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conto da noiteO Conto da Noite
Rituais
As pessoas trabalhavam felizes em meio aos limoeiros. Homens e mulheres contentes colhiam os frutos que surgiam abundantemente naquele lugar.

Em meio ao tumulto, um casal arrumava tempo para brincar.


Publicado por Evandro Furtado

– que publicou 95 textos no ONE.

Ocupações: Estudante de Letras (sim, isto é ocupação) e escritor amador em tempo vago.

Base de operações: Lavras/MG (por mais que eu duvide que esteja realmente aqui, às vezes).

Interesses: Cinema, música, literatura, professional wrestling e uma boa pizza se for possível.

Autores Influentes: Stephen King, Dan Brown, Agatha Christie, Paulo Coelho, Tolkien.

Objetivos: Parafraseando o Coringa de Heath Ledger: “I just do things!”

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Crime em andamento – Jim Knipfel

Imagem | Russell Christian

Imagem | Russell Christian

Tradução | Eder Capobianco Antimidia

Minha cabeça estava em outro lugar. Não deveria estar. Eu deveria ter prestado atenção ao que estava acontecendo ao meu redor, mas em vez disso estava pensando sobre A Genealogia da Moral de Nietzche, por algum motivo esquecido por Deus, bem como o velho Robert Klein¹ e o stand-up que vi na TV em 1976 (“Me dê o frango, porcolino!”). Os dois, até onde eu sabia, não estavam ligados de forma alguma. Em suma, minha mente estava em toda parte, menos onde deveria estar.

Eu não estava usando a bengala também, o que só multiplicou a estupidez. Ainda estava escuro. O sol não tinha nascido totalmente, e estava chovendo. Eu estava indo para oeste na 23rs St., e deveria ter pegado a maldita bengala, mas estava ocupado demais pensando sobre Robert Klein ter se inspirado nos filmes da Disney para me preocupar com isso. Eu só seguia em frente, de cabeça baixa, meu casaco aberto para a garoa, imaginando se meus pés sabiam bem o suficiente para onde tinham que me levar. Minha camisa estava com pizzas de suor.

Escutei algumas pessoas gritando mais a frente. Pensei pouco sobre isso, supondo que eram apenas as vozes dos lixeiros. Havia um caminhão de lixo arrastando a sujeira sentido oeste na calçada paralela a minha, e acabei de ligando as duas coisas. Lixeiros estavam sempre gritando uns com os outros.

Duas silhuetas estavam se movendo em minha direção pela escuridão, vindas do fim de uma longa fila de andaimes. Eu estava concentrando-me nas formas, tentando descobrir a melhor maneira de evitá-los, quando ouvi passos molhados se aproximando por trás de mim. Então do nada havia um homem do meu lado, com um guarda-chuva na mão. Meu passo vacilou por um instante.

“Oh”, ele disse. “Me desculpe”. Então ele se virou e correu de volta para o lugar de onde tinha vindo.

Eu não tinha idéia do porque ele poderia se desculpar. Ele não tinha me empurrado ou trombado em mim ou pego qualquer coisa. Quem sabe? Ele quase não desviou minha atenção do que acontecia. Eu olhava para o par de silhuetas na minha frente, então dei um passo para o lado e deixei eles passarem.

Com certeza tinha muita gente trafegando pela rua para 6:15 da manhã. E em ação, também, para um deprimente dia perdido. As pessoas estavam indo e vindo por todas as direções. Eu continuei fazendo meu caminho, passando pelos ambulantes, a banca de jornal e a estação do metrô, pensando sobre isso e aquilo, ainda muito deprimido comigo mesmo e deixando a mente a deriva.

“Basta dar o dinheiro a ele!”, um homem atrás de mim gritou. “O dinheiro! Apenas dê a porra do dinheiro para ele!” Escutei o som das pessoas correndo.

Olhar para trás para ver o que estava acontecendo a poucos metros de mim teria sido inútil. Rapidamente virei a esquina para a 7th Ave., abaixei a cabeça e continuei andando. Estava tudo certo agora.

Acho que só passei por um crime em andamento, pensei.

Era perfeitamente possível que não fosse um crime também – talvez tivesse sido uma simples transação de negócios, ou algum lixeiro resolvendo uma aposta no jogo dos Mets, mas preferia pensar que era algum tipo de crime, e que tiros irromperam o ar no momento que eu estava fora do alcance da voz.

Então comecei a me perguntar quantas vezes tropecei num crime em progresso sem perceber. Não me surpreenderia se tivesse acontecido várias vezes.

Algumas semanas atrás estava falando para um amigo meu sobre umas coisas que ele tinha escrito. Envolvia uma criança que começava a ficar obsessiva por crimes muito cedo. Não é que ela própria se torna uma criminosa, mas o crime e os criminosos começam a orbitar em torno dela, se aproximando e se tornando mais íntimo a cada ano que passa.

Foi uma idéia, como expliquei para ele, que bateu realmente perto do meu quintal. Eu estava obcecado com o crime como uma criança (ainda sou, eu acho). Mas como cresci, crimes reais e tangíveis começaram a cruzar minha vida de maneira estranha frequentemente.

Cresci a 40 milhas de onde Ed Gein² morou. Ensinava alemão para um nerd quando estava na escola, sem saber que ele só queria aprender alemão para impressionar seus companheiros da Irmandade Ariana. Um amigo que eu tinha desde o jardim de infância explodiu o próprio irmão. Outro amigo começou a conversar com a televisão e antes do que você imagina matou seis pessoas a tiros em um escritório no centro. Descobri que minha mãe cruzou com Charley Starkweather³ pela vida. Um cara chamado Jessie Lee Wise4 queria que eu o ajudasse a fazer sua carreira musical decolar, mas o fato de que ele estava no corredor da morte no Missouri tornou isso um pouco complicado. Conversei com ele 20 minutos antes que a agulha picasse ele. Ele pediu camarão no jantar.

Posso falar disso sem parar. Não era pela minha própria vida cheia de pequenos crimes, e todos os criminosos de uma forma ou de outra, na sua maioria de baixa renda, que eu havia me tornado insensível ao crime.

Eu não digo nada disso com orgulho – mas é assim que as coisas aconteceram. Eu sempre achei que o crime poderia ser interessante. Como se diz mesmo? Uma outra forma de trabalho duro5?

Enfim, bem, é por isso que não fiquei surpreso com tudo que estava acontecendo, de fato, quando passei por um crime em andamento na 23rd St. naquela manhã. Andei em canteiros de obras, desviei de balas – até do fogo – sem estar ciente disso. Afinal de contas, na maioria das vezes, os crimes são muito mais silenciosos do que as pessoas imaginam. Participar de um crime não teria sido nada demais. De menos, até. Apenas algo mais para acrescentar à lista.

1 – Robert Klein: Comediante, cantor e ator estadunidense famoso na televisão durante a década de 1970. (http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Klein). Um homônimo dele se envolveu em um processo contra a Walt Disney Company depois de ser demitido por justa causa por assédio sexual (http://www.hollywoodreporter.com/thr-esq/disneys-archivist-sues-company-firing-424852).

2 – Ed Gein: Ladrão de lápide de Wisconsin condenado pelo homicídio de duas pessoas, e suspeito no desaparecimento de outras cinco (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ed_Gein).

3 – Charley Starkweather: Foi um serial killer adolescente estadunidense que matou onze pessoas nos estados de Nebraska e Wyoming num período de dois meses, entre Dezembro de 1957 e Janeiro de 1958 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Starkweather).

4 – Jessie Lee Wise: Assassino condenado a pena capital por matar Geraldine Rose McDonald depois de um assalto, em 1988, no Missouri. (http://murderpedia.org/male.W/w1/wise-jessie-lee.htm).

5 – Referência ao filme O Segredo da Jóia (The Asphalt Jungle, 1950). Num determinado momento do filme, durante um dialogo, um ladrão justifica seus atos criminosos como uma forma de trabalho alternativo (http://en.wikiquote.org/wiki/The_Asphalt_Jungle).

Texto Original | http://www.missioncreep.com/slackjaw/2006/crime.htm

Sobre Jim Knipfel | http://en.wikipedia.org/wiki/Jim_Knipfel

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Carne II – Ossos do Ofício – Final

Escritor: Sombra Posthuman

Ukobach

Ukobach

 

Esta publicação é continuação de Carne I – Esqueletos no Armário e Carne II – Ossos do Ofício – Parte 1 e é recomendada para maiores de 18 anos.

Blood on her skin
Dripping with sin
Do it again
Living Dead Girl
Blood on her skin
Dripping with sin
Do it again
Living Dead Girl

Bem longe dali, Elisa algema os pulsos de Leandro à cabeceira e os pés aos pés da cama.

(more…)

Publicado por Sombra Posthuman em: Agenda | Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
6

Carne II – Ossos do Ofício – Parte 1

Imagem de Albert Wesker retirada da página http://www.gaiaonline.com/profiles/chairman-a-wesker/31614599/

Imagem de Albert Wesker retirada da página http://www.gaiaonline.com/profiles/chairman-a-wesker/31614599/

 

Escritor: Sombra Posthuman

Recomendado para maiores de 18 anos.

 

Para ler antes, ou não:

Carne I – Esqueletos no Armário

 

I… I have this need

I need to see you bleed

I need to taste your brain

Oh God, it drives me insane

Come… come over here, my dear

There’s nothing for you to fear

I need a little piece of your head

So you too can be among the living dead…

 

O ritmo da música eletrônica enche o quarto, dividindo o pouco espaço do aposento com sangue e membros decepados. Elisa move seu corpo seguindo o ritmo, enquanto devora um braço que já pertenceu a um homem. O sangue respinga em sua lingerie branca, já cheia de manchas rubras. Ela se delicia com o momento, como se estivesse fazendo sexo. É uma sena grotesca, mas lambuzada de luxúria, porque para Elisa, isso é um orgasmo.

É o quarto de Mauro, que se transformou em uma câmara de horrores.

– Eu tô gostano desta cidade. – Ela diz com o sorriso de uma criança.

O telefone toca, Elisa larga o membro masculino que lhe dá tanto prazer, chupa os dedos e corre para a sala de calcinha e sutiã e suja como uma criança levada. Ela atende o telefone.

– Alou?…

– Olá, meu anjo, vai fazer alguma coisa hoje?

– Nadinha…

– Então eu vou passar pra te pegar mais tarde.

– Tá bom, vou ficar esperano.

– Vou te levar pra um lugar bem legal!

– Ah, é? Estou curiosa…

– É surpresa. Então até mais, gata.

– Até mais…

É noite,… um homem de batina, coturno e um chapéu preto anda pela cidade com ar de quem não sabe bem para onde está indo. Ele usa um grande crucifixo de prata e óculos escuros, e carrega uma maleta preta. Através dos óculos, olha para a TV em uma vitrine, onde está passando “O Corvo”.

– Victms… aren’t we all? – diz Brandon Lee.

– Cidade grande,…vai ser difícil te achar de novo, Lilith.

Ele continua andando, mas um cego, de rosto deformado, bloqueia sua passagem. Ele o empurra sem hesitar na direção da rua.

– Sai da frente, cego inútil!

O homem cai na rua, enquanto um carro vem rápido em sua direção, buzinando desesperadamente. O cego não tem tempo de reagir e permanece caído na escuridão, apenas ouvindo o som da morte se aproximando. Felizmente, o motorista consegue desviar. O homem da batina, no entanto, continua em seu caminho, sem nem mesmo olhar para trás. Ele se aproxima de uma igreja evangélica e ouve muita gritaria lá dentro.

– O fim está chegando, irmãos! Os sinais estão todos aí! É o fim dos tempos!

– Por mil diabos, assim nem consigo ouvir meus pensamentos!

Para diante da igreja e abaixa os óculos. Sua íris é vermelha como fogo e sua pupila é uma fenda vertical, como de gato. Ele olha para dentro da igreja e, sem razão aparente, o altar é coberto de chamas, juntamente com as roupas do pastor.

– Esses crentes são tão irritantes…

Um carro passa pela rua e as pessoas dentro dele nem se dão conta do que está acontecendo. É Leandro quem está dirigindo o carro, e Elisa está na carona.

– Que lugar é esse pra onde ocê vai me levar?

– Calma, meu anjo, isso é só mais tarde. Agora nós vamos beber e dançar um pouco.

Ele para o carro em frente a um lugar sujo e com pouca iluminação, que parece um galpão, com homens mal encarados fumando na frente. Eles entram e são recebidos por uma garota loira que aparenta ter uns 14 anos, com um short minúsculo e um decote bem ousado.

– Oi, Painho! Vai me pagar um drink?

– Não, hoje não, Gabi. Eu tenho companhia.

– Ok. – E sai sem dar a mínima.

– Painho? – repete Elisa com tom de deboche.

Eles se sentam a uma mesa no canto, e logo um homem barbudo com mais ou menos quarenta anos e cheio de ouro chega para cumprimentar Leandro. Neste momento, passa pela mesa uma mulher linda, usando um chapéu de caubói. Um pouco parecida com Elisa. Algo naquela mulher chama a atenção de Elisa de tal modo, que ela não consegue desgrudar o olhar da misteriosa mulher. A morena de chapéu deixa o estabelecimento e, enfim, Elisa sai do transe.

– Elisa, falei com você, meu anjo.

– Ah, sim, descurpe.

– Este aqui é o Pirata, meu parceiro de negócios.

– Muito prazer.

– O prazer é meu. É uma moça muito bonita!

– Muito agradecida.

– Tem notícias do Mauro? – Pergunta para Leandro.

– Não, desapareceu sem deixar rastro. Só deixou isso aqui pra mim. – Olha para Elisa sorrindo e ela sorri de volta sem prestar muita atenção no que ele está dizendo.

– E você acha pouco? Hehehehe

Uma garçonete traz algo para beber e Elisa bebe enquanto pensa na mulher que viu há pouco. Os homens estão conversando, mas ela permanece distante.

Alguns instantes depois, Leandro chama Elisa para dançar. Eles se levantam e começam a dançar ao som de The 69 Eyes – Dead Girls Are Easy.

Enquanto isso, em outra parte da cidade, o homem de batina toca a campainha em uma casa. O cachorro do vizinho não para de latir, o homem o encara por cima dos óculos escuros e o cachorro foge amedrontado. Um cabeludo tatuado abre a porta.

– Um padre? O que você quer aqui?

– Diego Silveira?

– Sou eu, e você quem é?

– Meu nome é Ukobach.

– Eu não acredito em Deus, tá legal?! – e começa a fechar a porta, mas Ukobach a segura.

– Eu quero saber onde está a mulher do baixo.

– Mulher do baixo, não sei do que cê ta falando, véi. Agora dá licença, que eu tô com o fogo ligado. – E força a porta para fechá-la, mas Ukobach chuta a porta com seu pesado coturno, abrindo-a mais e empurrando o homem para trás.

– Tá maluco?

Ukobach pega o homem pelos cabelos e o arrasta até a cozinha.

– Por que não disse logo? Não queremos desperdiçar gás! Eu sou um ótimo cozinheiro, sabia?

Diego grita e se debate, alcançando uma panela e bate na perna de Ukobach, que parece não sentir nada. Há uma chapa de metal fritando lingüiças e cebola em cima do fogão.

– O jantar está servido! – Ukobach empurra o rosto de Diego contra a chapa e ele solta um grito horrível de dor.

– Vou perguntar de novo, onde está a garota?

– Ah, eu não sei, véi, eu juro!

– Resposta errada. – E empurra novamente seu rosto contra a chapa. Depois o joga no chão. – A gente pode ficar aqui a noite toda! Vai ser muito divertido.

– Duas ruas pra trás, prédio verde, primeiro andar. Procura pela Dália, ela sabe da garota.

– Mas que covarde,… entregando uma mulher tão cedo! Eu disse que isso poderia durar a noite toda. Sabe, o padre dono desta batina resistiu mais.

Ele pega uma faca de cortar carne e corta o indicador da mão direita de Diego, que grita novamente.

– Ninguém gosta de dedo-duro!

Ukobach pega o dedo decepado do chão e guarda em sua maleta. Enquanto isso, Diego pega a faca e crava na perna do homem de batina, gritando “Desgraçado!”. Ukobach se vira e quebra o braço de Diego, fratura exposta. Volta à maleta, pega um gancho e vira novamente para Diego:

– Espero que não esteja mentindo.

– Aaaaaah, meu braço!

– Você não faria isso, faria? – Abaixa os óculos, fitando-o de perto com seus olhos demoníacos.

– Ah, meu deus!

– É, acho que não… Então me diga, já que você gosta de falar, qual é o nome da mulher do baixo?

– Eu te digo, mas, pelo amor de deus, me deixa em paz!

– Feito.

– O nome dela é Luana.

– Luana,… então esse é o nome que você está usando… Agora vamos brincar de açougueiro.

– Não! Você disse que ia me deixar em paz!

– Pelo amor de deus eu menti. – e crava o gancho no ventre de Diego.

De volta à boate, Elisa diz para Leandro que quer ir embora.

– Eu quero ver a surpresa que ocê tem pra mim.

– Está bem, então vamos.

Eles voltam para a mesa e Gabi está sentada no colo do Pirata com o seio esquerdo para fora da blusa em sua mão.

– Até mais, gente, a gente já tá indo. – diz Leandro.

– Mas já, tão cedo? Toma mais uma bebida! – responde o Pirata.

– Não, a gente vai continuar a festa em outro lugar. Nos vemos semana que vem.

Eles pegam o carro e Leandro pergunta:

– Quer parar em algum lugar pra comer alguma coisa?

-Não, eu quero ver logo esse lugar que ocê falou.

– Tem certeza? Não está com fome?

– Dá pra aguentar até mais tarde.

– Tá legal.

Eles se afastam da cidade e vão pro meio do nada. Mas, no meio do nada, se encontra uma luxuosa mansão.

– E aí, o que achou?

– Nossa! O que é isso?

– É o esconderijo que o Pirata me arranjou. Os negócios vão indo muito bem.

– Que legal, é demais de grande! Eu quero ver a casa por dentro!

Eles entram e Elisa corre a casa toda. Para de frente para a lareira e diz:

– Aqui é pra jogar os osso das pessoa, né?

– Elisa, você anda vendo filmes de terror demais!

Ela sai correndo, pois outra coisa chamou-lhe a atenção, enquanto Leandro observa a lareira, pensando seriamente numa nova possibilidade. Ouve um som metálico, se vira e vê Elisa segurando uma katana desembainhada, apontada para ele.

– Olha só o que eu achei!

– Muito cuidado com isso, está afiadíssima. E você não vai querer machucar este lindo corpinho, vai? – Coloca a espada de lado e acaricia seu rosto. – Vou te mostrar o nosso quarto.

Um homem de pseudo-moicano anda pela calçada de uma rua deserta com uma camisa camuflada, onde está escrito: “EXÉRCITO DE CRISTO”. Ele caminha, cantando um funk, quando vê folhas de jornal no chão e se inclina para olhar. É uma reportagem sobre o incêndio na igreja.

– Cacete!

Enquanto ele observa, inclinado, um morcego que estava pendurado em uma marquise atrás dele toma forma humana e o agarra por trás. Ele tenta reagir, mas relaxa quando recebe uma mordida no pescoço. O predador é a mulher de chapéu que Elisa viu na boate, mas ela está nua. A presa entra em um estado de êxtase e fica completamente mole, indefesa, enquanto a vampira o puxa para a sombra e suga todo o seu sangue pela jugular. Quando ela parece finalmente saciada, solta o corpo do homem, mas se surpreende ao ouvir uma voz.

– Olá, Lilith. – Um homem, aparentando uns trinta anos, cabelos negros em asa delta, roupas pretas e um crucifixo de madeira pendurado no pescoço, sai de trás de uma banca de jornal. – Venho observando você há um tempo. – Ela fica alerta como um animal ameaçado. – Vampiros realmente existem! – Ela começa a andar em sua direção, olhando em seus olhos. O homem saca uma pistola: – Não se aproxime. – Ela sorri. – Eu vim buscar você, Cabuçu deseja vê-la.

– Cabuçu? Ele está aqui?

– Chegou ontem e quer falar com você, por favor, venha comigo.

Luana se move como um raio e tira a arma da mão do homem, mas ao tentar estrangulá-lo, tem sua mão queimada misteriosamente. Ela geme de dor e salta para trás, segurando a mão, suas presas aparecem e seus olhos ficam vermelhos. Ela fita o homem, com raiva, mas ele não parece amedrontado.

– Eu não quis te ferir. Nem sei o que aconteceu. Tome, vista meu casaco. – Ele joga o casaco para ela.

– Você vai na frente, eu te sigo à distância.

Eles caminham por algum tempo, até que chegam a uma casa humilde. Ele entra e deixa a porta aberta, Luana entra em seguida. Sentado diante de uma mesa com vários livros está o velho deformado que foi empurrado por Ukobach. É um velho índio que usa óculos escuros.

– Senhor Cabuçu, trouxe a vampira, como me pediu.

– Lilian, ocê tá aí?

– O que houve com os seu rosto, Cabuçu?

– Ashur mandou um demônio atrás de mim, ele se chama Anamane. Mas não era meu destino morrer naquele dia. Perdi minha mãe e a visão, e fiquei com o rosto deformado.

– Eu sinto muito. O demônio também veio atrás de mim e eu também perdi uma pessoa querida.

– Você deve ter sofrido muito… Ashur deixou este mundo, e eu me preparei por todos esses anos para me vingar do demônio que levouseu irmão e a minha mãe.

– Você devia fazer como eu, Cabuçu, esquecer de tudo, deixar o passado para trás.

– Às vezes o passado te apunhala pelas costas, Lilian. O demônio está aqui em BH, veio atrás d’ocê novamente. Os espíritos ancestrais me disseram que vários destinos vão se reencontrar nesta cidade e que vida e morte estão nessa encruzilhada.

– Se ele veio me destruir, deixe que venha. Minha existência não possui nenhum propósito. Só o que faço é matar pessoas inocentes quando a fome se torna insuportável.

– O demônio não deve alcançar seu objetivo! Seja ele qual for!

– Eu lamento, Cabuçu, sou grata por você ter me ajudado a fugir de Turmalina, mas não vou ajudar na sua vingança. – Ela se vira e sai.

– Espera! Ele está indo atrás de você! É um demônio!

– Deixe, Ângelo! Ela não vai ajudar. Pelo menos não agora, os espíritos disseram que a mulher de Turmalina iria se unir a nós contra o demônio.

– Talvez ela mude de idéia.

Ukobach está diante de um prédio pequeno e simples, sem porteiro, quatro andares. Enquanto anda em direção à porta do prédio, as plantas do jardim murcham com a sua presença. Ele abre sua maleta e de dentro dela sai uma corrente enferrujada com elos de ganchos, como um enforcador de cachorros. A corrente se ergue no ar como uma serpente e tem várias agulhas na ponta. Essas agulhas entram na fechadura da porta e a abrem. Ele segue pelo corredor e faz o mesmo na porta do apartamento. Anda silenciosamente pela sala escura e é violentamente atingido na cabeça, caindo no chão imediatamente. Ele olha para os óculos quebrados no canto da sala e tenta se levantar, mas é atingido novamente pelo pedaço de madeira segurado por Dalila, uma jovem de moicano, cheia de tatuagens e piercings, usando um baby doll.

De repente, a madeira em sua mão começa a pegar fogo espontaneamente. Ela joga a madeira no chão, assustada. Ukobach se levanta.

– Você é Dalila?

– E você é o Demônio?

– Um deles. Mas não é você que eu quero. Vim lhe perguntar: onde está Luana? – Pega a maleta do chão calmamente.

– Que tipo de demônio é você, que não consegue achar uma garota?

Ele abre a maleta e dela saem quatro correntes, que seguram seus membros e a erguem no ar.

– Eu faço as perguntas aqui.

– Você tá perdendo seu tempo, cara!

– Eu tenho todo o tempo do mundo.

As correntes começam a se enroscar por suas pernas, até suas virilhas e a apertar. Dalila começa a gemer de dor.

– É bem mais divertido quando vocês não cooperam.

Correntes finas com pequenos ganchos se enroscam pelo seu tronco, rasgando sua blusa e sua pele.

– Dá pra perceber que você gosta de furar a própria pele. Acho que você vai adorar a nossa brincadeira!

– O prazer é todo seu!

As correntes finas envolvem e apertam seus seios e novas correntes prendem ganchos em todos os seus piercings: no nariz, nas orelhas, na boca, na língua, nas sobrancelhas, nas bochechas, nos mamilos, no umbigo e na vagina. E começam a puxar bem devagar. Ela geme novamente.

– Vou perguntar novamente: Onde está Luana?

Ela tenta dizer algo, mas as correntes na boca não permitem. Ukobach tira as correntes do lábio inferior e da língua.

– No seu rabo, filho da puta!

As correntes voltam, mas Dalila fecha a boca, impedindo que uma delas pegue o piercing da língua. Elas começam a esticar a pele da garota nos locais dos piercings e ela grita mais alto. Aos poucos, os piercings vão sendo arrancados um a um e Dalila grita de dor. Ukobach observa as gotas de sangue que pingam no chão até que todos os piercings são arrancados. Uma corrente se enrosca na boca de Dalila, impedindo que continue gritando.

– Parece que você perdeu todos os seus piercings. Vamos providenciar novos.

Várias correntes finas com pequenos ganchos na ponta saem de dentro da maleta e cravam em várias partes do corpo de Dalila. As correntes começam a puxar.

– É surpreendente a elasticidade da pele humana, não é?

As correntes vão esticando a pele aos poucos e a tortura continua por um bom tempo, até que a pele começa a arrebentar. E as correntes vão caindo uma a uma. Dalila geme de dor, não pode mais gritar.

– Eu poderia ficar a noite toda nisso, mas tenho outras coisas pra fazer, então vou te dar logo o que você tanto quer!

Ukobach sorri, enquanto uma corrente grossa sai de dentro da maleta. Sua ponta é formada por vários discos empilhados, como uma broca, com pequenos pregos apontados para fora, como uma clava. Cada disco gira em um movimento de rotação oposto ao anterior. A ferramenta faz um barulho infernal. Dalila arregala os olhos.

– Não seja tímida! Eu sei que você está ansiosa pra ter este instrumento dentro de si!

A broca se aproxima de Dalila e ela começa a se debater. Ela entra em seu short pela virilha e penetra entre suas pernas. Continua subindo até o útero, derramando uma grande quantidade de sangue no chão. Depois de algum tempo, a broca sai.

– Dalila, foi um grande prazer brincar com você. Eu me diverti tanto, que resolvi fazer um trato. Pare de resistir e junte-se a mim, eu pouparei sua vida e lhe concederei poderes incríveis. Nada poderá se colocar em nosso caminho. O que me diz?

A corrente que tapava a boca de Dalila é retirada. Seu rosto está machucado por causa dos ganchos de enforcador. Ela cospe sangue e fala com muita dificuldade:

– Vai pro inferno, seu corno! – Ukobach fica desapontado.

– Você primeiro.

A corrente volta para seu lugar e as pequenas poças de sangue do chão começam a se transformar em formigas africanas.

– Essas formigas entrarão pelos seus orifícios e lhe comerão lentamente por dentro. Aproveite cada segundo! Nada pessoal, são ossos do ofício.

As formigas sobem pelas correntes e pelas pernas de Dalila, até entrarem no seu short. Ela geme e se debate desesperada.

– Espero que não se importe se eu me ausentar, já vi esse espetáculo milhares de vezes.

Ele passa pelo corredor do apartamento e vai até o quarto de Dalila. Lá, ele encontra um flyer do show do dia seguinte.

– Já este espetáculo, eu não vou querer perder!

Publicado por Sombra Posthuman em: Agenda | Tags: , , , , , , , , , , , ,
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The Raven Song – Capítulo 3: Quando os Demônios…

Escritor: Sara

the-raven-song

Parte 1: …Vendem Suas Almas

Moskov saiu do elevador batendo os saltos no chão com ruidosos toctoc e ao alcançar a “Área Especial” (onde costumava-se prender os prisioneiros homicidas e os esquizofrênicos) passou seu cartão de identificação na porta, entrando definitivamente na Zona Proibida.

(more…)

Publicado por Sara em: Contos,The Raven Song | Tags: , ,
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The Raven Song – Capítulo II: O Chamado

Escritor: Sara

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— Então, deixe-me ver… — falou a mulher trajando um belíssimo terno cinza feminino feito sob medida. Ela usava óculos de armação fina e aparentava ter uns cinquenta e poucos anos. Seus dedos manicurados procuravam pelo nome dos homens diante dela no relatório que recebera. — Senhores… Puente e…

Eu não tenho sobrenome — disse friamente o sujeito pálido e perturbadoramente alto sentado na esquerda.

(more…)

Publicado por Sara em: Contos,The Raven Song | Tags: , ,

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