber se você era digno de fazer parte do nosso seleto grupo.

Nesse momento, a aparência dela mudou e eu a reconheci. Era Vanessa, a idealizadora da festa! A que havia desaparecido. Ela estava recrutando os “caídos” para uma cúpula. Vanessa mostrou um punhal, e, com ele, cortou o próprio pulso. Ela despejou seu sangue em um cálice negro e o ofereceu para mim.

– Agora, Shadow, beba do meu cálice e seja jovem para sempre como nós, no auge da sua beleza.

As duas mulheres que estavam na cama me abraçaram, uma de cada lado, e Ash disse:

– E fique aqui com a gente pra sempre.

Vanessa estava mais sexy do que nunca, com um corpete negro, que faziam seus seios pularem para fora.  Eu peguei o cálice de suas mãos e o ergui.

Um brinde à noite eterna!

E foi nesse instante que eu vi, por um segundo, um par de chifres de bode em sua cabeça, e de asas de morcego em suas costas. Seus olhos ficaram vermelhos como sangue.

– Espere um pouco. Vamos fazer uma aposta. – Eu disse.

– Uuuuhh. Adoro jogos! E o que vai ser?

– Eu aposto que consigo ganhar de você no seu jogo de memória.

Ela soltou uma gargalhada tenebrosa e respondeu:

– Muito bem, e o que vamos apostar?

– Se eu perder, fico aqui com vocês para sempre.

Vanessa mostrou seu sorriso sedutor enquanto agitava o sangue dentro do cálice.

– Mas, se eu ganhar,… Bom, eu vi o que você sabe fazer lá no armário… Você vai ser minha escrava até o dia em que eu morrer.

Ela mordeu o lábio inferior e pegou seu baralho personalizado.

– Então vai ser um jogo por nossas almas, que excitante!

Vanessa embaralhou o baralho.

– Muito bem…

E mostrou todas as cartas, uma a uma.

– Valete de copas. – ela ordenou

Eu olhei para ela com espanto.

– O valete de copas não está no baralho.

Ela soltou uma gargalhada sádica e disse:

– Então parece que você perdeu.

– Mas espera! O que é isso na sua orelha?

Estiquei meu braço em direção à sua orelha e fiz a carta deslizar da manga para minha mão. Então mostrei para ela o valete de copas que Silvana havia me dado.

– Mas o quê? Como fez isso?

– Bom, parece que eu ganhei, não é?

Ela olhou contrariada para Cássio, que parecia tão confuso quanto ela.

– Ainda não. Agora é a minha vez.

Determinada, Vanessa me passou o baralho e eu comecei a embaralhá-lo. Usei todos os truques de manipulação que eu conhecia para distraí-la e, quando cortei o baralho, mostrei minhas habilidades de corte com a mão esquerda, que ela mesma havia me ensinado, distraindo sua atenção da minha mão direita. Uni novamente o baralho e comecei a mostrar as cartas, mas ela me interrompeu.

– Não há necessidade disso. Apenas me dê o baralho e peça a carta que quiser.

Olhei para Cássio confuso e ele tinha um sorriso malicioso nos lábios, o que me deu um calafrio. Ele percebeu o que eu fiz com o baralho e não disse nada.  Aparentemente a habilidade especial de Vanessa ia além de mera memória fotográfica. Ela simplesmente pegou o baralho, sem olhar as cartas, sorriu e perguntou:

– E então, Shadow, qual é a carta?

Não importava qual carta eu dissesse, ela saberia onde estava, eu já havia a visto fazer isso várias vezes.

– Dama de copas.

Ela olhou para o baralho virado para baixo e seus olhos ficaram vermelhos novamente. Mas uma expressão de surpresa tomou conta de sua face.

– A dama de copas não está no baralho. Você a pegou!

Eu sorri vitorioso e respondi como ela:

– Então, parece que você perdeu.

Vanessa ficou furiosa e mostrou sua verdadeira forma, com chifres, asas presas e rabo. Eu levantei assustado da cadeira, e ela agarrou meu pescoço com força e me ergueu do chão. Cássio segurou o braço dela e disse:

– Vandella, não!  A aposta foi justa. E você perdeu. Lembra o que me disse sobre “O Código”?

Ela permaneceu um tempo aproveitando meu sofrimento, e finalmente me soltou. Eu caí no chão sufocado.  Agora podia ver claramente, todos eram cadáveres e estavam amaldiçoados , presos para sempre naquele quarto, que estava em outra dimensão. E percebi o grande erro que havia cometido em pedir que ela fosse minha escrava. Aqueles quatro jovens me rodeavam com seus corpos podres e, desta vez, com expressão de sofrimento e desespero. Eles ainda estavam presos àquela dimensão.

– Vanessa, Vandella, ou seja lá quem for, eu proponho uma troca.

Tirei da manga a dama de copas, enquanto ela observava atentamente.

– Eu liberto você, se você libertar essas almas que mantém neste quarto.

Ela mostrou um sorriso vingativo em seus lábios vermelhos, subiu na mesa e veio engatinhando devagar na minha direção, com aqueles seios enormes, , sem tirar seus olhos dos meus. Quando chegou bem perto, respondeu com uma voz sobrenatural e um hálito de cigarro mentolado:

– Nunca. Eles são meus. E é só questão de tempo até que você também seja.

Ela se transformou em uma luz vermelha e entrou na carta em minha mão. Olhei a dama de copas e vi que o desenho havia mudado, era agora o desenho de Vandella, a succubus, ela era minha agora, como uma carta do meu baralho Magic. Cada um dos outros jovens fez o mesmo, e entrou em uma das cartas do baralho. Eu fiquei sozinho no quarto, que agora parecia mais ameaçador do que nunca, as paredes vermelhas pareciam se mexer, como se eu estivesse dentro de um animal. Peguei o baralho e saí do quarto. Quando cheguei ao corredor, senti aquela sensação horrível me deixar, ouvi a música da pista ao lado, e parecia que eu havia voltado à Red Walls. Olhei para trás e a porta do quarto estava fechada. Desci as escadas enquanto olhava o baralho, que ainda estava em minhas mãos, com os jovens amaldiçoados ocupando quatro das cartas.

Lá fora, chamei Natasha para irmos embora, e Silvana veio junto. Na saída, Fábio brigou comigo indignado porque percebeu que a amiga da Silvana estava dando em cima de mim e eu não dei assunto.  A garota nem era ruim, mas eu não podia ficar com uma amiga da Silvana, não depois do que eu disse pra ela. Natasha e Silvana eram agora grandes amigas. Nós viemos parar na rodoviária, aqui estou eu, morrendo de sono, enquanto elas tomam café da manhã, felizes, inconscientemente tentando chamar minha atenção.

Natasha vai embora para casa e Silvana me leva até meu ponto. Eu entro no ônibus e ela grita meu nome.

– Eu ainda não desisti de você.

Eu sorrio sem graça e aceno enquanto o ônibus parte. Enquanto estou distraído olhando meu novo baralho com os rostos dos jovens amaldiçoados e penso no terrível destino que me aguarda, Silvana abre enormes asas de pássaro e voa em direção ao amanhecer.

Publicado por Sombra Posthuman em: Agenda | Tags: , , , , , , , , , , , ,
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Infográfico do sexo em Game of Thrones

Bom, todo mundo que já assistiu a um episódio de Game of Thrones sabe que não é o melhor programa para se assistir em família… afinal, é gente pelada a toda hora e gemeção louca nas cenas de sexo.

Bom, alguém resolveu colocar isso tudo em um infográfico. 🙂

infografico-sexo-game-of-trhones

click para ver o infográfico em tamanho maior

via Cool Material.

Publicado por The Gunslinger em: Notícias | Tags: , , ,

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