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Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
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Crime em andamento – Jim Knipfel

Imagem | Russell Christian

Imagem | Russell Christian

Tradução | Eder Capobianco Antimidia

Minha cabeça estava em outro lugar. Não deveria estar. Eu deveria ter prestado atenção ao que estava acontecendo ao meu redor, mas em vez disso estava pensando sobre A Genealogia da Moral de Nietzche, por algum motivo esquecido por Deus, bem como o velho Robert Klein¹ e o stand-up que vi na TV em 1976 (“Me dê o frango, porcolino!”). Os dois, até onde eu sabia, não estavam ligados de forma alguma. Em suma, minha mente estava em toda parte, menos onde deveria estar.

Eu não estava usando a bengala também, o que só multiplicou a estupidez. Ainda estava escuro. O sol não tinha nascido totalmente, e estava chovendo. Eu estava indo para oeste na 23rs St., e deveria ter pegado a maldita bengala, mas estava ocupado demais pensando sobre Robert Klein ter se inspirado nos filmes da Disney para me preocupar com isso. Eu só seguia em frente, de cabeça baixa, meu casaco aberto para a garoa, imaginando se meus pés sabiam bem o suficiente para onde tinham que me levar. Minha camisa estava com pizzas de suor.

Escutei algumas pessoas gritando mais a frente. Pensei pouco sobre isso, supondo que eram apenas as vozes dos lixeiros. Havia um caminhão de lixo arrastando a sujeira sentido oeste na calçada paralela a minha, e acabei de ligando as duas coisas. Lixeiros estavam sempre gritando uns com os outros.

Duas silhuetas estavam se movendo em minha direção pela escuridão, vindas do fim de uma longa fila de andaimes. Eu estava concentrando-me nas formas, tentando descobrir a melhor maneira de evitá-los, quando ouvi passos molhados se aproximando por trás de mim. Então do nada havia um homem do meu lado, com um guarda-chuva na mão. Meu passo vacilou por um instante.

“Oh”, ele disse. “Me desculpe”. Então ele se virou e correu de volta para o lugar de onde tinha vindo.

Eu não tinha idéia do porque ele poderia se desculpar. Ele não tinha me empurrado ou trombado em mim ou pego qualquer coisa. Quem sabe? Ele quase não desviou minha atenção do que acontecia. Eu olhava para o par de silhuetas na minha frente, então dei um passo para o lado e deixei eles passarem.

Com certeza tinha muita gente trafegando pela rua para 6:15 da manhã. E em ação, também, para um deprimente dia perdido. As pessoas estavam indo e vindo por todas as direções. Eu continuei fazendo meu caminho, passando pelos ambulantes, a banca de jornal e a estação do metrô, pensando sobre isso e aquilo, ainda muito deprimido comigo mesmo e deixando a mente a deriva.

“Basta dar o dinheiro a ele!”, um homem atrás de mim gritou. “O dinheiro! Apenas dê a porra do dinheiro para ele!” Escutei o som das pessoas correndo.

Olhar para trás para ver o que estava acontecendo a poucos metros de mim teria sido inútil. Rapidamente virei a esquina para a 7th Ave., abaixei a cabeça e continuei andando. Estava tudo certo agora.

Acho que só passei por um crime em andamento, pensei.

Era perfeitamente possível que não fosse um crime também – talvez tivesse sido uma simples transação de negócios, ou algum lixeiro resolvendo uma aposta no jogo dos Mets, mas preferia pensar que era algum tipo de crime, e que tiros irromperam o ar no momento que eu estava fora do alcance da voz.

Então comecei a me perguntar quantas vezes tropecei num crime em progresso sem perceber. Não me surpreenderia se tivesse acontecido várias vezes.

Algumas semanas atrás estava falando para um amigo meu sobre umas coisas que ele tinha escrito. Envolvia uma criança que começava a ficar obsessiva por crimes muito cedo. Não é que ela própria se torna uma criminosa, mas o crime e os criminosos começam a orbitar em torno dela, se aproximando e se tornando mais íntimo a cada ano que passa.

Foi uma idéia, como expliquei para ele, que bateu realmente perto do meu quintal. Eu estava obcecado com o crime como uma criança (ainda sou, eu acho). Mas como cresci, crimes reais e tangíveis começaram a cruzar minha vida de maneira estranha frequentemente.

Cresci a 40 milhas de onde Ed Gein² morou. Ensinava alemão para um nerd quando estava na escola, sem saber que ele só queria aprender alemão para impressionar seus companheiros da Irmandade Ariana. Um amigo que eu tinha desde o jardim de infância explodiu o próprio irmão. Outro amigo começou a conversar com a televisão e antes do que você imagina matou seis pessoas a tiros em um escritório no centro. Descobri que minha mãe cruzou com Charley Starkweather³ pela vida. Um cara chamado Jessie Lee Wise4 queria que eu o ajudasse a fazer sua carreira musical decolar, mas o fato de que ele estava no corredor da morte no Missouri tornou isso um pouco complicado. Conversei com ele 20 minutos antes que a agulha picasse ele. Ele pediu camarão no jantar.

Posso falar disso sem parar. Não era pela minha própria vida cheia de pequenos crimes, e todos os criminosos de uma forma ou de outra, na sua maioria de baixa renda, que eu havia me tornado insensível ao crime.

Eu não digo nada disso com orgulho – mas é assim que as coisas aconteceram. Eu sempre achei que o crime poderia ser interessante. Como se diz mesmo? Uma outra forma de trabalho duro5?

Enfim, bem, é por isso que não fiquei surpreso com tudo que estava acontecendo, de fato, quando passei por um crime em andamento na 23rd St. naquela manhã. Andei em canteiros de obras, desviei de balas – até do fogo – sem estar ciente disso. Afinal de contas, na maioria das vezes, os crimes são muito mais silenciosos do que as pessoas imaginam. Participar de um crime não teria sido nada demais. De menos, até. Apenas algo mais para acrescentar à lista.

1 – Robert Klein: Comediante, cantor e ator estadunidense famoso na televisão durante a década de 1970. (http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Klein). Um homônimo dele se envolveu em um processo contra a Walt Disney Company depois de ser demitido por justa causa por assédio sexual (http://www.hollywoodreporter.com/thr-esq/disneys-archivist-sues-company-firing-424852).

2 – Ed Gein: Ladrão de lápide de Wisconsin condenado pelo homicídio de duas pessoas, e suspeito no desaparecimento de outras cinco (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ed_Gein).

3 – Charley Starkweather: Foi um serial killer adolescente estadunidense que matou onze pessoas nos estados de Nebraska e Wyoming num período de dois meses, entre Dezembro de 1957 e Janeiro de 1958 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Starkweather).

4 – Jessie Lee Wise: Assassino condenado a pena capital por matar Geraldine Rose McDonald depois de um assalto, em 1988, no Missouri. (http://murderpedia.org/male.W/w1/wise-jessie-lee.htm).

5 – Referência ao filme O Segredo da Jóia (The Asphalt Jungle, 1950). Num determinado momento do filme, durante um dialogo, um ladrão justifica seus atos criminosos como uma forma de trabalho alternativo (http://en.wikiquote.org/wiki/The_Asphalt_Jungle).

Texto Original | http://www.missioncreep.com/slackjaw/2006/crime.htm

Sobre Jim Knipfel | http://en.wikipedia.org/wiki/Jim_Knipfel

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Canibal – Chuck Palahniuk

Desenho | Marco Wagner

Desenho | Marco Wagner

Tradução: Eder Capobianco Antimidia

Este é ele. Assim é como ele faz, o capitão do Red Team. Ele era tudo, “Escutem.” Ele está desesperado porque eles ainda estão escolhendo os times. Porque todas as boas escolhas já tinham sido feitas, o capitão diz, “Vamos fazer um acordo.” Ele cruza os braços sobre o peito, e o capitão do Red Team berra: “Vamos ficar com o Fumaça, o Quatro-Olhos e o Cucaracha – se você vai ficar com o Canibal”. porque a educação física esta quase acabando, o capitão do Blue Team pensa rápido, torcendo os pés contra o chão da quadra. O capitão berra de volta, “Nós ficamos com o Fumaça e o Quatro-Olhos, o Cucaracha, o Judeu, o Aleijado, o Manco e o Retardado – se você ficar com o Canibal.”

Porque quando você está na escola sabe o que as notas de Interação significam: Você faz parte dos rejeitados sociais? E quando eles dão uma nota para Esportes significa: Você marginaliza aqueles que são diferentes? Por causa disso o capitão do Red Team grita, “Vamos enfiar 100 pontos.”

Escutando isso, o capitão do Blue Team grita de volta, “Nós vamos enfiar um milhão.”

O Canibal, ele acha que é um figurão, por causa disso fica olhando fixamente para suas unhas, sorrindo e cheirando seus dedos, sem ter noção de como ele mantém todo mundo refém. Isso é o oposto de um leilão de escravos. E todo mundo sabe o que ele está pensando. Por causa do que a Márcia Sanders disse a todos. Ele esta pensando em um filme que não sai da sua cabeça, um filme preto-e-branco que ele viu na TV a Cabo, onde uma garçonete com cara de tacho, nos velhos tempos, fatia alguma coisa em um restaurante de beira de estrada. O Canibal estava pensando em como elas estalam suas bolas de chicletes, as garçonetes. Elas mascam o chiclete enquanto falam, “Me dê este gado morto na panela com o sangue ainda na faca.” Elas berravam, “Me dê o pedido da mulher original com um nervo na sua carne.”

Você sabia que era antigo porque na conversa do jantar dois ovos com torrada eram “Adam and Eve on a raft*”. E “mulher original” significava um pedido que se referia a alguma coisa da Bíblia. Um pedido como “Eve whit a lid on*” era a mesma coisa que torta de maçã por causa da história da serpente. porque nos dias de hoje ninguém, exceto Pat Robertson**, sabe alguma coisa sobre o Jardim do Éden. Por aqui, quando o capitão do time de beisebol fala sobre comer um pastel de pêlo, ele fala sobre cair de boca no pãozinho rosa, e ele realmente se gabava da sua língua lambendo aquele pãozinho sujo. As garotas tem suas próprias comidas, como quando falavam sobre Marcia Sanders ter um bolo no forno, que significa que o Chico não desceu.

De qualquer forma, muito do que sabia sobre sexo Canibal aprendeu com o canal da Playboy, onde as senhoras nunca estão de absorvente, então quando as crianças sussurram sobre afogar o ganso ou esconder a cobra num bolo de carne, eles sabem que isso é a mesma coisa que os coelhos fazem com as coelhinhas da Playboy, fazendo do mesmo jeito que uma cascavel treme sua língua para sentir o cheiro de algo que pretende morder no Animal Planet. O Canibal tinha visto uma notícia num deste programas de televisão. Sabe aquela foto, de uma antiga Miss América bebendo direto do copinho do cú. Estas fotos pervertidas dela vinham a confirmar que ela gostava de enfiar qualquer coisa para dentro, porque era isso que duas garotas sem um croquete de carne ou um careca lançador de iogurte fazem para consumar o casamento. Porque é isso que as garotas fazem, as vezes, quando suas periquitas precisam afogar o ganso.

Porque nunca ninguém explicou outra forma, ele estava pronto para entrar até o pescoço no furo do tacho da Marcia Sanders. porque seu pai, o velho Sr. Canibal, só assistia o canal da Playboy, e a Sra. Canibal só gostava do The 700 Club***, eles esqueceram de explicar para o seu garoto como coisas sobre sexo e o Cristianismo se parecem. Por isso a TV a cabo nunca falha. Quando você sintoniza e vê uma garota quase bonita, quase atuando num cenário, isso parece quase real, Canibal sabia que a história dela ia acabar com ela toda respingada. Ou isso, ou ela ia ter que sugar todo aquele suco de pau escorrendo pela sua cara. Sendo assim, o Canibal estava com o pinto alerta quando Marcia Sanders olhou para ele no dia dos direitos civis americanos. Não importava o quanto ele tentava esconder isso, sua pele já estava cheia de bolinhas de arrepios com a conversa do bolo na janta, que gritava pela janelinha. Do mesmo jeito que os católicos vão na igreja falar perversões para sua própria janelinha.

Porque não importa como eles o chamavam, sacanagens faziam o Canibal babar. Aquelas palavras que a imaginação transformava, como biscoito de bigode ou cortinas de carne, quando as crianças falam realmente significa um delicioso suflê. No ensino médio, quando eles matriculam você em Espirito Comunitário, significa: Você vai fazer coreografias e torcer nos jogos? E quando as crianças fazem piadas sobre o Canibal, elas estão falando sobre a vez em que Marcia Sanders era uma veterana prestes a se formar. Porque ela era a super musa, ela era a mais popular, e era a líder das estéricas e por causa disso ela era a presidente da classe e por causa disso ela era o prato perfeito. Porque ela não tinha nada no quarto período e ela era voluntária do dia dos direitos civis, quando se aproximou do Canibal, porque ele ainda estava na sétima série e porque ela sabia que ele nunca diria não porque estava chapado de puberdade.

Ela era tudo, “Você gostou do meu cabelo, não gostou?” Sua cabeça gingava e seu cabelo parecia de espaguete, e ela vai, “Estou com o cabelo mais longo do que nunca.”

A forma como ela falava soava como sacanagem, porque qualquer coisas soa como sacanagem quando sai da boca de uma garota sexy. E porque o Canibal não conhecia nenhuma melhor, o Canibal concordou com um encontro amoroso junto com Marcia Sanders na casa dela, porque o Sr. e a Sra. Sanders foram para a casa do lago naquele fim de semana. Ela pede para ele apenas porque ela diz que seu namorado, o capitão do time de todos os esportes, não vai usar ela como uma máscara de gás. Isso era ela, aqui está ela, ela diz isso, Marcia Sanders, ele diz, “Você realmente quer transar comigo, garoto?” E porque o Canibal não tem idéia do que isso significa, ele diz, “Sim!”

Por causa disso, então, ela diz para ele ir na sua casa depois do anoitecer no sábado, e chegar pela porta da cozinha porque ela tem uma reputação a zelar. E porque Marcia Sanders diz que ele pode ser seu namorado secreto, o Canibal não pensa duas vezes. Porque na escola de ensino médio Jefferson quando você se forma em Boa Cidadania significa: você lava as mãos depois de comer um par de coxinhas? Porque metade do tempo o Canibal não sabe no que esta pensando, ele vai no sábado a noite e Marcia Sanders prepara a cama king-size com colchão d’água do quarto de seus pais. Ela espalha duas camadas de toalhas de banho do outro lado do colchão e diz que é para encaixar sua cabeça no meio delas. Ela diz que não é para ele tirar a roupa, mas o Canibal vai pensar nisso mais tarde, porque ela abre o zíper da calça jeans e a joga nas costas de uma cadeira, e por causa disso ele olha a calcinha dela com tanta força que ela fala para ele fechar os olhos. Por causa disso Canibal finge não olhar ela se ajoelhar no trilho acolchoado na borda do colchão d’água, e ele pode ver porque chamam ela de pacote carnudo. Depois disso ele não conseguiu mais ver o pacote porque ela trançou a perna pelo se rosto e agachou até que o quarto se resumisse aquelas panquecas cobrindo tudo, exceto o som subaquático da voz de Marcia Sanders lhe dizendo o que fazer a seguir. Canibal encontra-se enfiado de cabeça no fundo do colchão d’água, com as abas de água em torno de seus ouvidos, ouvindo voltas como ondas no mar. Seu corpo estava tremendo da cabeça ao pé, ouvindo seu batimento cardíaco, ouvindo os batimentos de alguém. Por causa disso Marcia Sanders do nada diz para ele, “Chupa, já, seu boneco inflável estúpido!,” e o Canibal chupa.

Por causa disso ela diz, “Vamos acabar logo com isso!” ele chupa como quem quer entrar dentro dela para aspirar tudo.

O Canibal não pode ir para cima, porque quando as crianças dizem que suas pernas são grossas como troncos de árvores elas estão falando de um salgueiro. E quando o The 700 Club*** fala sobre satisfação, com histórias de vida inspiradoras, isso não é simples, porque quanto mais o Canibal suga mais difícil fica, porque a sucção esta sugando de volta. Porque ele esta lutando contra as entranhas molhadas dela neste cabo-de-guerra por nada. Canibal esta usando Marcia Sanders como uma máscara de gás, chupando como se ela fosse uma picada de cobra, com as coxas dela espremendo sua cabeça, ele não pode ouvir que ela estava gritando. Porque no canal da Playboy, quando ela esta gritando é porque você esta indo bem. O Canibal se apavorou porque aquele pãozinho sujo apertado cheira como qualquer coisa que sua mãe cozinha no andar de cima. Porque o pacote de carne na televisão nunca faz nada, o Canibal suga do mesmo jeito que um tornado no Canal do Tempo, que vai arrebentar a janela e virar a casa de cabeça para baixo.

Porque o Canibal nunca comeu um pãozinho rosa, ele pensa que o colchão d’água tem um vazamento porque eles escuta um estampido dentro da sua cabeça. É como o estampido do seu ouvido quando você sobe rápido no elevador até o topo da Torre Sears****. Como quando você explode uma bola de chiclete ou morde um tomate cereja maduro. Ele calcula que o colchão estourou por causa do que acontece depois, ele começa a tossir uma água que tem gosto de lágrima. Porque eram litros, como Tammy Faye Bakker***** que chorou centenas de anos por dentro, e porque o Canibal nunca devorou um pãozinho rosa e próxima coisa que ele pensou é que tinha matado ela porque todo caldinho dela estava descendo pela sua garganta. Porque ela esta gritando como carne mal passada num restaurante de caminhoneiro. Tudo isso acontece em não mais que duas batidas do coração, mas porque ele assistiu ao canal da Playboy a próxima coisa que o Canibal sabe é que tem que mandar todo aquele caldinho que esta jorrando daquela senhora direto para dentro. Porque ele viu aqueles vídeos aonde as senhoras jorram aquele caldinho depois de bater uma ciririca, grandes espumas, como as baleias no Animal Planet espirram, ou como aqueles barcos em chamas que passaram pela Estátua da Liberdade durante o Bicentennial Moment******. Porque ele viu os grandes jatos saindo da caverna da senhora indo direto para o carpete laranja-queijo onde eles estavam transando, como ele sempre viu nos filmes da Playboy, Canibal sabia o suficiente sobre caldinho de senhora para não cuspir nada, porque a pior maneira de insultar alguém é não engolir o que ela está servindo.

Porque sua única experiência com molhos de senhora é da TV a cabo, Canibal não percebe que um pedaço de alguma coisa sólida misturado naquilo. Não imediatamente. Porque batendo entre a sua língua e o céu da boca, agora, está um feijão de geleia com sabor de sal. É um tipo de feijão que tem gosto de água de conserva de picles. Esta batendo por todo lado como uma última azeitona num jarro de água fervendo. E porque é tão pequeno o Canibal simplesmente engole.

Porque metade do tempo o Canibal não sabe o que esta pensando, ele diz, “Você conseguiu.”

Marcia Sanders está tirando o absorvente da sua bolsa e diz: “Eu juro para você que não sabia.” Ela não tinha tirado seu top, e agora esta fechando a calça jeans.

E o Canibal diz, “Eu fiz você chegar lá.”

Ela abre a boca mas não diz coisa nenhuma porque a campainha da porta toca, e era o seu namorado real. Porque o Canibal fez Marcia Sanders jorrar tão forte que ela tem que tomar Tylenol e usar um trapo para tapar a buceta, Canibal sabe que é um garanhão. Por causa disso Marcia Sanders deve ter se gabado para Linda Reynolds, porque Linda Reynolds se insinua para ele do lado do prédio de química e pergunta se ele pode ser seu namorado secreto também. Porque o Canibal devora bolo de carne tão bem Patty Watson também quer um pouco de ação, porque ele faz com que cada pastel de pêlo jorre molho especial. Porque o caminho mais rápido para o coração de uma mulher é através do estômago de um homem.

Por causa disso, quanto poderia se importar um colegial em ter que levar isso para o resto da vida? E por causa disso o Canibal está dando a todas estas pessoas outra chance de serem virgens. Ele é o pequeno segredo sujo de todas, só que ele não é tão secreto. Porque ele não é tão pequeno, não mais. Por causa disso o Canibal esta vendo os erros que cometeu no ensino médio engordar, e Marcia Sanders diz que tem que mante-lo calado. Linda Reynolds acompanha Canibal num encontro atrás do Prédio Profissional, com uma barra de ferro para a cabeça dele, na sexta-feira a noite, porque o Canibal anda se gabando por aí, muito esperto para se dar bem, mas burro demais para saber que esta se dando mal. Porque agora quando o Canibal arrota, é o gosto de suas escolhas erradas que ele sente. E quando o Canibal peida cheira ao neto morto de seus pais.

Porque, se você acredita em Pat Robertson, The 700 Club*** diz que Jesus, certa vez, pediu para uma legião de espíritos sujos abandonar um homem aflito, e os demônios se foram como uma manada de porcos. Por causa disso que estes porcos se lançaram de um penhasco no mar da Galiléia, que é como Canibal tem que morrer. É o único caminho descente para seguir. Porque até os padres quando cometem pecados na janela da cozinha de uma igreja católica, quando estão cheios disso, até eles precisam ser destruídos. É por isso que um bode expiatório tem que ir para o abate. Porque você acredita que a evolução do mundo é apenas todo mundo cantando e saltitando numa estrada de tijolos amarelos em Technicolor, “Porque, porque, porque, porque, porque……..” Quando a real verdade esta no Velho Testamento, aonde as sete tribos andavam, perdidas, sempre dizendo: “Gerou, gerou, gerou, gerou, gerou….”

Por causa disso é que, talvez, Canibal vá para o Céu, desde que, exceto sua boca, ele ainda seja virgem.

Por causa disso é que na escola não importa quem o capitão do time escolha agora, nunca vai ser o Canibal, que personifica aquilo que, eventualmente, vem para todos nós, para dizer: “Dá-nos cinto de segurança e dar-nos o exame Papanicolau e nós vamos pegar a pobreza e nos vamos pegar a velhice, apenas não deixe o Canibal ficar do nosso lado. Não deixe a sombra do Canibal cair sobre nós.”

Escolhido os lados, o capitão do Red Team diz, “Vamos mandar para vocês nosso melhor arremessador….”

E nós vamos pegar as crianças que enfiam o dedo no nariz e comem. E nós vamos pegar o garoto que cheira a mijo. E nós vamos pegar o leproso, o satanista canhoto, o hemofílico infectado com AIDS, o hermafrodita e o pedófilo. Nós vamos pegar os viciados em drogas, e vamos pegar JPEGs do mundo ao invés do mundo, MP3 em vez de música, e vamos trocar a vida real para sentarmos num teclado. Nós vamos apontar sua felicidade e vamos apontar a humanidade, e nos vamos fazer sacrifícios piedosos se você manter o Canibal num canto.

Porque Marcia Sanders não gerou nada, seu namorado de verdade se formou e foi para Michigan fazer faculdade de contabilidade, por causa de tudo isso Patty Watson marcou um encontro com o Canibal na sexta a noite do lado do Prédio Profissional e Linda Reynolds disse que ela deveria levar um pé de cabra. E todas concordaram em usar luvas de látex. Por causa disso talvez todos eles possam voltar a jogar desde que o Canibal se foi.

– Publicado originalmente na revista Playboy dos Estados Unidos da América na edição de Maio de 2013. (http://www.playboyph.com/feature.php?feature_id=43#.U7LX2M1ax-b).

– Mais sobre Chuck Palahniuk | http://pt.wikipedia.org/wiki/Chuck_Palahniuk

– Notas do tradutor

* Referência a história bíblica de Adão e Eva e o pecado original. As traduções literais dos pratos seriam “Adão e Eva numa canoa” e “Eva com uma tampa”.

** Marion Gordon “Pat” Robertson (22 de março de 1930), pastor pentecostal, advogado e ex-candidato à presidência da República dos Estados Unidos pelo partido Republicano. Apresenta o programa Clube 700, fundou a rede de televisão TBN, Christian Broadcasting Network e a Christian Coalization, organização destinada a influenciar a política norte-americana. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pat_Robertson

*** Programa de televisão apresentado por Pat Robertson.

**** Sears Tower: maior arranha-céu dos Estados Unidos da América, localizado em Chicago, estado de Illinois. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Willis_Tower

***** Tammy Faye Bakker: pertencente ao Clube 700, e é uma atriz e cantora evangélica estadunidense que ficou marcada por chorar muito na televisão ao falar sobre a condenação a prisão de seu marido, Roe Messner, por envolvimento em crimes que envolviam abuso sexual e suborno nos Estados Unidos da América. Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Tammy_Faye_Messner

****** Bicentennial Moment: comemoração dos 200 anos da revolução americana, muito comemorado nas escolas. Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Bicentennial_Minutes

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Conselho para um jovem escritor (Tradução)

Danilo Kiš – Advice for the young writer
Tradução: Eder Capobianco (Antimidia)

– Duvide das ideologias estabelecidas e da elite.

– Mantenha-se longe das elites.

– Tenha cuidado para não contaminar seu discurso com linguagens ideológicas.

– Acredite que você é tão poderoso quanto os que estão no poder, mas não meça sua força com eles.

– Acredite que você pode falhar como os que estão no poder, mas não meça sua resistência com eles.

– Não acredite um utopias, exceto aquelas que você mesmo cria.

– Seja igualmente duro com as elites assim como com as massas.

– Tenha consciência tranquila pelos privilégios que a vida de escritor oferece.

– Não confunda as aflições de sua profissão com opressão de classes.

– Não seja obsessivo com a urgência da história e não acredite em metáforas sobre “o trem da história”.

– Não embarque, consequentemente, no “trem da história”, que não é nada senão uma metáfora boba.

– Mantenha isso em mente: “Quem consegue vencer frustra todo o resto”.

– Não escreva sobre viagens a países como um turista; não escreva sobre nenhum acontecimento, você não é jornalista.

– Não acredite em estatísticas, números, em declarações públicas: realidade é o que não se pode ver a olho nu.

– Não visite fábricas, “kolkhoz”*, obras: progresso é o que não se pode ver a olho nu.
*Termo russo usado para se referir as propriedades rurais coletivas, estabelecidas na antiga União Soviética. (Fonte: Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Kolkhoz).

– Não se preocupe com a economia, sociologia ou psicanálise.

– Não siga filosofias orientais, Zen Budista etc: você tem mais o que fazer.

– Tenha consciência que a fantasia é irmã da mentira, e portanto perigosa.

– Não se associe com nada: o escritor é sempre solitário.

– Não acredite em quem diz que este mundo é o pior dos possíveis.

– Não acredite em profetas, você é o profeta.

– Não faça profecias, a dúvida é sua arma.

– Tenha a consciência tranquila: a elite não podem te atingir por que você é a elite.

– Tenha a consciência tranquila: os operários não podem te atingir por que você é um operário.

– Saiba que o que não é dito pelos jornais não esta perdido para sempre.

– Não escreva de acordo com a ordem do dia.

– Não jogue todas suas cartas num único momento, você se arrependerá.

– Também não jogue suas cartas na eternidade, você lamentará de ter feito isso.

– Não se contente com o seu destino, apenas idiotas se contentam com isso.

– Se contente com o seu destino, você é o escolhido.

– Não procure justificativa moral para os traidores.

– Esteja tranquilo com a “absoluta perseverança”.

– Esteja tranquilo quanto as falsas analogias.

– Acredite em quem paga um alto preço pela suas inconsistências.

– Não acredite em quem paga um alto preço pela suas inconsistências.

– Não promova o relativismo dos valores: existe uma hierarquia de valores.

– Aceite os prêmios ofertados pela elite com indiferença, mas não faça nada para merece-los.

– Acredite que a linguagem que você escreve é a melhor linguagem de todas, para você não existe outra linguagem.

– Acredite que a linguagem que você escreve é a pior linguagem de todas, entretanto você não trocaria ela por nenhuma outra.

– Não seja servil, por que a elite tratará você como um empregado.

– Não seja arrogante, por que assim você vai se parecer com os empregados da elite.

– Não se deixe convencer de que sua literatura é inútil para a sociedade.

– Não pense que o que você escreve pode ser considerado “útil para sociedade”.

– Não pense que você ou suas coisas podem ser útil para os membros da sociedade.

– Não se deixe convencer por eles que por causa disso você é um parasita social.

– Acredite que suas palavras são mais valiosas do que os discursos dos políticos e da elite.

– Tenha uma opinião sobre tudo.

– Não diga sua opinião sobre tudo.

– Para você suas palavras não custam nada.

– Suas palavras são as coisas mais preciosas que você tem.

– Não represente sua nação, quem é você para querer representar qualquer coisa que não seja você mesmo?!

– Não seja oposição, ou siga junto a elite, você esta abaixo disso.

– Não se aproxime do governo ou da elite, você esta acima deles.

– Lute contra as injustiças sociais, mas não faça disso um manifesto.

– Não deixe que a luta contra as injustiças sociais desvie você de seu caminho.

– Conheça o pensamento dos outros, e descarte eles depois.

– Não invente programas políticos, não crie nenhum programa: você cria a partir do magma e do caos do universo.

– Seja cuidadoso com soluções finais mirabolantes.

– Não seja o escritor das minorias para as minorias.

– Assim com a sociedade te questiona sobre você, questione-se sobre o que você esta fazendo.

– Não escreva para um “grupo de leitores”: todos os leitores são o grupo.

– Não escreva para as elites, não existe elite; você é a elite.

– Não contemple a morte, e não esqueça que você é mortal.

– Não acredite na imortalidade dos escritores, isso é uma coisa sem sentido ensinada pelos professores.

– Não seja extremamente sério com o trágico, isso é cômico.

– Não seja um comediante, os ricos estão acostumados a usar eles apenas como entretenimento.

– Não seja o bobo da corte.

– Não acredite que sua escrita é a “consciência dos homens”: você já viu muitos filhos da puta.

– Não deixe que eles te persuadam a acreditar que você não é ninguém: você sabe que os ricos temem os poetas.

– Não morra por nenhum ideal, e não deixe que ninguém morra.

– Não seja um covarde e deprecie os covardes.

– Não se esqueça que o heroísmo cobra um alto preço.

– Não escreva para festas ou júbilos.

– Não escreva louvações, você vai se arrepender disso.

– Não escreva obituários aos heróis da nação, você vai se arrepender disso.

– Se você não puder falar a verdade – fique quieto!

– Se afaste das meias-verdades.

– Quando alguém esta celebrando alguma coisa próximo a você não há razão para você celebrar também.

– Não faça favor a elite e aos ricos.

– Não peça favores a elite e aos ricos.

– Não seja tolerante por cortesia.

– Não discuta sobre justiça com qualquer um: “não debata com imbecis.”

– Não acredite que todos tem razão igualmente e que gostos não se discutem.

– “Quando duas pessoas estão erradas em uma discussão não que dizer que alguma delas esta certa”. (Karl Popper)*
* Karl Raimund Popper (Viena, 28 de Julho de 1902 – Londres, 17 de Setembro de 1994) foi um filósofo austríaco naturalizado britânico. É considerado por muitos como o filósofo mais influente do século XX a tematizar a ciência. Foi também um filósofo social e político considerável, um defensor da democracia liberal e um oponente do totalitarismo. (Fonte: Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Popper)

– “Admitir que outra pessoa pode ter razão não nos protege de um grande perigo: acreditar que talvez todo mundo tenha razão”. (Karl Popper)

– Não discuta com idiotas sobre assuntos que eles ouviram pela primeira vez de você.

– Você não está em nenhuma missão.

– Tome cuidado com quem está em alguma missão.

– Não acredite na “opinião científica”.

– Não acredite na intuição.

– Tome cuidado com o cinismo, inclusive o seu.

– Evite ideologias com soluções mágicas e o “lugar comum”.

– Tenha coragem de dizer que o poema de Aragorn e a glória de Gepeua são uma blasfêmia.*
*Nota do tradutor: possível menção a J. R. R. Tolkien e a clássica trilogia Senhor dos Anéis (informação que carece de mais pesquisa).

– Não se deixe convencer que na polêmica entre Sartre e Camus os dois tem razão.

– Não acredite na escrita automatizada e na “inconsciência consciente” – você busca a transparência.

– Rejeite todas as escolas literárias que forem impostas a você.

– Quando o “socialismo real” for mencionado abandone a conversa.

– Quando o tema da conversa for “literatura social engajada” permaneça em silêncio absoluto: deixe esta discussão para os professores.

– Aos que compararem campos de concentração nazistas a prisão de Sante* mande-os “caçar coquinho”.
*Prisão La Sante (França): Esta prisão ficou famosa pela sua falta de condições. Os detidos eram obrigados a viver em celas cheias de ratos e piolhos, e alguns dos prisioneiros ficaram literalmente loucos. (Fonte: Dementia.pt –http://www.dementia.pt/10-prisoes-mais-perigosas-do-mundo/)

– Aos que disserem que “Kolyma”* foi pior que Auschwitz mende-os ao inferno.
*Região extrema da Sibéria, Rússia. Durante os anos de governo de Stalin presos políticos ou inimigos do partido eram enviados para lá no campo de concentração de Gulag. (Fonte: Wikipédia – http://en.wikipedia.org/wiki/Kolyma)

– Como quem disser que apenas pulgas foram exterminadas em Auschwitz – proceda do mesmo modo que com os citados acima.

Danilo Kiš

Danilo Kiš (Fevereiro 22, 1935 – Outubro 15, 1989) foi um escritor iugoslavo/sérvio. O texto “Advice for the young writer” foi publicado no livro Homo Poeticus, 1983, que consiste numa coletânea de ensaios e entrevistas concedidas por ele.

Fontes

Wikipédia (http://en.wikipedia.org/wiki/Danilo_Ki%C5%A1)
Danilo Kis.org (http://www.danilokis.org/en.htm)

Links

Texto em inglês: http://writingmaniacs.wordpress.com/danilo-kis-advice-for-the-young-writer
Texto em espanhol: http://elpais.com/diario/1985/03/10/opinion/479257215_850215.html                                                       Texto em português: http://antimidiablog.wordpress.com/2012/05/20/danilo-kis-advice-for-the-young-writer

 

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Porque não conseguimos contato com ETs

ETs: Alô?

Humanos: Alô?

ETs: Alô Terra! Que bom que vocês entraram em contato. Estamos muito felizes que vocês acharam o Transcomunicador Interestelar 8.5 (com Autotranslator ®) que mandamos para vocês. Demorou, mas finalmente chegou. Bem vindos à nossa rede galáctica de comunicação. Estamos ansiosos por trocar experiências e aprender sobre a sua história e cultura. Conte-nos sobre vocês.

Humanos: Alá?

ETs: Lá onde? Ah… o Autotranslator deve estar se configurando ainda, leva um tempinho para ele funcionar direito. Vocês não receberam nossa última mensagem? Bom, não tem problema, às vezes a comunicação morre, mas logo volta. Deem uma olhada se a antena (uma peça um pouco grande em forma de pirâmide que veio junto com o Transcomunicador) está em um local aberto e de preferência apontando para Orion, isso ajuda bastante. Estávamos dizendo que estamos muito felizes por estarmos falando com vocês. Como é a Terra? Estamos ansiosos por saber. Queremos muito trocar experiências então, por favor, nos conte sobre vocês, seu planeta e seu sol.

Humanos: Rá Deus Sol, todo poderoso. Já construímos as pirâmides gigantes, mas as pessoas continuam morrendo e não voltam. Continuamos esperando pela bênção da vida eterna.

ETs: Bom, a gente não sabe o que ou quem é esse tal Rá. Vai ver o Autotranslator está com algum problema. Parece que tem uma versão nova que vai ser lançada logo. Espera ai? Vocês estão falando sobre a gente? Não, não, vocês não entenderam. Não somos Deuses nem temos poderes, é tudo baseado em matemática, geometria, trigonometria, engenharia, essas coisas, sabe? Alias, somos bem fraquinhos perto das outras espécies, não conseguimos pular muito, não jogamos coisas longe e mal conseguimos correr. O Record do nosso melhor campeão foi de só 42 km, quase nada. Quando puderem mandem uma foto das pirâmides para a gente ver como ficou e nos mantenha informado sobre esse lance de ressurreição e vida eterna. Temos interesse nisso também.

Humanos: Zeus reis dos imortais, em sua honra e homenagem, estamos correndo os 42 km ao redor de formas geometricamente perfeitas. Por favor, nos ajude a destruir os Troianos.

ETs: Não, não. Já falamos que não somos Deus. E Deus é um “D” e não com “Z”. Deve ser essa porcaria do Autotranslator de novo, tomara que eles construam essa atualização a tempo. Nós somos seres mortais como vocês, pelo jeito até mais fracos. Moramos na quarta luas do terceiro planeta do sistema de Mu Arae que fica ao sul do Escorpião e a oeste de Virgem. É um planeta bem grande, parecido com o seu Júpiter.

Humanos: Grande Júpiter! Já construímos templo e estamos sacrificando periodicamente as virgens com picadas de escorpiões como você nos ordenou. Por favor, nos ajude a dominar o mundo.

ETs: Gente, o que é isso? De onde vocês tiraram essa ideia de que tem que sacrificar virgens? Não é nada disso! Foi essa porcaria de Autotranslator de novo! E essa versão 8.6 que não sai nunca. Verifiquem se o colisor de partículas de gálio está soldado direitinho, deve ter algum mau contato lá. De qualquer forma, estamos impressionados que ainda existam virgens ai, não vão sair matando todas porque elas estão quase extintas na galáxia. Lutamos muito para preserva-las, mas parece que as poucas que sobraram estão em um sistema estrelar na constelação Leão.

Humanos: Grande Júpiter. Já construímos o Coliseu, colocamos os gladiadores e soldados para lutarem até a extinção e damos as sobras para os leões como você nos comandou. Também paramos de matar as virgens, mas elas não são mais virgens.

ETs: Esse bendito Autotranslator de novo. Já abrimos um chamado no site do fabricante, mas eles ficam em um planeta no sistema tríplice de Acrux na constelação do Cruzeiro e a resposta vai demorar. Mas acreditamos que a salvação vai ser mesmo o upgrade. Enquanto isso experimentem fixar o comunicador em algum lugar para ver se melhora um pouco. E mais uma coisa: não matem mais ninguém.

Humanos: Certo. Pregamos o que comunicava a salvação na cruz, mas a situação se agravou. Ele ressuscitou e disse que era o filho de Deus e que se a gente não se arrepender vamos todos para o inferno. O que fazemos agora?

ETs: Barbaridade! Pregaram o cara na cruz! Chega a ser difícil de crer. Bom, pelo menos ele ressuscitou e está prometendo uma viajem para vocês. Nos não sabemos onde esse tal de inferno fica, mas se vocês descobrirem nos mandem as coordenadas. Temos diversos cruzadores interestelar no lado oeste da galáxia e podemos mandar um lá para ver como é. Obs: Aqui não deu certo esse lance de ressuscitar, nem mesmo depois de construirmos as pirâmides gigantes. Como é que vocês fizeram?

Humanos: Mandamos o pessoal das cruzadas barbarizar no meio oeste. Não vai sobrar pedra sobre pedra para os infiéis incrédulos na palavra do filho de Deus.

ETs: Olha, não é por nada não, mas está complicado falar com vocês. Vocês devem ter uma língua muito avançada porque o maldito Autotranslator não está conseguindo traduzir quase nada direito. Agora sério, o cara que vocês pregaram na cruz não era o filho de Deus. A gente já provou matematicamente que Deus não existe. O lance de onipotência, onipresença e onisciência quebram todas as regras de todos os livros de ciência. Não tem como.

Humanos: Blasfêmia, infiéis malditos! A santa trindade prevalece sobre as vozes das bruxas que saem desta caixa do demônio. Queimem todos os livros de ciência! Queimem as bruxas e suas caixas mágicas na fogueira!

ETs: Bom, tá complicado conversar assim, Mas a boa notícia é que a versão 8.6 saiu (finalmente!) e para fazer o upgrade basta elevar a temperatura do Transcomunicador até uns 150C e o resto deve ser automático. Depois disso a gente conversa mais.

Humanos: e!(H)[email protected] ) H!h90 -)!H308h4 *!h97b971 )*!h(!979!(e!*&9re )*H! h18 184h10

ETs: Quê?

Humanos: !@)H12rh!( 12h 0!*H 8 12h)*H) 108 h10 11028g 028g 08018. *(!018hr018h2 208!)U02 h2mhg09 (*HR(*RR 180rh8rhr88888! 01her.

ETs: Porcaria de Autotranslator…

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Bolsas renderam 35 lançamentos de livros em dois anos

Fundação Biblioteca Nacional

Uma recente aprovação de 47 bolsas para tradução de obras brasileiras no exterior, a ser divulgada no “Diário Oficial da União”, fez o programa de apoio à expansão da literatura da Fundação Biblioteca Nacional chegar a 400 bolsas concedidas desde 1991.

Na época, três anos antes da primeira homenagem ao Brasil na Feira de Frankfurt (1994), a FBN começou a oferecer quantias em dinheiro a editoras estrangeiras interessadas em publicar nossos autores.

As bolsas hoje podem chegar a US$ 8.000 e incluem apoio para edição em países lusófonos.

O efeito Frankfurt foi forte. Das 400 bolsas, 290 foram pedidas e aprovadas a partir de 2010, quando o Brasil foi anunciado como convidado de honra deste ano. A média passou de seis a 72,5 bolsas por ano. [via Folha]

Leia o artigo completo clicando no link da Folha.

Publicado por Bruno Vox em: Notícias | Tags: , , , , , ,

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