O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Prompt de Escritor

Prompt de Escritor

Textos e idéias para sua criatividade.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Fórum

Fórum

Ta bom, isso não é bem um fórum. :P

Projeto Conto em Conjunto

Projeto Conto em Conjunto

Contos em Conjunto em desenvolvimento!

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

>> Confira outros textos de Evandro Furtado

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
>> Fale com ONE <<

0

A cicatriz de um sorriso

Por uma longa estrada viajava um ônibus escolar com alguns estudantes de uma pequena cidade rumando a uma viajem até a cidade Santana onde visitariam um museu, todos dentro do ônibus conversavam e riam animados com a viagem. Era de manhã e o sol brilhava forte no interior do Paraná, o trecho pelo qual passavam agora era deserto, o dia parecia tranquilo e poucos carros trafegavam naquela região dando ao lugar uma paisagem quase natural. Tudo corria bem e sem preocupações até que perceberam que o trecho estava durando mais tempo do que julgavam ser o ideal, algo de errado tinha acontecido, os alunos eufóricos questionavam a professora que também demonstrava estranheza.

 

A professora acalmou os alunos e resolveu esperar mais até que fosse questionar o motorista. Mas a paciência se finou quando notaram estarem entrando em um caminho totalmente inesperado, ele era estreito e ladeado por muitas árvores velhas, a estrada era de terra e os arredores pareciam abandonados na medida em que se viam cabanas e casebres esquecidos além de vários animais magros e esqueletos de gado por alguns ambientes sem árvores.

 

Estranhando o que se passava os alunos alvoroçados pediram para que a professora fosse ver com o motorista o que estava acontecendo, e assim ela fez, levantou e andou até a cabine do motorista, quando abriu a porta viu o homem de farto bigode e boné vermelho escutando uma música estranha e alta no rádio enquanto cantarolava.

 

– Ei! Para onde você está indo? Este caminho não leva para Santana. – disse tentando sobrepor a voz ao som da música.

 

Por alguns segundos o motorista pareceu não ter ouvido o que a mulher disse, mas logo voltou seu olhar para ela e disse grosseiro – Não viu a placa mulher?! – disse apontando para um aviso que dizia “Não converse com o motorista” – Eu sei o que estou fazendo, sempre uso este atalho.

 

– Isso não pode ser um atalho, ou teríamos chegado mais rápido, agora já estamos atrasados. – questionou parecendo irritada por ter que falar tão alto.

 

O homem olhou para ela sarcástico, abriu um largo sorriso macabro e começou a rir freneticamente. Seus olhos pareciam refletir uma grande fogueira em chamas ardendo em uma madrugada sem lua. A professora se assustou com o homem e temeu que estivesse diante de alguém perigoso, rapidamente ela tentou sair da cabine, mas o motorista gargalhando alto usou de manobra brusca e deu um tranco no ônibus fazendo a mulher se desequilibrar e cair no chão com tamanha violência que a fez desmaiar.

 

Os alunos se assustaram com o movimento do ônibus. O som alto do rádio da cabine – alguma música desconhecida em ritmo monótono – ecoava pelo veículo. Passou-se mais um tempo e os estudantes começaram a se amedrontar, agora o lugar onde estavam era ainda mais deserto e nada conseguiam ver além de mato e pastos vazios. A demora da professora Odete fez com que uma grande conversa irrompe-se, até que um garoto de cabelos pretos subiu de pé no banco que estava sentado e conseguiu acalmar os colegas.

 

– Pessoal, temos que nos acalmar, vamos esperar a professora, ela foi falar com o motorista. – disse Fernando tentando ponderar.

 

– Mas Fernando – disse Alice, uma garota baixinha e ruiva – a professora foi até a cabine já faz mais de dez minutos, se aconteceu algo deve ser grave, devemos ir lá e perguntar o que está havendo.

 

Fernando e os demais terminaram por concordar com Alice, já que fazia muito tempo que a professora saiu e eles precisavam de respostas para o que estava acontecendo antes que o desespero tomasse conta das emoções de todos. Alice e Fernando levantaram e juntos foram até a porta da cabine, todos os observavam atentamente em profundo silencio, Alice tentou abrir a porta puxando a maçaneta, mas estava trancada. A garota olhou com estranheza para Fernando, em resposta o rapaz começou a bater na porta e chamar “Professora Odete! O que está havendo?” e logo a voz da professora surgiu do outro lado.

 

– Acalmem-se está tudo bem. Estou conversando com o motorista, não é nada demais, mas vocês devem ficar em seus lugares e esperar. – do outro lado da porta da cabine a mulher estava amarrada por cordas em suas mãos e pés, enquanto o motorista a ameaçava com um canivete em sua garganta obrigando-a a falar aquelas palavras, ele sorria macabramente enquanto Odete derramava lágrimas de desespero e horror. Enquanto isso uma segunda figura vestida em roupa preta e máscara que lembra um bico de corvo dirigia o veículo.

 

Após terem escutado a fala da professora acreditaram estar tudo bem, mal sabiam que todos naquele ônibus corriam um temível risco. Pela janela elem foram observando a paisagem estranha e abandonada, não havia sinal de civilização naquele lugar e os poucos animais que viam eram miseravelmente subnutridos havia também vários abutres e outras aves pousadas nas árvores velhas, algumas secas e cinzentas sem sinal de vida.

 

Agora começaram a perceber que estavam chegando a algum lugar ao passarem por um grande portal de ferro enferrujado cuja placa no topo levava uma inscrição feita com spray dizendo “Bem vindo ao Parque Fantasias”. A visão que se tinha do lugar era assustadora, o parque era um lugar abandonado, havia roda gigante, carrosséis, tendas e barracas, tudo muito velho e sem uso há anos, um arrepio subiu pela espinha dos alunos que observavam horrorizados e sem entender aquela paisagem. Todo o medo e angustia foi intensificado quando logo a frente da roda gigante, onde o ônibus parecia se destinar a parar viram a imagem sinistra de quatro figuras paradas vestidas em roupa preta e máscaras de palhaços, nas mãos cada um trazia um objeto, machado, pé-de-cabra, taco de beisebol e corrente, as armas estavam ensanguentadas e fizeram os estudantes dentro do ônibus entrarem em pânico levantando dos bancos, gritando e tentando de alguma maneira encontrar uma saída, uma forma de se livrarem daquela situação.

 

Em meio a toda confusão a porta da cabine do motorista se abriu violentamente e apavorados todos voltaram a sentar em seus lugares, da cabine saiu o motorista empunhando em uma das mãos um canivete e na outra segurava uma corda por aonde conduzia a professora de mãos atadas, o rosto de Odete estava cheio de feridas e cortes o que representou a tortura que sofreu nas mãos do homem atroz que lhe usava de refém.

 

Ao verem aquela cena os alunos paralisaram fitando o que viam com desespero e horror sem precedentes em suas vidas, a professora chorava e alunos começavam a chorar também, Fernando e Alice deram as mãos e se entreolharam com os corações acelerados e cheios de angustia. O homem liberou uma imensa gargalhada, que parecia ser fruto de quem escutará uma piada engraçadíssima, e passou seu olhar pelo os adolescentes como o de quem procurava algo.

 

– Que bom que estão quietinhos meus queridos jovens, mas quero dizer que toda essa monotonia é momentânea – neste momento o homem com máscara de corvo surgiu atrás dele e apanhou a professora, o homem então gesticulando com o canivete continuou falando – eu preparei uma surpresa incrível para vocês junto aos meus colegas. – agora ele andava entre o espaço que separava as duas filas de bancos e olhava um a um dos alunos que ficavam a beira de um enfarte quando o homem se aproximava – Ah! Já ia me esquecendo… meu nome é Penny, sou o chefe do parque, ou seja, o responsável por toda a DIVERÇÃO.

 

Com os braços abertos e um largo sorriso novamente ele gargalhou, seu riso penetrava nos ouvidos dos alunos e lhes enchiam de pavor, Fernando e Alice pareciam terem se unido em apenas um só, apertando firme suas mãos e tentando de toda a forma resistir ao medo agudo que Penny emitia. Depois de terminar sua gargalhada Penny fechou os braços e deixou seu semblante cair em tédio, com os ombros largados e os lábios murchos rodou 360° e berrou.

 

– Pinpim! Pinpim!

 

Logo ao terminar de falar uma das figuras mascaradas de lá de fora apanhou algumas coisas ao seu lado e entrou no ônibus, Penny deu um olhar de advertência cômico apontando o canivete.

 

– Que maus modos os nossos Pinpim, os convidados chegam e eu nem sequer estou vestido corretamente – Pinpim usava uma máscara de palhaço com a pintura borrada, sua roupa era um macacão preto e largo, na cintura estava pendurada sua corrente ensanguentada que arrastava ao chão conforme andava com as vestes de Penny nas mãos.

 

O palhaço macabro foi vestindo seu mestre, primeiro arrancou o bigode falso, vestiu-o com um smoking roxo desbotado todo esfarrapado e com uma aparência de velho, vestiu também uma cartola de mesmo estilo e calça – colocou a calça por cima da que usava – e apanhou uma bengala de madeira com o cabo redondo colorido com cores circenses. Penny agora tinha seu rosto muito pálido, como se até sua pele tivesse sido revestida, os lábios estavam roxos e os olhos continuavam a parecer refletir uma grande chama, ele ajeitou a cartola, abotoou o smoking e se apoiou imponente na bengala, e falou com uma voz agora rouca e frívola.

 

– Agora estou bem vestido! Mas vocês, com estas roupinhas brancas e iguais não me agradam. Que tal colocar um pouco mais de vermelho? – assim que terminou de falar o palhaço Pinpim agarrou a corrente e como um animal selvagem começou a grunhir e ficar em posição de quem atacaria apavorando os alunos – Não este vermelho Pinpim! – advertiu – Se fizermos isso agora, a diversão acabará rapidamente, temos que saborear este momento. – Penny sorriu novamente, mas sem gargalhar, todo o ar cômico do início parecia aos poucos estar minando dele e algo frio e denso se instalava ao seu redor repousando sob os reféns estudantes.

 

Bem ao lado dele uma garota se encolhia choramingando e implorando misericórdia agarrada a um rosário, ela fazia orações a seu deus e pedia com força dentre lágrimas que o divino lhe salvasse. Penny escutou os gemidos da garota e virou o rosto para observar, ele se aproximou mais e com a bengala cutucou a garota que paralisou ao sentir o toque, ela foi aos poucos levantando a cabeça, tremendo muito, apavorada e foi olhando para Penny que se abaixou colocando o rosto bem perto do dela, levou a sua mão até o rosário que ela segurava, a garota tentou resistir, mas Penny franziu o cenho ameaçador e a fez soltar o objeto. Penny levantou e levou o objeto sacro na altura de seus olhos fazendo sinal de negação com a cabeça, voltou a olhar para a garota desesperada.

 

– Sabe querida, tenho que te contar uma coisa. Seu deus não tem jurisdição aqui. – disse calmamente levando a garota a reagir.

 

– Você será punido! – disse com a voz fraca a garota imprudente.

 

– Punido? Por quem? – perguntou voltando a olhar para a garota mais de perto.

 

– Por DEUS, ele vai me salvar. – disse confiante com alguma esperança que se remexia em seu coração, ela realmente confiava no que dizia.

 

– Salvar do que? De toda a diversão que eu vou te dar? Que pena que você não quer se divertir – Penny falava pausadamente com sorrisos e olhares atrozes entre suas palavras – já que você quer tanto que deus te leve daqui eu vou permitir, para provar a você que eu sou bonzinho. Levante pequeno coelhinho – assim que Penny ordenou Mila se levantou, ela ainda tremia e não entendia o que estava se passando – agora você irá visitar o seu DEUS!

 

Assim que proferiu a última palavra Penny puxou o cabo de sua bengala, que era uma lâmina secreta, e violentamente a enterrou no abdome de Mila que urrou de dor ao sentir a apunhalada sem poder reagir, os colegas da garota ao verem a cena caíram em prantos, tremiam tanto que sentiam seus corpos sem forças. Penny sorria e remexia a lâmina enfincada na barriga da garota que cuspindo sangue desfaleceu e começou a cair para frente, o assassino sacou violentamente a faca lançando sangue nos que estavam pertos e deixou o corpo moribundo de Mila cair desfalecido no chão em um grande baque.

 

– Agora você irá visitar seu deus querida. – apertou forte o rosário em sua mão e o jogou sob o corpo da menina – Viram só? Ela não quis se divertir, mas aposto que vocês vão querer – ia limpando a lâmina em seu smoking – então para que vocês possam aproveitar cada segundos irão sair, e como eu dizia antes de ser interrompido pela pequena coelhinha, vocês irão se livrar destas roupas iguaizinhas e finalmente começar a brincadeira.

 

Penny fez com que todos se levantassem, os alunos soluçavam e choravam tanto que alguns estavam prestes a desmaiar, Fernando e Alice também, mas menos do que os outros, de mãos dadas foram seguindo os colegas que eram organizados em fila indiana. Um garoto gordinho de óculos chamado Enrique tropeçou na escada da porta e se esbabaçou no cão violentamente, Marcelo que estava próximo a ele tentou ajuda-lo a levantar, mas antes que pudesse o palhaço Pinpim lhe desferiu um violento golpe com a corrente levanto o garoto a berrar com a dor da batida, a fila travou e Pinpim ameaçou desferir mais uma vez, mas Marcelo pareceu perceber que não poderia tentar ajudar ou seria novamente golpeado, vermelho de dor saiu andando seguindo a fila enquanto Enrique foi sendo deixado para traz na medida em que tentava levantar recebia açoites do palhaço cada vez com mais intensidade horrorizando os colegas que passavam ao lado da cena repugnante.

 

Alice e Fernando se entreolharam e preferiram não trocar palavras, os outros palhaços observavam minuciosamente todos eles e não queriam arriscar passar pelo que seus colegas estavam passando. Na mente de Alice muitas coisas reviravam, ela se lembrava de sua casa, da família e pensava que agora estava distante de todos eles e impotente em poder fazer alguma coisa, afinal, aquele lugar era isolado e quase desconhecido, quando ela olhava para Fernando sua angústia se intensificava, ela sempre tivera com ele um laço muito forte e juntos passaram por muitas coisas, Fernando parecia ser a única coisa que lhe restava da vida naquele momento, era como se nele estivesse ligado seu último fio de alegria e Alice percebia que nos sentimentos de Fernando estavam as mesmas sensações, eles estavam definitivamente ligados e só tinham um ao outro.

 

Odete foi levada por um dos palhaços para outro lugar do parque enquanto os jovens eram conduzidos até o interior de um grande compartimento feito de ferro que com uma escada íngreme lavava para lugares subterrâneos, Penny e o Corvo iam atrás enquanto os outros três palhaços seguiam na vanguarda, agora a escada terminava e chegaram diante de um corredor escuro, os palhaços e o Corvo apanharam lamparinas que já estavam prontas em uma mesa e continuaram a andar, o clima ali era totalmente tenebroso, parecia ecoar lamúrias e gemidos como se atrás das portas houvesse coisas a suplicar.

 

Finalmente os palhaços pararam diante de uma ala com várias celas, onde violentamente com golpes e socos os palhaços foram tocando os adolescentes para dentro delas enquanto Penny gritava “Estes serão seus quartos, aqui vocês ficarão a enquanto não estiverem se divertindo” e logo todos estavam detrás de grades trancadas com grossos cadeados. Penny foi saindo junto aos palhaços dizendo “Até logo!!!” deixando sua gargalhada ecoar pelo escuro corredor, agora eles estavam divididos em duas celas com dez em cada uma, o medo e o pavor não lhes deram chance de no momento conversarem ou se perguntarem sobre o que estava acontecendo, eles simplesmente se acomodaram no lugar mal iluminado, sujo e pequeno por um longo tempo sem pronunciar uma única palavra.

 

Enquanto os jovens estavam encarcerados Penny e seus subordinados jaziam em uma enorme tenda perto da roda gigante onde os palhaços se punham em forma de círculo em volta de uma figura que se contorcia presa a uma cadeira, Penny manuseava alguns instrumentos sob uma mesa que pareciam serem peças de um arsenal de tortura, apanhou objeto por objeto, parecia insatisfeito, até que uma lâmina fina lhe chamou a atenção e despertou seu sorriso, era a ferramenta escolhida para iniciar seus trabalhos.

 

– Acenda a luz Pinpim!

 

O palhaço puxou uma corda que acendeu uma lâmpada em cima da cadeira onde estava o prisioneiro. Era a professora Odete, amordaçada com um pano, mãos e pés atados na cadeira, ela gemia, mas não tinha forças para lutar, seu corpo estava muito cansado e as feridas no rosto doíam. Ao ver Penny diante dela empunhando aquela lâmina ela voltou a se agitar, tentava sair de alguma forma, retorcendo-se, mas era em vão, seu desespero só despertou ainda mais a perversidade de Penny que saboreava a agonia da mulher.

 

Penny violentamente arrancou o pano que silenciava a mulher, ela pensou em gritar, mas ao ver o semblante ameaçador do psicopata em sua frente não viu reagir como uma boa opção, neste momento tudo que Odete desejava era não sentir dor, mas seus desejos eram totalmente contrários aos desejos de Penny que em sua mente maquiavélica planejava passo-a-passo sua diversão.

 

– Porque você está fazendo isso? – perguntou Odete ofegante.

 

– Porque é divertido, professora. Você não acha? – disse aproximando a lâmina no rosto da vítima.

 

– Pare com isso, me deixe ir, eu te imploro. – suplicou.

 

– Parece que você não está me reconhecendo. Estou tão diferente assim? – perguntou com um semblante desolado – Será que sempre serei tão diferente dos outros, mesmo depois de tantos anos?

 

– Do que você está falando? – Odete ficou indagando o que Penny estava insinuando.

 

– Ah que droga, parece que vou ter que refrescar sua memória – Penny vagarosamente se pôs atrás de Odete, foi aos poucos abaixando a cabeça e chegando perto do ouvido dela par sussurrar – Sempre que eu te perguntava porque não podia fazer meus desenhos e escrever minhas histórias você dizia “você não pode fazer isso Charles!” eu perguntava “porque?” e você dizia “não é normal”. Todo mundo sempre falando de ser ‘normal’, eu passei a odiar essa palavra.

 

As palavras de Penny reviraram a memória de Odete bruscamente, as pupilas dela se dilataram e a respiração ficou densa, “Charles”, este nome veio como uma corda que sufocava. Penny percebeu a reação da mulher e seu rosto caiu em sombras, apenas seus olhos escarlates eram visíveis. Ele pousou o punho que segurava a lâmina no ombro da mulher e começou a cantarolar.

 

– Charles, acalme-se, tudo que eu fiz foi para o seu bem. – ela falava rapidamente com desespero, a lâmina ainda mais perto de seu rosto – Aquela clínica que recomendei aos seus pais era para ajudar você.

 

– Eu não precisava de ajuda! – berrou, e depois começou a cantarolar novamente – Basta um sorriso teu e eu me sinto tão FELIZ – neste momento abruptamente ele colocou a lâmina na boca da mulher e lhe cortou a boca quase na altura de sua orelha direita fazendo-a urrar de dor, o sangue escorreu abundante, ela começou a balançar a cabeça para impedir que ele fizesse novamente, mas logo Pinpim se aproximou e agarrou com força a cabeça da mulher. Ela gritava muito, chorava, emanava sangue de sua nova ferida e Penny se mantinha apático se aproximando novamente do ouvido da mulher – Ah! Veja que divertido, vamos terminar seu sorriso, VAI FICAR LINDO, não acha professora? Seu rosto não será normal. – e novamente ele enfiou a lâmina na boca da mulher que tentava resistir, mas não conseguia, Pinpim agarrou pescoço e mandíbula da mulher com as mãos brutamente, a força do palhaço a impedia de reagir, e novamente Penny rasgou o outro canto da boca de Odete.

 

A cena erra terrível, a dor que Odete sentia era surreal, Penny se colocou a frente dela e pareceu examinar com olhar minucioso seu serviço e sorriu satisfeito e alegre, olhou para um dos outros palhaços que estavam em volta da cadeira e lhe apontou.

 

– Chezus. Deixarei o resto com você! Faça a sua parte, termine de alegrar a nossa visitante, que irei cuidar de um de nossos novos brinquedos.

 

O palhaço Chezus andava lentamente seu corpo era pesado e parecia ser feito de metal, ele era grande em todas as dimensões, sua respiração parecia mecânica e em suas mãos estava um novelo de linha de pescar e uma agulha fina e longa, enquanto Penny ia saindo da tenda Chezus foi se aproximando da mulher que esvaia sangue e berrava desesperada. Pinpim colocou uma de suas correntes em baixo da mandíbula da mulher e puxou sua cabeça para trás fazendo sua face ficar virada para o teto, a dor ficou ainda mais insuportável e a imagem do palhaço Chezus surgiu diante de seus olhos, ele colocou uma das mãos sob seu rosto, ela murmurava por misericórdia, mas Chezus parecia não ouvir, ele então começou a lentamente costurar as feridas deixadas por Penny submetendo-a a uma sessão de tortura ainda mais dolorosa e apavorante.

 

As celas do parque ficavam cada vez mais quentes na medida em que a manhã terminava e o sol saia, o calor e a exaustão invadiam os prisioneiros, alguns estavam desidratados e outros seguravam a necessidade de ir ao banheiro fazia horas. Fernando perambulava de um lado para outro na cela, matutava se havia como sair daquele lugar, Alice interveio.

 

– Você não deve ficar andando de um lado para outro, você precisa descansar. – disse ela encostando a mão no ombro dele.

 

Ele virou bruscamente com o rosto suado e semblante raivoso assustando Alice – Descansar? Aquele cara lá fora é louco, não irá nos poupar Alice!!

 

Os olhos da garota humedeceram e logo uma lágrima escorreu por seu rosto, ela sabia que Fernando sofria de alguns problemas e temia estar perdendo ele aos poucos, a mente de Fernando não ficaria sã por mais muito tempo sob tais condições.

 

– Tudo bem – disse desolada – eu só quero que você se acalme, não quero perde-lo.

 

Algo segurou a consciência de Fernando e a puxou novamente para a sanidade, ele percebeu que estava enfraquecendo e que sua cabeça o fizera magoar Alice, ele se culpava e se odiava ao mesmo tempo, odiava cair em descontrole em certos momentos e terminar por poder machucar quem ele gosta.

 

– Me perdoe Alice – disse ele com sinceridade e com um pouco de vergonha – eu não estou conseguindo suportar, as possibilidades vem na minha cabeça e me tiram do normal. Eu estou com medo e quero que possamos sair daqui!

 

O barulho de portas se abrindo e passos se aproximando ecoou pelo corredor das celas. Vinha o Corvo trazendo consigo uma grande foice e um saco preto, vinha também um palhaço chamado Marley, sua máscara tinha volumosos cabelos alaranjados, era magro, quase esquelético e trazia em sua mão um machado de cabo longo. O suor frio caiu pelo rosto dos adolescentes. Marley abriu uma fresta das grades por onde o Corvo jogou o saco preto. Dentro do saco haviam volumosas roupas de palhaços, brancas com bolinhas vermelhas as quais todos foram obrigados a vestir.

 

O Corvo e Marley observaram e após todos estarem vestidos abriram as celas, os jovens saíram sem entender. Foram conduzidos para fora e novamente avistaram o parque sinistro, alguns com esperanças observaram os arredores, mas não avistaram ninguém que poderia salvar-lhes e assim chegaram até um anfiteatro, igualmente velho e cheio de teias de aranha.

 

O interior do anfiteatro era escuro, morcegos e ratos guinchavam, viam-se baratas, moscas e outros insetos, fazendo o lugar parecer ainda mais repugnante e insalubre. Cada um sentou em uma cadeira que estava diante de um palco. Os palhaços observam atentamente de prontidão para interceptar qualquer reação, algo inútil, os jovens ali não tinham a mínima esperança de conseguir fugir, seus pensamentos eram voltados apenas em tentar sobreviver o máximo possível, estar nas mãos de uma criatura insana como Penny não criava nenhuma expectativa de salvação.

 

Algumas luzes do palco acenderam fracamente iluminando de maneira tênue o ambiente, a cortina se abriu levemente e por ela saiu Penny, com rosto sombreado e olhar escarlate, sorriso frívolo entre seus lábios roxos e uma aparente inquietude que fazia tremer seus lábios e acelerava o piscar de suas pálpebras. A figura do insano Penny era terrível na visão de seus reféns que ao visualizarem sentiam uma angustia intensa e um sentimento que faziam pensar em ceifar a própria vida imediatamente.

 

– Eu e meus colegas estivemos trabalhando duro para trazer um divertido show de marionetes de arrancar gargalhadas. Tenho certeza que todos vocês irão se divertir com o nosso trabalho. – Penny deu uma leve risada empolgada – Abram as cortinas!!!

 

Sob o comando de Penny as cortinas se abriram revelando uma cena repulsiva e agoniante: Mila, Enrique e Odete, em seus corpos grossos anzóis amarrados a linhas perfuravam profundamente suas peles, a boca dos três estavam costuradas. Mila estava morta, as pálpebras haviam sido arrancadas para manter abertos seus olhos que estavam esbugalhados e ensanguentados, ela vestia um vestido branco todo manchado de vermelho devido ao sangue que esvaia. Enrique ainda estava vivo, mas o mesmo havia sido feito com seus olhos, seu corpo inteiro estava machucado, o rosto esfolado e o cabelo todo cortado. Odete ainda vivia, mas a dor e toda a tortura a qual foi submetida parecia ter esvaziado toda sua consciência, seu olhar era morto e vazio, não apresentava reação, definitivamente ela tinha sido transformada em uma marionete.

 

Diante da cena, uma seção de vômito começou, os jovens suavam frio e tremiam demais. Fernando ofegava, Alice o amparava pedindo calma, sentia que a consciência de Fernando estava se perdendo e ela precisava resgata-lo. Os palhaços nada fizeram. As marionetes humanas começaram a ser manipuladas, seus controladores os faziam caminhar pelo palco e dançar uma música macabra que era tocada por uma caixinha de música que Penny tocava rodando a manivela, o psicopata se deliciava e se divertia.

 

– Agora a MariOdete irá indicar quem será o escolhido entre vocês para participar da brincadeira aqui em cima.

 

Odete, manipulada pelos fios rodopiou e andou molemente pelo palco, sua mão levantou para apontar uma garota da primeira fileira. A garota Vera estremeceu e ao perceber que o Corvo se aproximava ela começou a suplicar para que não fizesse nada com ela, mas o Corvo interceptou imediatamente a resistência da garota encostando rapidamente a ponta da foice contra o peito dela deixando cortar levemente fazendo escorrer uma gotícula de sangue. Percebendo a inutilidade em reagir a garota obedeceu levantando-se e sob escolta do Corvo subiu no palco onde Penny a esperava sorridente.

 

– Garota de sorte. MariOdete te escolheu para participar da brincadeira!

 

As marionetes humanas cercaram a garota indefesa apavorando-a, o cheiro da carne em decomposição de Mila e das feridas horrendas das demais vitimas produziam odor fétido, Penny chamou seus companheiros palhaços que subiram no palco, cada um apanhou do chão uma corrente que foram presas nos quatro membros de Vera trancados com cadeados, a corrente era curta e deixava-a com braços e pernas esticados impossibilitando movimentos, os reféns presenciando a cena sentiam que estavam diante de outra ação macabra de Penny.

 

Ao lado da garota ficaram Penny e Marley – único palhaço que não usava máscara e sim uma maquiagem borrada, ele mostrava dentes finos e afiados, uma boca ligeiramente maior do que o normal, sua língua era longa e bifurcada serpenteava como se dotasse de vida própria.

 

– A regra do jogo é: eu perguntarei três coisas a vocês – apontou com a bengala para a plateia – se vocês acertarem duas ela será desamarrada, se errarem… Haverá uma surpresa!

 

As marionetes agora eram conduzidas para a beira do palco, todas com as cabeças baixas e corpos inertes. Penny bateu com a bengala no chão como uma espécie de sinal que fez a cabeça da marionete de Enrique levantar a cabeça e aos poucos virar, examinando os presentes e por final fixando o olhar em Alice que ao perceber soltou um leve grito “Não!”. Lágrimas caiam do rosto de Enrique, por mais que a tortura psicológica e física de Penny o esvairá de plena consciência uma franja de sentimentos ainda reagia sutilmente em Enrique.

 

– Você foi a escolhida para responder a primeira pergunta. – neste momento o Corvo apareceu subitamente atrás de Alice e puxou-a pelo cabelo colocando a garota de pé – Vamos começar. Seu nome Alice me remete a uma fabulosa história que li, ela se chama “Alice no país das maravilhas” você já ouviu falar? – Alice confirmou – Você poderia me dizer o que o Chapeleiro Maluco diz sobre qual a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?

 

Alice indagou, mas não tinha tempo para entender a sutil provocação de seu sequestrador, pensando em salvar Vera de uma tortura imediatamente respondeu – Ele não faz a mínima ideia, este enigma nunca foi respondido.

 

Penny emburrou, fez bico, mas depois gargalhou – Esperta garota, você é muito esperta. Agora vamos para a próxima pergunta. MariOdete escolha por favor.

 

A marionete humana levantou a cabeça, olhou para um lado e para outro e finalmente apontou para o garoto Marcos cujas costas ainda doíam. Ele engoliu seco as pernas tremiam muito ao tentar levantar, mas Pinpim tratou de ajuda-lo surgindo por trás e passando a corrente em seu pescoço e bruscamente levantando-o. O pescoço de Marcos doeu muito e teve muita dificuldade em respirar, Pinpim afrouxou a corrente, mas ainda manteve envolta no pescoço do rapaz.

 

– Você responderá a próxima charada. Você é bom em mitologia?

 

– Não. – respondeu o garoto com sinceridade.

 

– Que pena – Penny sorriu agradado – Se você acertar a sua amiguinha já poderá ser liberada. Responda-me: O que é uma esfinge?

 

Marcos ficou aliviado, tinha a resposta na ponta da língua, chegou a deixar escapar um leve sorriso que fez com que Vera o olhasse com felicidade como quem olhava seu bem feito. Certo de saber a resposta ele falou – A Esfinge é uma estátua do Egito.

 

Penny estava de cabeça baixa e aos poucos foi erguendo, seu sorriso parecia estar mais aberto como nunca ninguém viu antes – A resposta está… ERRADA! – ouve surpresa em todo o recinto, Marcos chacoalhava a cabeça em negação – A esfinge é uma criatura mitológica, o que há no Egito é simplesmente uma estátua. Isso significa que a Boneca Mila escolherá quem vai responder a última e crucial charada.

 

A boneca cadavérica de Mila fez os mesmo movimentos de observação, e apontou com seus dedos ossudos e sangrentos para Fernando que soava frio e olhava freneticamente para todos os lado, ele estava totalmente fora de si e Alice tentava acalma-lo.

 

– Senhor Penny, por favor, escolha outro. Ele não está bem. – disse tentando secar o suor que emanava da testa de Fernando.

 

– Oh! Eu não posso fazer isso, foi a Boneca Mila quem escolheu e ele terá que responder. – o psicopata fechou os olhos e ficou em silêncio por alguns segundos ignorando as súplicas que Alice fazia, Pinpim chegou ao lado dela e a fez soltar de Fernando e calar a boca – Fernando, sua namoradinha respondeu corretamente se você for esperto fará como ela. Diga-me garoto: qual era a raça considerada a ideal para o nazista Adolf Hitler?

 

A pergunta era fácil, Fernando sabia, mas não escutou a pergunta, ele estava mergulhado em um poço de perdição e inconsciência, sua mente lhe trairá novamente, ele apenas soava e tremia, seus olhos estavam perdidos e as mãos apertadas uma a outra, naquele momento o corpo de Fernando estava vazio de sua essência e ele nada escutava ou sentia.

 

– Oh que pena. Se você não responder considerarei errado. – Penny se deliciava com a possibilidade.

 

– Eu sei! Deixe-me responder por ele!!! – gritou Alice.

 

– Alicinha, aprenda que ninguém pode fazer nada por ninguém, cada um deve ser construtor de seu destino. E como podemos ver o seu namoradinho não irá responder a minha pergunta e sendo assim, Vera terá de pagar uma prenda!

 

Vera gritou – Por favor, não me machuque!

 

Penny se afastou e Marley ficou de frente a garota com os dentes arreganhados e os olhos amarelos fixados em seu corpo. Algo começou vir de cima e Marley foi retirando as correntes da garota que se aliviou levemente, mas o palhaço não tirou a corrente que lhe prendia o pé direito. De cima uma pequena gaiola de ferro colocou-se envolta de Marley e Vera prendendo-os.

 

– Marley! O final da diversão é com você.

 

O palhaço segurou no pescoço da vitima que tentava esmurrar o agressor, os esforços eram em vão, afinal, Marley era muito maior e mais forte do que a pequena Vera. Sufocando-a tacou-lhe violentamente contra a grade. Marcos em um ato de coragem levantou-se da cadeira correu para o palco na tentativa de fazer algo por Vera, quando colocou o pé no primeiro degrau que levava para cima foi impedido pelo golpe da enorme foice do Corvo que enterrou em sua barriga e varou a ponta nas costas. A morte foi instantânea, Penny sorriu e os colegas do garoto quase desmaiaram, não podiam suportar aquilo que estava acontecendo, mas o pior ainda estava por vir. Na gaiola Marley batia forte em Vera que sangrava, o palhaço abriu a boca revelando seus dentes afiado e cravou no pescoço da vitima fazendo-a berra e se debater, a criatura começou a se comportar como um animal selvagem que captura a presa e a destroça com os dentes, matando dolorosamente a garota em uma agonia indescritível.

 

Alice chorava e chorava ainda mais por ver que definitivamente havia perdido Fernando que paralisado olhava para a cena sem demonstrar nenhum sentimento, ela tentou chama-lo, mas novamente reagiu agressivo repreendendo-a. A gaiola foi se erguendo, agora Vera estava horrorosamente estraçalhada por Marley que comia os pedaços lentamente. Penny lentamente fez-se fechar as cortinas rindo maravilhado com o desempenho de seu palhaço. Ele percebeu que muitos dos jovens estavam passando mal, mal conseguiam se levantar horrorizados com a seção de tortura, ele via seu objetivo aos poucos se cumprindo, todos estavam a cada segundo se esvaziando ficando cada vez mais parecidos com suas marionetes. Com um pequeno ódio ele constatou que a garota Alice dotava de resiliência, apenar de tudo que viu e passou permanecia consciente, logo Penny percebeu que precisaria de muito mais para esvazia-la.

 

– Espero que minha apresentação não tenha sido tediosa. Agora vocês irão comportados voltar para as celas aguardando nossa próxima atração.

 

Penny bateu palmas, o Corvo e os palhaços fizeram todos se levantarem, a áurea era densa, em todos só avia desesperança e medo, exceto pro Alice que tentava levantar Fernando que ainda permanecia imóvel, ela pedia a ele que levantasse, mas nada ele ouvia, Penny via a cena com satisfação.

 

– Deixe ele ai garota e volte para sua cela. – ordenou ameaçador.

 

Alice obedeceu e com uma grande dor no coração deixou Fernando para trás sob o olhar perigoso de Penny. Ela seguiu junto aos outros e durante todo o trajeto matutou em sua cabeça todo o tempo o que Penny faria com Fernando “Será que ele deixará Fernando voltar?” “Será que ele irá… Matá-lo.” Todas as possibilidades lhes angustiavam, Alice era forte, mas não encontrava em nenhum de seus moribundos amigos algum aliado com personalidade em comum, ela sabia que para se libertar precisaria de ajuda. Seus colegas apesar de desesperançados estavam com raiva e muito ódio de Penny e seus comparsas, tal sentimento crescia rigorosamente conforme as recordações daquela bizarra apresentação de marionetes vinham em suas mentes.

 

Futilmente as vidsa de Mila e de Marcos foram ceifadas, sem piedade pela lâmina do corvo, a professora Odete, Enrique tiveram que suportar bárbaras torturas físicas e naquele momento todos já registravam feridas da tortura psicológica. Simultaneamente todos travaram a caminhada que já se encontrava no centro do parque abandonado, os dois palhaços grunhiram e ameaçaram, mas foram percebendo que algo de errado estava acontecendo. Os alunos – cerca de dez – se viraram diante dos palhaços com os olhares sombrios, raivosos e muito corajosos, as ameaças dos sequestradores não os intimidaram e eles dispararam a correr para todos os lados do parque contatando que seus inimigos não conseguiriam alcança-los com facilidade, triste avaliação, os palhaços correram em igual – e até superior – velocidade desferindo golpes violentos contra eles, Alice foi laçada pela corrente de Pinpim e assim recapturada para o poder dos torturadores. Os demais alguns foram desmaiados pelos golpes de Chezus – que portava um taco de beisebol – e outros agonizavam morrendo pelos golpes de machado de Teddy – palhaço alto e corcunda. Quatro ou cinco conseguiram correr um pouco mais enquanto seguiam perseguidos por Chezus e Teddy. Alice que infelizmente havia sido acorrentada era brutalmente segurada por Pinpim que ofegava e arrastava ela de volta para dentro da tenda de onde vieram antes.

 

Pinpim logo relatou a Penny o ocorrido, o psicopata pareceu não ter se enraivecido, sentia algum prazer estranho ao escutar a noticia. Penny olhou fundo nos olhos de Alice, que soava e tremia muito, pois sabia que estava extremamente em dificultardes, Penny levantou o punho cerrado e violentamente desferiu um soco certeiro no rosto da garota desmaiando-a.

 

A noite levemente repousou-se no parque, os palhaços caçaram os fugitivos, mas encontraram apenas um deles, fato que irritou Penny, mas ele sabia que os limites do parque impediriam que eles fossem muito longe, aquele lugar remoto não oferecia refúgio seguro para ninguém, Teddy e Thezus continuaram a procurar enquanto Pinpim e Marley ouviam o sermão do chefe ameaçador que parecia ter os olhos incendiando de tanta raiva, Penny não admitiria perder sua diversão. Enquanto isso Alice se encontrava amarrada pelos quatro membros pendurada em uma parede de um lugar escuro e frio, aos poucos abriu os olhos, despertando de seu desmaio, a cabeça doía muito, ela se sentia fraca e extremamente amedrontada, suas esperanças de conseguir fugir acabaram, só restou lamentar e torcer para que sua morte demorasse a chegar e que fosse rápida quando chegasse.

 

Longos minutos Alice passou sem nada escutar ou ver, até que um ranger de porta ecoou dentro do recinto e logo a direita ela pode ver uma singela luz entrando. Passos foram adentrando o lugar, Alice tremia como nunca, de súbito luzes se acenderam iluminando o lugar, a luz abrupta confundiu a visão de Alice por alguns segundos e aos poucos ela foi conseguindo enxergar. Na sua frente havia um dos garotos que haviam fugido horas antes, o magro e pequeno Ricardo, ele estava pendurado de cabeça para baixo segurado por ganchos atravessados nos calcanhares, na boca havia uma mordaça e as mãos acorrentadas, ele vestia apenas uma bermuda larga e estava desacordado.

 

Pouca reação teve Alice ao ver a cena, tudo que presenciou neste período lhe anestesiou diante de outros horrores como aquele, seu medo real e perene era com quem estava ali diante dela e tinha o poder de fazer o que quiser, Penny, o maligno psicopata fitava a garota com seu sorriso perverso e os olhos escurecidos.

– Garota Alice, você e seus amigos causaram uma grande confusão. Ofereço diversão e vocês me retribuem com uma rebelião!!! – Penny alterou o tom de voz, falando com irritação e a voz mais estridente do que o normal – Mas você e esse rapazinho aqui não escaparam, quanto a seus coleguinhas farei de tudo para que meus palhacinhos os resgate.

 

– Você é repugnante! – disparou Alice – Sabe de uma coisa? Não tenho mais medo de você, nada mais pode me fazer sentir qualquer coisa…

 

Penny alargou seu sorriso como nunca e caiu em uma imensa gargalhada – Eu sabia! Eu sabia! Você finalmente me entendeu!

 

Alice franziu o cenho, confusa.

 

– Não é confortante se sentir assim? Eu me sinto assim como você está agora: vazio. Nada mais importa ou tem valor, só existe aquilo que você deseja lutar para realizar.

 

– Você é louco, insano, eu não sou igual a você. – esbravejou com os dentes cerrados.

 

– Claro que é… Bem pode ainda não ser igual a mim, mas ficará em breve.

 

– Eu jamais me igualarei a sua bestialidade.

 

– Minha bestialidade? Eu não criei nada disso querida, tudo não passa de uma condição natural que algumas pessoas tem de serem assim como nós, vazias e superiores.

 

O tom obscuro e confuso da conversa não penetrava com clareza na mente de Alice a cada segundo ela sentia mais firmemente que Penny era algo desprovido de qualquer humanidade.

 

– Seu namoradinho Fernando, sempre foi assim, mas nunca ninguém deixou ele despertar para a sua real identidade, como eu. Professores, tios, pais, psicólogos, todos dizendo o que você deve ser ou deixar de ser. – Penny viajava ao seu passado enquanto falava.

 

– Fernando não tem anda de parecido com você.

 

– Não? Você nuca sentiu algo de diferente nele? Algo como uma força que quando ele fica distante dos remédios se liberta e domina a mente dele.

 

Neste momento, antes que Alice defendesse Fernando a porta voltou a ranger e abriu-se. Era Pinpim e ele… Fernando, mas não aquele Fernando que Alice conhecia ordeiro e amigável, era um Fernando oco e sem vitalidade, pálido, com os olhos roxeados e os lábios entreabertos. Alice espantou-se com a fisionomia cadavérica do amigo, reflexo do veneno de Penny fluindo e destruindo cada centímetro de humanidade que ainda restava.

 

– O que você fez com ele? – disse chorosa.

 

– Eu não fiz nada! Somente o deixei ser aquilo que ele foi destinado. – Penny agarrou um dos braços moles de Fernando e o conduziu para perto de Alice. – Diga para ela que você é feliz agora, ninguém pode te dizer o que fazer.

 

– Alice – a fala saia com dificuldade – Venho comigo, se junte nós, vamos ficar aqui com Penny e trazer mais pessoas.

 

– O que fizeram com você Fernando?! Estes monstros te destruíram.

 

– Eles não são monstros, Penny e os outros são como eu, pessoas diferentes, tudo que eles querem é mostrar a pureza de nossas condições. Venha conosco, você poderá se descobrir também, Penny pode te ajudar.

 

– Viu só como o tio Penny é generoso? Eu deixarei os dois pombinhos ficarem juntos aqui, mas para isso você deve se converter. – Penny abraçou Fernando com o braço direito e sorriu cinicamente para Alice.

 

– Fernando, me escute – Alice percebeu que ela era a única âncora que ainda conectava Fernando ao mundo – volte para mim, eu sei que ai dentro ainda resta alguma coisa de você.

 

Penny desapreciou a fala de Alice ao ver despertar um brilho no olhar moribundo de Fernando enquanto ela falava ele, aos poucos foi se irritando e abruptamente levantou o cabo da bengala e golpeou o rosto da garota interceptando sua influência sob Fernando. Penny encheu-se de fúria segurou o rosto de Fernando e concentrou seu olhar no olhar dele e falou nervosamente.

 

– Agora sua mente é livre, Alice te desprezou, quer te tirar de junto de nós. Sendo assim ela deve ser punida… – Penny voltou o olhar para Alice – Nando mostre para ela que agora você é meu novo palhaço, você pertence a NÓS!!!

 

O veneno de Penny penetrou totalmente na consciência de Fernando, seus olhos perderam toda a luz e a pele ficou sem cor, mas na boca formou-se um largo sorriso, mas não um sorriso de alegria e sim de insanidade. Penny o largou e Nando virou-se olhando para Alice.

 

– Veja só garotinha. Por final eu não preciso de fios para que alguém se torne marionete – um baque irrompeu e o barulho de correntes descendo vieram do teto, eram gaiolas quadradas e pequenas penduradas, nelas estavam os corpos de Mila, Marcos, Vera (em estado repugnante). Enrique e Odete ainda vivos se debatiam e choravam – Veja eles, Alicinha não quiseram se tornar um de nós e você também não quer – Penny apontou o dedo para Alice e uma outra gaiola desceu do alto, estava vazia – Agora irá se juntar a eles, enquanto Nando ficará comigo.

 

– Desgraçado, repugnante e infeliz! – esbravejou Alice, Penny socou sua barriga com violência e começou a rir, ela perdeu o fôlego instantaneamente, o assassino continuou, ele esbofeteava e socava enquanto caia em deleite gargalhando.

 

– Sua vez Nando!!!!

 

Nando pegou a faca que Penny entregava e apunhalou na coxa direita de Alice, ela se contorcia, não conseguia gritar totalmente sem fôlego. Nando voltaria a apunhalar sua outra perna, mas o barulho da porta do recinto se abrindo chamou a atenção dele e de Penny, por ela entrou o Corvo e Pinpim desesperados.

 

– O que ouve? – perguntou Penny irritado pela interrupção – Interromperam a estreia de Nando.

 

– O parque está em chamas – disse uma voz feminina e ofegante que saia da máscara do Corvo.

 

– Em chamas? Como? – Penny se exaltou em ira.

 

– Fo-foram as… cri-cri-crianças. – respondeu o abobalhado e gago Pinpim.

 

– Chame os outros para ajudar a captura-los. – ordenou o mestre dos palhaços.

 

– Estão todos mortos, meu senhor… Estávamos perseguindo as crianças, mas eles armaram uma armadilha, levaram Teddy, Marley e Thezus para dentro do ônibus e tocaram fogo. – respondeu a Corvo.

 

Os olhos de Penny arregalaram entrando em chamas – Seus imbecis, inúteis! Como que três crianças conseguiram enganar vocês seus estúpidos?

 

– Nos per-perdoe mestre, te-temos que sair daqui ou vamos mo-morrer.

 

Atordoado o psicopata soltou Alice e junto a Fernando a conduziu com as mãos atadas para a saída. A Corvo e Pinpim foi seguindo-os, mas quando chegaram na porta, Penny, segurando Alice, deixou apenas Fernando passar. A Corvo e Pinpim olharam amedrontados para o chefe que estava no ápice de sua loucura.

 

– Vocês irão assar aqui como porcos dentro de um forno! Seus inúteis, agora eu terei novos palhaços.

 

Os capangas de Penny se agitaram e partiram para tentar sair, mas Penny fechou a porta rapidamente e Fernando trancou. Deixaram para trás os subordinados a baterem desesperadamente na porta gritando. O fogo já estava se alastrando por todo o parque, Penny se perguntava “Como não percebi isso?” sua insanidade e obsessão por torturar Alice lhe ensurdeceram, as chamas estavam devorando todo o parque, ele junto a Fernando e Alice iam tentando achar por onde sair, algumas passagens estavam interrompidas pelas chamas e destroços.

 

Após respirarem muita fumaça e quase não encontrarem uma porta os três saíram, Alice recobrava os movimentos e a consciência, suas mãos estavam amarradas na frente de seu corpo e Penny a segurava pelo pescoço, ela olhou com ódio para o psicopata que observava incrédulo a roda gigante em chamas.

Pela primeira dentro de Alice algo a fazia odiar Fernando, por mais que sabia que ele era doente, por mais que ela tenha convivido anos com ele e saber que dependia de remédios para manter-se consciente. Agora Alice tinha que ser forte e essa força não aparece de nenhum lugar, ela não pode encontrar, Alice tem que criar sua própria força.

 

Penny tossiu muito divido a fumaça que inalou, socorrendo-se acabou soltando Alice. A prisioneira viu então uma oportunidade afortunada de tentar escapar. Penny estava com a cabeça baixa tossindo muito com uma das mãos apoiada no joelho e a outra na boca, Alice juntou toda sua raiva, apertou as mãos – que estavam amarradas – uma contra a outra e com toda a força que pode concentrar e golpeou com força ímpar a cabeça de Penny que veio a cair no chão.

 

Penny soltou um grito que misturou-se com a tosse, Alice correu desesperadamente, Penny não tinha fôlego para persegui-la e então chamou a atenção do moribundo Fernando que logo disparou na captura de Alice, ele parecia um cão de cassa fungando com olhar fixado em sua presa.

 

Alice foi aos poucos perdendo as forças nas pernas e uma dor no estômago lhe agarrou, a exaustão estava fazendo-a chegar ao limite de sua capacidade física. Isso deu margem para Fernando se aproximar, para despista-lo correu para o meio das arvores afim de fazer com que ele a perdesse de vista dentro do matagal.

 

Fernando não se deixou enganar, apesar de denso o matagal era seco e cheio de galhos pelo chão permitindo-o escutar por onde ele andava. Alice esgueirou-se atrás de uma árvore onde conseguiu livrar-se das cordas – Penny havia amarrado mal, as pressas – ela escutou que Fernando estava se aproximando e então armou-se com um galho grosso que achou no chão. Ficou ali escondida como um animal que foge de um leão faminto, Fernando fungava e suava excessivamente, seu olhar escurecido examinava a escuridão.

 

– Onde está minha cordeirinha? – disse sádico com a voz arfante.

 

Alice percebeu que ele estava muito perto e que definitivamente havia se transformado em um monstro. Ela tomou fôlego e empunhou o galho, pronto para golpeá-lo caso precisasse. Era por volta das cinco e meia da madrugada e a escuridão começava a se dissipar.

 

– Alicinha volte comigo para o país das maravilhas. – Fernando sacou de trás de sua blusa uma faca enferrujada e pontiaguda – Você está atrasada para o chá.

 

Neste momento Alice tentou fazer um movimento, mas um galho seco acusou sua posição fazendo o olhar de Fernando direcionar-se diretamente para a arvore onde ela se amoitava, mesmo percebendo que ele havia detectado seu esconderijo Alice não tremeu, segurou ainda mais firme o galho e esperou.

– Eu não vou te machucar Alice. – gritou salivando – Tudo que eu queria era te mostrar como é boa a liberdade.

 

Fernando foi circundando vagarosamente a arvore com a faca empunhada, Alice o aguardava. Assim que se encontraram Alice lhe desferiu um violento golpe com o galho antes dele poder reagir, mas era um galho seco e cheio de cupins, ao ver que não o machucou virou-se para correr novamente, Fernando reagiu agarrando-a pela camiseta e tendo a oportunidade apontou a faca para as costas da garota, mas as forças dele não eram suficiente para conter totalmente a menina que debatia-se. Alice terminou por ficar com um corte doloroso no ombro direito.

 

– Chega de tentar fugir, fique comigo.

 

– Eu ficaria com o Fernando, mas você não é mais ele, é apenas um monstro.

 

Fernando atacou-a, ambos acabaram caindo ao chão. Ele por cima tentava enfiar a faca no peito de Alice que segurava o punho de Fernando com uma duas mãos. A mão esquerda de Alice tateava o chão em busca de algo, encontrou uma pedra, era grande e pontiaguda, agarrou-a e com toda sua força retirou Fernando de cima dela empurrando-o com as pernas, antes que ele voltasse a se recompor ela desferiu violentamente a pedra em sua testa duas vezes. Ela queria bater até matar, mas precisa fugir logo.

 

Alice correu em qualquer direção entre o matagal desnorteada, a fumaça do incêndio do parque era a única orientação que seguia, seus demais colegas poderiam estar lá, e Penny não parecia deter condições de apresentar perigo no momento. Após alguns minutos o sol já estava iluminando e iniciando o dia, sem fôlego e cheia de arranhões ela se deparou diante do ônibus em chamas.

 

Alguns colegas sobreviventes – três – enraivecidos estavam cercando Penny que tossia copiosamente, as cabeças torradas no incêndio dos palhaços foram colocadas em estadas de ferro. Matheus, um dos garotos, possuía um pedaço de encanamento de ferro na mão, tinha fogo nos olhos alimentado por muita raiva.

 

– Está preparado para pagar por sua insanidade?

 

– Eu pagar? Nada que você me cause será suficiente para se configurar em desprazer. – Penny sorria.

 

Alice estava furiosa, percebia que a cada segundo seus colegas fechavam mais o cerco em torno de Penny, todos armados, ela sentia ódio, tomou fôlego e chamou a atenção de todos.

 

– Este monstro – andou mancando na direção dos demais – deve pagar profundamente por cada um de nós que fez sofrer. Ele destruiu Fernando, fez ele se tornar um demônio.

 

– Eu não transformei Fernando em nada querida, eu apenas libertei o verdadeiro Fernando que vivia preso dentro do próprio corpo.

 

– Ele era doente, precisava de remédios, você não o libertou, você o destruiu!

 

– Fernando é igual a mim!!

Alice aproximou-se rapidamente de Matheus, apanhou o cano que ele segurava e disparou um forte e inesperado golpe na boca de Penny, os dentes do psicopata voaram da boca e o sangue escorreu abundante; não parecia dor, ele sorria e gargalhava com seus lábios vermelhos de sangue que escorria, a loucura de Penny transformava facilmente toda forma de sofrimento em prazer.

 

A reação do palhaço irritou Alice que voltou a golpeá-lo, uma, duas, três vezes, a cada batida sua risada se fazia mais alta, aguda e doentia, soava nos ouvidos dos que lhe cercavam como um poema frívolo que lembra a nebulosidade das mais pavorosas trevas. Os garotos, enojados e ferozes, brandiram suas armas e juntos à Alice desferiram impiedosamente repetidos golpes, havia barulho de ossos se partindo, sangue espirrando e os urros doentios com gargalhas de Penny.

 

– Vocês podem me matar, mas eu sempre existirei na memória de vocês. Nunca irão se esquecer… Do meu sorriso. – caído no chão, completamente destruído, ele gritou suas últimas palavras e morreu com uma sinistro, terrível e memorável sorriso no rosto.

 

As armas caíram das mãos dos garotos, entreolharam-se os quatro e abraçaram-se chorando, desesperados. As lágrimas representavam a tristeza e angústia por terem perdido tantas pessoas tão brutalmente e representavam também um alívio, chegará ao fim um pesadelo interminável e macabro que marcaria para todo o sempre a vida deles.

 

Os quatro recompuseram-se e tomaram coragem em voltar pela estrada de onde vieram pela primeira vez. Chorando constantemente e aliviando-se a cada passo que lhes distanciavam do parque. Alice tinha um turbilhão de sentimentos invadindo seu peito, ela não conseguia ficar feliz, afinal perdeu alguém especial para sempre, Fernando não morreu, ela tinha certeza, provavelmente o transtornado rapaz iria reconstruir o legado de Penny.

 

Após longa caminhada os quatro encontraram ajuda, uma viatura policial recuperou-os e levou de volta para casa. Os dias seguintes foram ainda difíceis, terem que prestar depoimentos e descrever os acontecimentos fez com que Alice revivesse cada momento e reproduzisse seus sentimentos.

 

O tempo passou e Alice guarda uma lembrança de Fernando que lhe apertava severamente seu coração. Temendo a volta dele, Alice e seus pais mudaram-se da cidade. Hoje Alice passa horas diante de sua janela observando o mundo e imaginando que em algum lugar Fernando está caminhando perdido entre suas loucuras.

 

Após dez anos Alice ainda frequenta psicólogo, não saiu da casa dos pais e tem constantes crises de choro, os rostos dos amigos que morreram aparecem diante dela todas as noites. Cravada em sua mente ficou para sempre a figura do sorriso de Penny não a deixando nunca se esquecer dele e todo o horror que causou.

Publicado por Bruno1Nobre em: Agenda | Tags: , , ,
13

Carne II – Ossos do Ofício – Final

Escritor: Sombra Posthuman

Ukobach

Ukobach

 

Esta publicação é continuação de Carne I – Esqueletos no Armário e Carne II – Ossos do Ofício – Parte 1 e é recomendada para maiores de 18 anos.

Blood on her skin
Dripping with sin
Do it again
Living Dead Girl
Blood on her skin
Dripping with sin
Do it again
Living Dead Girl

Bem longe dali, Elisa algema os pulsos de Leandro à cabeceira e os pés aos pés da cama.

(more…)

Publicado por Sombra Posthuman em: Agenda | Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
6

Carne II – Ossos do Ofício – Parte 1

Imagem de Albert Wesker retirada da página http://www.gaiaonline.com/profiles/chairman-a-wesker/31614599/

Imagem de Albert Wesker retirada da página http://www.gaiaonline.com/profiles/chairman-a-wesker/31614599/

 

Escritor: Sombra Posthuman

Recomendado para maiores de 18 anos.

 

Para ler antes, ou não:

Carne I – Esqueletos no Armário

 

I… I have this need

I need to see you bleed

I need to taste your brain

Oh God, it drives me insane

Come… come over here, my dear

There’s nothing for you to fear

I need a little piece of your head

So you too can be among the living dead…

 

O ritmo da música eletrônica enche o quarto, dividindo o pouco espaço do aposento com sangue e membros decepados. Elisa move seu corpo seguindo o ritmo, enquanto devora um braço que já pertenceu a um homem. O sangue respinga em sua lingerie branca, já cheia de manchas rubras. Ela se delicia com o momento, como se estivesse fazendo sexo. É uma sena grotesca, mas lambuzada de luxúria, porque para Elisa, isso é um orgasmo.

É o quarto de Mauro, que se transformou em uma câmara de horrores.

– Eu tô gostano desta cidade. – Ela diz com o sorriso de uma criança.

O telefone toca, Elisa larga o membro masculino que lhe dá tanto prazer, chupa os dedos e corre para a sala de calcinha e sutiã e suja como uma criança levada. Ela atende o telefone.

– Alou?…

– Olá, meu anjo, vai fazer alguma coisa hoje?

– Nadinha…

– Então eu vou passar pra te pegar mais tarde.

– Tá bom, vou ficar esperano.

– Vou te levar pra um lugar bem legal!

– Ah, é? Estou curiosa…

– É surpresa. Então até mais, gata.

– Até mais…

É noite,… um homem de batina, coturno e um chapéu preto anda pela cidade com ar de quem não sabe bem para onde está indo. Ele usa um grande crucifixo de prata e óculos escuros, e carrega uma maleta preta. Através dos óculos, olha para a TV em uma vitrine, onde está passando “O Corvo”.

– Victms… aren’t we all? – diz Brandon Lee.

– Cidade grande,…vai ser difícil te achar de novo, Lilith.

Ele continua andando, mas um cego, de rosto deformado, bloqueia sua passagem. Ele o empurra sem hesitar na direção da rua.

– Sai da frente, cego inútil!

O homem cai na rua, enquanto um carro vem rápido em sua direção, buzinando desesperadamente. O cego não tem tempo de reagir e permanece caído na escuridão, apenas ouvindo o som da morte se aproximando. Felizmente, o motorista consegue desviar. O homem da batina, no entanto, continua em seu caminho, sem nem mesmo olhar para trás. Ele se aproxima de uma igreja evangélica e ouve muita gritaria lá dentro.

– O fim está chegando, irmãos! Os sinais estão todos aí! É o fim dos tempos!

– Por mil diabos, assim nem consigo ouvir meus pensamentos!

Para diante da igreja e abaixa os óculos. Sua íris é vermelha como fogo e sua pupila é uma fenda vertical, como de gato. Ele olha para dentro da igreja e, sem razão aparente, o altar é coberto de chamas, juntamente com as roupas do pastor.

– Esses crentes são tão irritantes…

Um carro passa pela rua e as pessoas dentro dele nem se dão conta do que está acontecendo. É Leandro quem está dirigindo o carro, e Elisa está na carona.

– Que lugar é esse pra onde ocê vai me levar?

– Calma, meu anjo, isso é só mais tarde. Agora nós vamos beber e dançar um pouco.

Ele para o carro em frente a um lugar sujo e com pouca iluminação, que parece um galpão, com homens mal encarados fumando na frente. Eles entram e são recebidos por uma garota loira que aparenta ter uns 14 anos, com um short minúsculo e um decote bem ousado.

– Oi, Painho! Vai me pagar um drink?

– Não, hoje não, Gabi. Eu tenho companhia.

– Ok. – E sai sem dar a mínima.

– Painho? – repete Elisa com tom de deboche.

Eles se sentam a uma mesa no canto, e logo um homem barbudo com mais ou menos quarenta anos e cheio de ouro chega para cumprimentar Leandro. Neste momento, passa pela mesa uma mulher linda, usando um chapéu de caubói. Um pouco parecida com Elisa. Algo naquela mulher chama a atenção de Elisa de tal modo, que ela não consegue desgrudar o olhar da misteriosa mulher. A morena de chapéu deixa o estabelecimento e, enfim, Elisa sai do transe.

– Elisa, falei com você, meu anjo.

– Ah, sim, descurpe.

– Este aqui é o Pirata, meu parceiro de negócios.

– Muito prazer.

– O prazer é meu. É uma moça muito bonita!

– Muito agradecida.

– Tem notícias do Mauro? – Pergunta para Leandro.

– Não, desapareceu sem deixar rastro. Só deixou isso aqui pra mim. – Olha para Elisa sorrindo e ela sorri de volta sem prestar muita atenção no que ele está dizendo.

– E você acha pouco? Hehehehe

Uma garçonete traz algo para beber e Elisa bebe enquanto pensa na mulher que viu há pouco. Os homens estão conversando, mas ela permanece distante.

Alguns instantes depois, Leandro chama Elisa para dançar. Eles se levantam e começam a dançar ao som de The 69 Eyes – Dead Girls Are Easy.

Enquanto isso, em outra parte da cidade, o homem de batina toca a campainha em uma casa. O cachorro do vizinho não para de latir, o homem o encara por cima dos óculos escuros e o cachorro foge amedrontado. Um cabeludo tatuado abre a porta.

– Um padre? O que você quer aqui?

– Diego Silveira?

– Sou eu, e você quem é?

– Meu nome é Ukobach.

– Eu não acredito em Deus, tá legal?! – e começa a fechar a porta, mas Ukobach a segura.

– Eu quero saber onde está a mulher do baixo.

– Mulher do baixo, não sei do que cê ta falando, véi. Agora dá licença, que eu tô com o fogo ligado. – E força a porta para fechá-la, mas Ukobach chuta a porta com seu pesado coturno, abrindo-a mais e empurrando o homem para trás.

– Tá maluco?

Ukobach pega o homem pelos cabelos e o arrasta até a cozinha.

– Por que não disse logo? Não queremos desperdiçar gás! Eu sou um ótimo cozinheiro, sabia?

Diego grita e se debate, alcançando uma panela e bate na perna de Ukobach, que parece não sentir nada. Há uma chapa de metal fritando lingüiças e cebola em cima do fogão.

– O jantar está servido! – Ukobach empurra o rosto de Diego contra a chapa e ele solta um grito horrível de dor.

– Vou perguntar de novo, onde está a garota?

– Ah, eu não sei, véi, eu juro!

– Resposta errada. – E empurra novamente seu rosto contra a chapa. Depois o joga no chão. – A gente pode ficar aqui a noite toda! Vai ser muito divertido.

– Duas ruas pra trás, prédio verde, primeiro andar. Procura pela Dália, ela sabe da garota.

– Mas que covarde,… entregando uma mulher tão cedo! Eu disse que isso poderia durar a noite toda. Sabe, o padre dono desta batina resistiu mais.

Ele pega uma faca de cortar carne e corta o indicador da mão direita de Diego, que grita novamente.

– Ninguém gosta de dedo-duro!

Ukobach pega o dedo decepado do chão e guarda em sua maleta. Enquanto isso, Diego pega a faca e crava na perna do homem de batina, gritando “Desgraçado!”. Ukobach se vira e quebra o braço de Diego, fratura exposta. Volta à maleta, pega um gancho e vira novamente para Diego:

– Espero que não esteja mentindo.

– Aaaaaah, meu braço!

– Você não faria isso, faria? – Abaixa os óculos, fitando-o de perto com seus olhos demoníacos.

– Ah, meu deus!

– É, acho que não… Então me diga, já que você gosta de falar, qual é o nome da mulher do baixo?

– Eu te digo, mas, pelo amor de deus, me deixa em paz!

– Feito.

– O nome dela é Luana.

– Luana,… então esse é o nome que você está usando… Agora vamos brincar de açougueiro.

– Não! Você disse que ia me deixar em paz!

– Pelo amor de deus eu menti. – e crava o gancho no ventre de Diego.

De volta à boate, Elisa diz para Leandro que quer ir embora.

– Eu quero ver a surpresa que ocê tem pra mim.

– Está bem, então vamos.

Eles voltam para a mesa e Gabi está sentada no colo do Pirata com o seio esquerdo para fora da blusa em sua mão.

– Até mais, gente, a gente já tá indo. – diz Leandro.

– Mas já, tão cedo? Toma mais uma bebida! – responde o Pirata.

– Não, a gente vai continuar a festa em outro lugar. Nos vemos semana que vem.

Eles pegam o carro e Leandro pergunta:

– Quer parar em algum lugar pra comer alguma coisa?

-Não, eu quero ver logo esse lugar que ocê falou.

– Tem certeza? Não está com fome?

– Dá pra aguentar até mais tarde.

– Tá legal.

Eles se afastam da cidade e vão pro meio do nada. Mas, no meio do nada, se encontra uma luxuosa mansão.

– E aí, o que achou?

– Nossa! O que é isso?

– É o esconderijo que o Pirata me arranjou. Os negócios vão indo muito bem.

– Que legal, é demais de grande! Eu quero ver a casa por dentro!

Eles entram e Elisa corre a casa toda. Para de frente para a lareira e diz:

– Aqui é pra jogar os osso das pessoa, né?

– Elisa, você anda vendo filmes de terror demais!

Ela sai correndo, pois outra coisa chamou-lhe a atenção, enquanto Leandro observa a lareira, pensando seriamente numa nova possibilidade. Ouve um som metálico, se vira e vê Elisa segurando uma katana desembainhada, apontada para ele.

– Olha só o que eu achei!

– Muito cuidado com isso, está afiadíssima. E você não vai querer machucar este lindo corpinho, vai? – Coloca a espada de lado e acaricia seu rosto. – Vou te mostrar o nosso quarto.

Um homem de pseudo-moicano anda pela calçada de uma rua deserta com uma camisa camuflada, onde está escrito: “EXÉRCITO DE CRISTO”. Ele caminha, cantando um funk, quando vê folhas de jornal no chão e se inclina para olhar. É uma reportagem sobre o incêndio na igreja.

– Cacete!

Enquanto ele observa, inclinado, um morcego que estava pendurado em uma marquise atrás dele toma forma humana e o agarra por trás. Ele tenta reagir, mas relaxa quando recebe uma mordida no pescoço. O predador é a mulher de chapéu que Elisa viu na boate, mas ela está nua. A presa entra em um estado de êxtase e fica completamente mole, indefesa, enquanto a vampira o puxa para a sombra e suga todo o seu sangue pela jugular. Quando ela parece finalmente saciada, solta o corpo do homem, mas se surpreende ao ouvir uma voz.

– Olá, Lilith. – Um homem, aparentando uns trinta anos, cabelos negros em asa delta, roupas pretas e um crucifixo de madeira pendurado no pescoço, sai de trás de uma banca de jornal. – Venho observando você há um tempo. – Ela fica alerta como um animal ameaçado. – Vampiros realmente existem! – Ela começa a andar em sua direção, olhando em seus olhos. O homem saca uma pistola: – Não se aproxime. – Ela sorri. – Eu vim buscar você, Cabuçu deseja vê-la.

– Cabuçu? Ele está aqui?

– Chegou ontem e quer falar com você, por favor, venha comigo.

Luana se move como um raio e tira a arma da mão do homem, mas ao tentar estrangulá-lo, tem sua mão queimada misteriosamente. Ela geme de dor e salta para trás, segurando a mão, suas presas aparecem e seus olhos ficam vermelhos. Ela fita o homem, com raiva, mas ele não parece amedrontado.

– Eu não quis te ferir. Nem sei o que aconteceu. Tome, vista meu casaco. – Ele joga o casaco para ela.

– Você vai na frente, eu te sigo à distância.

Eles caminham por algum tempo, até que chegam a uma casa humilde. Ele entra e deixa a porta aberta, Luana entra em seguida. Sentado diante de uma mesa com vários livros está o velho deformado que foi empurrado por Ukobach. É um velho índio que usa óculos escuros.

– Senhor Cabuçu, trouxe a vampira, como me pediu.

– Lilian, ocê tá aí?

– O que houve com os seu rosto, Cabuçu?

– Ashur mandou um demônio atrás de mim, ele se chama Anamane. Mas não era meu destino morrer naquele dia. Perdi minha mãe e a visão, e fiquei com o rosto deformado.

– Eu sinto muito. O demônio também veio atrás de mim e eu também perdi uma pessoa querida.

– Você deve ter sofrido muito… Ashur deixou este mundo, e eu me preparei por todos esses anos para me vingar do demônio que levouseu irmão e a minha mãe.

– Você devia fazer como eu, Cabuçu, esquecer de tudo, deixar o passado para trás.

– Às vezes o passado te apunhala pelas costas, Lilian. O demônio está aqui em BH, veio atrás d’ocê novamente. Os espíritos ancestrais me disseram que vários destinos vão se reencontrar nesta cidade e que vida e morte estão nessa encruzilhada.

– Se ele veio me destruir, deixe que venha. Minha existência não possui nenhum propósito. Só o que faço é matar pessoas inocentes quando a fome se torna insuportável.

– O demônio não deve alcançar seu objetivo! Seja ele qual for!

– Eu lamento, Cabuçu, sou grata por você ter me ajudado a fugir de Turmalina, mas não vou ajudar na sua vingança. – Ela se vira e sai.

– Espera! Ele está indo atrás de você! É um demônio!

– Deixe, Ângelo! Ela não vai ajudar. Pelo menos não agora, os espíritos disseram que a mulher de Turmalina iria se unir a nós contra o demônio.

– Talvez ela mude de idéia.

Ukobach está diante de um prédio pequeno e simples, sem porteiro, quatro andares. Enquanto anda em direção à porta do prédio, as plantas do jardim murcham com a sua presença. Ele abre sua maleta e de dentro dela sai uma corrente enferrujada com elos de ganchos, como um enforcador de cachorros. A corrente se ergue no ar como uma serpente e tem várias agulhas na ponta. Essas agulhas entram na fechadura da porta e a abrem. Ele segue pelo corredor e faz o mesmo na porta do apartamento. Anda silenciosamente pela sala escura e é violentamente atingido na cabeça, caindo no chão imediatamente. Ele olha para os óculos quebrados no canto da sala e tenta se levantar, mas é atingido novamente pelo pedaço de madeira segurado por Dalila, uma jovem de moicano, cheia de tatuagens e piercings, usando um baby doll.

De repente, a madeira em sua mão começa a pegar fogo espontaneamente. Ela joga a madeira no chão, assustada. Ukobach se levanta.

– Você é Dalila?

– E você é o Demônio?

– Um deles. Mas não é você que eu quero. Vim lhe perguntar: onde está Luana? – Pega a maleta do chão calmamente.

– Que tipo de demônio é você, que não consegue achar uma garota?

Ele abre a maleta e dela saem quatro correntes, que seguram seus membros e a erguem no ar.

– Eu faço as perguntas aqui.

– Você tá perdendo seu tempo, cara!

– Eu tenho todo o tempo do mundo.

As correntes começam a se enroscar por suas pernas, até suas virilhas e a apertar. Dalila começa a gemer de dor.

– É bem mais divertido quando vocês não cooperam.

Correntes finas com pequenos ganchos se enroscam pelo seu tronco, rasgando sua blusa e sua pele.

– Dá pra perceber que você gosta de furar a própria pele. Acho que você vai adorar a nossa brincadeira!

– O prazer é todo seu!

As correntes finas envolvem e apertam seus seios e novas correntes prendem ganchos em todos os seus piercings: no nariz, nas orelhas, na boca, na língua, nas sobrancelhas, nas bochechas, nos mamilos, no umbigo e na vagina. E começam a puxar bem devagar. Ela geme novamente.

– Vou perguntar novamente: Onde está Luana?

Ela tenta dizer algo, mas as correntes na boca não permitem. Ukobach tira as correntes do lábio inferior e da língua.

– No seu rabo, filho da puta!

As correntes voltam, mas Dalila fecha a boca, impedindo que uma delas pegue o piercing da língua. Elas começam a esticar a pele da garota nos locais dos piercings e ela grita mais alto. Aos poucos, os piercings vão sendo arrancados um a um e Dalila grita de dor. Ukobach observa as gotas de sangue que pingam no chão até que todos os piercings são arrancados. Uma corrente se enrosca na boca de Dalila, impedindo que continue gritando.

– Parece que você perdeu todos os seus piercings. Vamos providenciar novos.

Várias correntes finas com pequenos ganchos na ponta saem de dentro da maleta e cravam em várias partes do corpo de Dalila. As correntes começam a puxar.

– É surpreendente a elasticidade da pele humana, não é?

As correntes vão esticando a pele aos poucos e a tortura continua por um bom tempo, até que a pele começa a arrebentar. E as correntes vão caindo uma a uma. Dalila geme de dor, não pode mais gritar.

– Eu poderia ficar a noite toda nisso, mas tenho outras coisas pra fazer, então vou te dar logo o que você tanto quer!

Ukobach sorri, enquanto uma corrente grossa sai de dentro da maleta. Sua ponta é formada por vários discos empilhados, como uma broca, com pequenos pregos apontados para fora, como uma clava. Cada disco gira em um movimento de rotação oposto ao anterior. A ferramenta faz um barulho infernal. Dalila arregala os olhos.

– Não seja tímida! Eu sei que você está ansiosa pra ter este instrumento dentro de si!

A broca se aproxima de Dalila e ela começa a se debater. Ela entra em seu short pela virilha e penetra entre suas pernas. Continua subindo até o útero, derramando uma grande quantidade de sangue no chão. Depois de algum tempo, a broca sai.

– Dalila, foi um grande prazer brincar com você. Eu me diverti tanto, que resolvi fazer um trato. Pare de resistir e junte-se a mim, eu pouparei sua vida e lhe concederei poderes incríveis. Nada poderá se colocar em nosso caminho. O que me diz?

A corrente que tapava a boca de Dalila é retirada. Seu rosto está machucado por causa dos ganchos de enforcador. Ela cospe sangue e fala com muita dificuldade:

– Vai pro inferno, seu corno! – Ukobach fica desapontado.

– Você primeiro.

A corrente volta para seu lugar e as pequenas poças de sangue do chão começam a se transformar em formigas africanas.

– Essas formigas entrarão pelos seus orifícios e lhe comerão lentamente por dentro. Aproveite cada segundo! Nada pessoal, são ossos do ofício.

As formigas sobem pelas correntes e pelas pernas de Dalila, até entrarem no seu short. Ela geme e se debate desesperada.

– Espero que não se importe se eu me ausentar, já vi esse espetáculo milhares de vezes.

Ele passa pelo corredor do apartamento e vai até o quarto de Dalila. Lá, ele encontra um flyer do show do dia seguinte.

– Já este espetáculo, eu não vou querer perder!

Publicado por Sombra Posthuman em: Agenda | Tags: , , , , , , , , , , , ,
38

A única tortura

Escritor: Gabriel Gomes da Cunha

a-unica-tortura

Cansaço e tontura. Era apenas o que ele sentia. Olhou para o céu, mas não havia céu, apenas o vazio. A escuridão era absoluta assim como o silêncio. Mas onde ele estava? Não se lembrava de nada, apenas de acordar naquele lugar. Lugar estranho e feio.

(more…)

Publicado por Aedescunha em: Contos | Tags: , , ,

Powered by WordPress. © 2009-2014 J. G. Valério